Idadismo em pauta: Guia anti-idadista ensina a enfrentar o idadismo no SUAS, disponível gratuitamente

Idadismo em pauta: Guia anti-idadista ensina a enfrentar o idadismo no SUAS, disponível gratuitamente

Guia busca conscientizar sobre o preconceito de idade na velhice e promover um atendimento profissional mais digno no cotidiano da rede socioassistencial.


O preconceito contra a idade está nas palavras, nos gestos e nas atitudes, mas também pode estar dentro de nós. Este guia anti-idadista convida o leitor a pensar, sentir e agir de um jeito diferente. Porque envelhecer é um direito e o idadismo – discriminação baseada na idade – é a principal barreira para garanti-lo. O idadismo – que pode acontecer em várias fases da vida: na infância, na adolescência, na vida adulta e na velhice – ocorre quando alguém é tratado de forma injusta por causa da sua idade. No caso, o idadismo na velhice, invisível, mas prejudicial.

O Guia anti-idadista é resultado de uma dissertação de mestrado do Programa de Mestrado Profissional (PROFIAP) da Universidade Federal de Viçosa (UFV), realizada em 2025, apoiada pelo Edital Acadêmico de Pesquisa Envelhecer com Futuro, promovido pelo Itaú Viver Mais e Portal do Envelhecimento. A pesquisa, intitulada “A diversidade da velhice e seu cuidado no Sistema Único de Assistência Social de São Gotardo/MG: Reflexões sobre o idadismo e suas manifestações”, tendo como proponente principal Daniele Magnavita de Alencar, foi motivada pelo preconceito etário observado em sua experiência profissional no Sistema Único de Assistência Social (SUAS), especialmente em territórios rurais e de vulnerabilidade social.

O estudo investigou as manifestações de idadismo vivenciadas por pessoas idosas atendidas pelo SUAS em São Gotardo/MG e analisou como as práticas de cuidado contribuem para enfrentá-lo. A pesquisa utilizou metodologia qualitativa, com abordagem exploratória e descritiva, através da aplicação de questionários a 117 pessoas idosas e realização de grupos focais com 11 profissionais e 49 pessoas idosas. Os resultados evidenciam que o idadismo se expressa em diferentes dimensões e se intensifica quando articulado a marcadores sociais como gênero, raça, classe e deficiência.

Foram relatadas práticas de infantilização, silenciamento, desrespeito, invisibilidade e superproteção, que comprometem a autonomia e a dignidade da pessoa idosa. Apesar disso, identificaram-se potencialidades nos serviços, como grupos de convivência e práticas de escuta ativa, que podem favorecer o protagonismo e a valorização da velhice. O estudo conclui que o enfrentamento do idadismo exige intervenções personalizadas que considerem as interseccionalidades, bem como a formação crítica de profissionais e o fortalecimento da participação das pessoas idosas nos processos de decisão.

Baixe o Guia anti-idadista:

Como o idadismo aparece

O idadismo pode aparecer em frases (“você é muito velho para isso”), nos gestos (ignorar a opinião de uma pessoa idosa), ou nas políticas que não consideram as necessidades das pessoas que envelhecem: negras, brancas, LGBTQIAPN+, com deficiências, chefes de família, do campo, da cidade, de diferentes culturas e classes sociais, dentre outras.

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O Guia anti-idadista no SUAS apresenta três tipos de idadismo:
1) Idadismo internalizado: Quando a própria pessoa idosa acredita que é “inútil” ou “incapaz”; 2) Idadismo Interpessoal: Quando alguém trata a pessoa idosa com menos respeito ou a exclui de decisões; e 3) Idadismo Institucional: Quando serviços ou políticas públicas não consideram as necessidades da população idosa.

O Guia traz vários depoimentos de profissionais do SUAS, um deles assinala que “As pessoas idosas, infelizmente, não conhecem seus direitos. São leigas mesmo, sabem pouco. E quando tentam cobrar, a própria família pressiona para que fiquem caladas”. Esse depoimento revela o que se observa na prática cotidiana: a violação silenciosa da autonomia e da voz das pessoas idosas. Reconhecer essas situações é o primeiro passo para transformarmos nossas próprias posturas, fortalecer o papel protetivo do SUAS e promover uma cultura de respeito, participação e dignidade em todas as fases da vida.

A cartilha é dirigida a pessoas idosas, organizações da sociedade civil que atuam com a população envelhecida, conselhos de direitos da pessoa idosa, de assistência social e de direitos humanos, além de gestores e profissionais do SUAS em âmbito municipal, estadual e federal. Também a pesquisadores da área de envelhecimento, políticas públicas e direitos humanos. Sua divulgação contribui para conscientizar sobre o idadismo e fortalecer a participação social das próprias pessoas idosas.

Serviço
Guia anti-idadista: Sistema Único de Assistência Social (SUAS)
Autoras: Daniele Magnavita de Alencar, Simone Martins, Andréia Queiroz Ribeiro
Editora: Universidade Federal de Viçosa/IPPDS
Ano: 2026
Disponível gratuitamente em:
Instituto de Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável (IPPDS)
Itaú Viver Mais: https://www.itauvivermais.com.br/publicacoes/
Portal Edições: https://edicoes.portaldoenvelhecimento.com.br/novo/produto/guia-anti-idadista-suas/

Atualizado às 16h01.


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