Estudo argentino aponta a percepção de risco em pessoas idosas LGB

Estudo argentino aponta a percepção de risco em pessoas idosas LGB

Entre silêncio e coragem, estudo mostra como personagens e contextos definiram o que era possível para pessoas idosas LGB ao longo de suas vidas.



Envelhecer sendo lésbica, gay ou bissexual na Argentina significa carregar memórias marcadas por riscos, silenciamentos e brechas de possibilidade. A pesquisa desenvolvida com 22 pessoas idosas LGB da Área Metropolitana de Buenos Aires (AMBA) buscou compreender como diferentes pessoas e contextos influenciaram a percepção de risco associada à abertura da orientação sexual ao longo da vida, iluminando dimensões subjetivas raramente discutidas nas políticas de envelhecimento.

Os resultados do estudo realizado pelos pesquisadores Ricardo Iacub, Martín Winzeler, Carolina Andreachi, Tamara Vainscheinker e Luciana Machluk foram publicados recentemente na Revista Kairós-Gerontologia (edição 28, N. 2).

Os relatos analisados mostram que familiares, professores, colegas, figuras religiosas, profissionais de saúde e até parceiros afetivos tiveram papel central na construção do medo e do silêncio. A violência física, simbólica ou emocional, aparece como elemento estruturante da adolescência e juventude de muitos entrevistados. Em diversos casos, a repressão não se expressou apenas por ameaças explícitas, mas por influências sutis que desqualificavam comportamentos e tentavam moldar expressões de gênero ou afetividade. Esses episódios, vividos na casa, na escola, no serviço militar ou no trabalho, criaram um estado de vigilância permanente, que acompanhou os participantes por décadas.

Quem foram as pessoas que diminuíram o risco e abriram espaços para existir?

A pesquisa identifica também figuras que ofereceram apoio e segurança como:  amizades, professores sensíveis, terapeutas não patologizantes e familiares específicos que conseguiram acolher e validar a identidade dos entrevistados. Esses vínculos foram responsáveis por momentos decisivos de abertura, mesmo que discretos, e ajudaram a construir territórios de expressão possíveis em contextos amplamente hostis. O estudo pontua que a percepção de risco é sempre relacional, aumenta ou diminui conforme as pessoas com quem se convive, os lugares que se ocupa e os eventos sociais que atravessam a trajetória.

Ao situar essas experiências nos diferentes períodos da história argentina, da ditadura aos avanços legislativos contemporâneos, a pesquisa mostra como a abertura foi se tornando mais possível, mas nunca totalmente livre de tensão, mesmo hoje, muitos entrevistados expressam receio em ambientes de cuidado e instituições para pessoas idosas.

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Compreender a velhice LGB exige reconhecer esses percursos e construir espaços de acolhimento que respeitem histórias marcadas por riscos contínuos, para que o envelhecer possa finalmente ser vivido sem medo.

Leia a pesquisa completa disponível em:
https://kairosgerontologia.com.br/index.php/kairos/article/view/159/79

Foto de cottonbro studio/pexels.


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