Todos os cidadãos e cidadãs paulistanos estão convocados para a caminhada contra a violência no Largo São Bento, a ser realizada nesta segunda-feira, dia 15/06, às 9h.
No Dia Mundial de Conscientização da Violência à Pessoa Idosa, pessoas idosas de São Paulo, organizam a 15ª Caminhada contra a Violência à Pessoa Idosa. O ato busca conscientizar sobre reivindicações, direitos e políticas públicas e termina com entrega de Carta Aberta ao poder executivo, assinada por mais de 40 coletivos e grupos.
Em São Paulo, pessoas idosas já são quase 18% da população, cerca de 2 milhões. Quase 19% vivem sozinhas. De 2010 a 2022 essa foi a faixa etária que mais cresceu na cidade: 51%.
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Ou seja, a maior metrópole da América Latina enfrenta o desafio urgente de deixar de ser uma cidade pensada apenas para a produção e passar a ser um espaço acolhedor para a reprodução da vida em todas as suas fases. O que se observa nos últimos anos não é um pedido por caridade, mas uma mobilização consciente e articulada da população idosa exigindo que o Poder Executivo municipal cumpra as promessas do Estatuto da Pessoa Idosa e transforme a cidade em um território verdadeiramente amigo de todas as idades.
Vale lembrar que a capital recebeu certificação da Organização Mundial de Saúde (OMS) como “Cidade Amiga do Idoso” e lançou o Programa Vitalidade+ na 7ª Longevidade Expo + Fórum, realizada em outubro de 2025. Ou seja, a certificação internacional deveria reforçar o compromisso da Prefeitura de São Paulo com o envelhecimento ativo, a inclusão e a qualidade de vida da população idosa., mas não é bem isso que a população idosa está vivenciando.
O cenário mostra pessoas idosas sofrendo preconceito e abusos em várias situações, além de calçadas esburacadas, degraus irregulares e a falta de sinalização adequada e semáforos com tempo de travessia compatível. Elas precisam de proteção e políticas públicas específicas, pois são cidadãos ativos e eleitores conscientes.
15 de junho, dia de sensibilização
O Estatuto da Pessoa Idosa classifica os mais variados tipos de violência contra a pessoa idosa. Ela pode ser física, psicológica, financeira, abandono, institucional, sexual, estrutural e tecnológica.
A principal pressão da caminhada será por atendimento às reivindicações que melhorem a proteção, apoio e qualidade de vida da população idosa.
Entre as reivindicações feitas pela população idosa está a descentralização e o fortalecimento das políticas de saúde pública. Embora a Prefeitura de São Paulo tenha expandido programas de atenção à memória e cuidados paliativos, a queixa crônica repousa na disparidade territorial. Os idosos das periferias — onde o envelhecer frequentemente é atravessado por vulnerabilidades socioeconômicas — demandam a ampliação das Unidades de Referência à Saúde do Idoso (URSI) e equipes de geriatria capilarizadas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Há uma cobrança incisiva por um atendimento humanizado e ágil na marcação de consultas especializadas e exames, além do fornecimento regular e desburocratizado de medicamentos de uso contínuo para doenças crônicas e degenerativas.
Somado à saúde, o direito à cidade e à mobilidade urbana desponta como um eixo central de luta. Além disso, a necessidade de treinamento humanizado para motoristas e cobradores de ônibus são pautas permanentes, uma vez que a mobilidade é o passaporte para o exercício pleno da cidadania, permitindo o acesso ao lazer, à cultura e à convivência social.
Outro ponto crítico e emergente nos últimos anos diz respeito ao cuidado de longa duração e ao combate ao idadismo estrutural. O Executivo é fortemente cobrado pela ampliação e qualificação dos Centros Dia para Idosos (CDI) e das Instituições de Longa Permanência para Pessoas Idosas (ILPIs) públicas, que hoje operam em número deficitário diante da demanda.
A sociedade civil exige suporte psicossocial e financeiro para os cuidadores familiares, que muitas vezes adoecem na invisibilidade do lar. Simultaneamente, outra solicitação que tem sido feita é que a Prefeitura crie mais Centros de Convivência e programas de inclusão digital que não apenas ocupem o tempo do idoso, mas reconheçam sua capacidade produtiva e seu valor intelectual, combatendo a estigmatização da velhice como fardo social.
Em suma, as reivindicações da população idosa ao Executivo paulistano giram em torno de um conceito fundamental: a intersetorialidade. Não basta criar projetos isolados; o envelhecimento ativo exige moradia digna, segurança nos espaços públicos, saúde preventiva e escuta ativa nos conselhos municipais. São Paulo precisa compreender que investir na pessoa idosa hoje é garantir a sustentabilidade social do amanhã.
O papel do poder público é transformar o direito escrito no papel em uma experiência diária de dignidade. Por isso, entre os pedidos da carta a ser entregue estão: criar secretaria específica, cumprir o Estatuto integralmente, garantir orçamento nas pastas e políticas que combatam idadismo, racismo, homofobia e capacitismo, entre outros.
Serviço
15ª Caminhada contra violência e maus-tratos à pessoa idosa
Data: 15 de junho de 2026
Concentração: 9h
Saída: Largo São Bento até a Secretaria de Direitos Humanos
