Este número da Kairós nasce do reconhecimento de que o envelhecimento é um dos temas mais decisivos para a vida coletiva porque coloca em evidência questões de sentido de envelhecer.
É com muita satisfação que a Revista Kairós-Gerontologia apresenta o lançamento de sua última edição especial, uma obra que mergulha, com rigor e sensibilidade, nos significados do envelhecer em diferentes contextos culturais, oferecendo à comunidade científica uma contribuição original e de alto impacto.
A edição é fruto de uma primorosa organização e curadoria conduzida por um seleto grupo de editores convidados, pesquisadores ibero-americanos. Esta colaboração não apenas eleva o patamar científico de nossa publicação, mas exemplifica o poder da interdisciplinaridade e do diálogo transnacional. A convergência de especialistas oriundos de diferentes áreas do saber e de diversas realidades geográficas permitiu uma análise mais ampla sobre o fenômeno do envelhecimento, consolidando laços de cooperação acadêmica e amizade que transcendem fronteiras.
Agradecemos profundamente a este comitê editorial que assumiu com excelência a complexa tarefa de estruturar e articular esta edição em sua totalidade: Pilar Monreal-Bosch (Espanha), Silvia Gascón (Argentina), Rafael Pizarro Mena (Chile), Maria Fernanda López (Argentina), Mariela Carina Bianco (Argentina), Oriol Turró-Garriga (Espanha), Tainá Gomide Rodrigues Souza Pinto (Brasil) e Simone Martins (Brasil).
Com a certeza de que os diálogos propostos nesta edição suscitarão novas e produtivas reflexões no campo da Gerontologia, cedemos a palavra ao comitê editorial convidado, para apresentar, em linhas gerais, as contribuições científicas que compõem este volume especial.
CONFIRA TAMBÉM:
O sentido de envelhecer em diferentes sociedades
Por Pilar Monreal-Bosch, Silvia Gascón, Rafael Pizarro Mena, Maria Fernanda López, Mariela Carina Bianco, Oriol Turró-Garriga, Tainá Gomide Rodrigues Souza Pinto e Simone Martins.
Este número especial da Revista Kairós: “O sentido de envelhecer em diferentes sociedades” nasce do reconhecimento de que o envelhecimento, hoje, é um dos temas mais decisivos para a vida coletiva — não apenas por razões demográficas, mas porque coloca em evidência questões de sentido, direitos, saúde, aprendizagem, cuidado e pertencimento.
Em um cenário de rápidas transformações sociais e tecnológicas, pensar a velhice e o envelhecer exige ir além de abordagens únicas: pede diálogo entre áreas, escuta de experiências concretas e compromisso com respostas públicas e institucionais que sejam baseadas em evidências e orientadas por dignidade.
Os artigos aqui apresentados respondem a esse desafio valorizando, de diferentes formas, a escuta das pessoas idosas, a compreensão de suas prioridades e a defesa de sua autonomia e perspectiva de futuro. Esta edição reúne estudos que tratam o envelhecimento como experiência multidimensional, situada e plural — atravessada por cultura, vínculos, instituições, políticas públicas, tecnologias e projetos de vida. Aproxima reflexão conceitual e implicações práticas, contribuindo para qualificar políticas e serviços em sociedades que ainda reproduzem idadismo e desigualdades no acesso a direitos.
O número abre espaço para debates que conectam desenvolvimento humano e aprendizagem ao ciclo de vida, discutindo a formação de pensadores na era da inteligência artificial e suas interfaces com teorias clássicas (Vygotsky, Piaget e Wallon). Ao mesmo tempo, apresenta estratégias de fortalecimento de projetos de vida, como a autobiografia orientada no planejamento da aposentadoria, que integra saúde física e mental, propósito e planejamento em um cenário de longevidades ampliadas.
A dimensão do envelhecimento saudável emerge em abordagens que consideram a pessoa idosa para além de indicadores isolados, com avaliações e percepções profissionais em contextos educativos sênior, e com discussões sobre funcionalidade, cotidiano e participação.
No campo do cuidado, ganham centralidade a relação entre fragilidade, desempenho ocupacional e a frequentemente invisibilizada sobrecarga de cuidadores familiares, evidenciando a necessidade de redes de apoio e de corresponsabilização social. Complementarmente, a Terapia Ocupacional aparece como eixo estratégico ao mapear evidências sobre envelhecimento ativo e prevenção primária, reforçando caminhos para modelos sustentáveis de promoção de bem-estar.
Esta edição também enfatiza que o sentido de envelhecer é tecido por narrativas, pertencimentos e condições de vida. As narrativas literárias e pessoais são apresentadas como pontes para ressignificação e reconstrução de sentidos; e o debate sobre o sentido da vida em instituições de longa permanência convoca atenção à qualidade do cuidado como experiência relacional, ética e humana.
No campo dos direitos, a revisão sobre políticas públicas voltadas à população idosa LGBTQIAPN+ reafirma que envelhecer com dignidade exige proteção efetiva, visibilidade e enfrentamento das desigualdades. Por fim, um estudo comparativo em espanhol amplia a lente intercultural, reforçando a vocação ibero-americana do número e a relevância de análises entre sociedades.
Convidamos o/a leitor/a a percorrer este volume como um conjunto de evidências e reflexões que ajudam a responder, com rigor e sensibilidade, à questão central proposta pela chamada: como diferentes sociedades produzem, reconhecem ou negam sentidos para o envelhecer — e como podemos transformar esse conhecimento em políticas, práticas e culturas mais empáticas, inclusivas e orientadas à dignidade na longevidade.
Boa leitura!
Pilar Monreal-Bosch – Departamento de Psicologia, Universidade de Girona – UdG, Espanha, Grupo Unides/Gegop/CNPq
Silvia Gascón – Diretora do Centro de Envelhecimento Ativo e Longevidade – CEAL, Universidade ISALUD, Argentina, Grupo Unides/Gegop/CNPq.
Rafael Pizarro Mena – Universidad San Sebastián, Chile, Coordinador Área Gerontología de la RIES-LAC y Grupo Unides/Gegop/CNPq
Maria Fernanda López – Universidade Flores, Argentina, Coordenadora adjunta da Área Gerontologia da RIES-LAC
Mariela Carina Bianco – INSSJP e Universidade ISALUD, Argentina, Grupo Unides/Gegop/CNPq
Oriol Turró-Garriga – Departamento de Psicologia, Universidade de Girona – UdG, Espanha
Tainá Gomide Rodrigues Souza Pinto – Grupo Unides/Gegop/CNPq, Universidade Federal de Viçosa, Brasil
Simone Martins – Grupo Unides/Gegop/CNPq, Universidade Federal de Viçosa, Brasil
