A cidadania não expira aos 70 anos

A cidadania não expira aos 70 anos

O Brasil conta com cerca de 15 a 16 milhões de eleitores na faixa etária de 70+, o que equivale a mais de 10% de todo o eleitorado nacional.


O Portal do Envelhecimento e Longeviver tem um compromisso histórico com a desconstrução de estigmas sobre o envelhecer e a promoção do envelhecimento ativo, no qual a participação política não é apenas um direito formal, mas uma dimensão central da autonomia e do pertencimento social. A Constituição Federal de 1988 estabeleceu que, aos 70 anos, o voto deixa de ser obrigatório e passa a ser facultativo. No entanto, a passagem do dever legal para o exercício da escolha individual acabou alimentando um mito perigoso: o de que a partir dessa idade a contribuição do indivíduo para as decisões do país se torna dispensável.

Essa percepção equivocada é enfrentada pela Campanha do Voto 70+, idealizada pelo data8 — hub de dados e inteligência estratégica em economia da longevidade —, sob o lema “O futuro do Brasil está nas mãos dos 70+”. O movimento evidencia que desobrigação jurídica não equivale a invisibilidade política e convoca os milhões de eleitores idosos do país a tomarem rédea das decisões coletivas.

O Portal do Envelhecimento faz parte dessa campanha e espera que todas as pessoas acima de 70 anos mostrem seu poder de voto para, juntos, construirmos um futuro melhor para as gerações mais jovens, a fim de que tenham, de fato, um melhor envelhecer em um país menos desigual, mais justo, diverso e digno.

O peso do eleitorado 70+

Os dados consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e analisados em pesquisas recentes revelam uma força demográfica expressiva no pleito brasileiro:

Representatividade: O Brasil conta com cerca de 15 a 16 milhões de eleitores na faixa etária de 70 anos ou mais, o que equivale a mais de 10% de todo o eleitorado nacional.

O Retrato da Abstenção: Nas eleições gerais de 2022, a taxa de abstenção nesse grupo atingiu a marca de aproximadamente 60% — índice que se mostra ainda mais elevado entre o eleitorado feminino.

Margens Decisivas: Em disputas marcadas pelo equilíbrio, no qual eleições majoritárias são definidas por diferenças de menos de 2 milhões de votos, a presença expressiva de eleitores idosos tem o potencial direto de definir os rumos da nação.

A expressiva abstenção observada nesse segmento não reflete falta de interesse político, mas sim o acúmulo de barreiras estruturais, sociais e logísticas.

Barreiras invisíveis

Uma análise da cobertura midiática e dos fóruns de debate sobre longevidade demonstra que a omissão nas urnas decorre de entraves concretos:

Acessibilidade urbana e logística: Calçadas esburacadas, transporte público inadequado e longas filas em seções eleitorais desestimulam quem possui mobilidade reduzida ou dores crônicas.

Etarismo estrutural: Eleitores idosos frequentemente relatam a percepção de que as propostas políticas ignoram suas pautas específicas — como o fortalecimento do SUS, a sustentabilidade da previdência, o apoio aos cuidadores e o combate ao isolamento social, além de políticas dirigidas ao segmento.

Desinformação: Circulam recorrentemente boatos infundados apontando que títulos de eleitores acima de 70 anos teriam sido cancelados ou que o descumprimento do recadastramento biométrico impediria a votação.

A iniciativa do data8 busca mitigar esse cenário. A campanha atua tanto na conscientização quanto no combate às notícias falsas, prestando orientações sobre a regularidade do título eleitoral.

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A urna como espaço de reconhecimento social

O ato de votar na velhice transcende a escolha de governantes: trata-se de um ato de validação da própria identidade perante a sociedade. Num contexto em que a velhice é frequentemente associada à inatividade e à doença, ir ao local de votação reafirma a autonomia e a voz ativa do cidadão mais velho. De acordo com informações divulgadas na grande mídia pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE):

“O voto facultativo não é um convite ao recolhimento, mas sim o reconhecimento do Estado de que a participação da pessoa idosa deve ser guiada pela consciência política e pelo desejo soberano de servir como bússola para as próximas gerações.”  

O Tribunal Superior Eleitoral vem fazendo campanhas institucionais em rede nacional de rádio e televisão para incentivar o voto de pessoas com 70 anos ou mais já a alguns anos. Assim foi nas Eleições Gerais de 2022, com duas campanhas publicitárias que buscaram incentivar o voto de pessoas com esse perfil etário, como as das eleições de 2026 que estão acontecendo.

Como apontam os artigos já publicados pelo Portal do Envelhecimento e pelo TSE, o maior tempo vivido agrega repertório e memória institucional aos eleitores 70+. Ter vivido diferentes regimes políticos, crises e transformações econômicas concede à pessoa idosa uma visão crítica e ponderada sobre o impacto de longo prazo das decisões públicas.

Como apoiar a participação política ativa no envelhecimento

Garantir que a população 70+ compareça voluntariamente às urnas fortalece a democracia e garante representatividade política a quem ajudou a construir o país. O voto nessa fase da vida é um manifesto de cidadania: o futuro do Brasil pertence também àqueles que carregam a história e a experiência em sua trajetória.

Acreditamos que para impulsionar a participação política ativa no envelhecimento, é essencial o engajamento coordenado entre a sociedade civil, as famílias e o poder público:

1) Incentivo e apoio familiar/vizinhança: Ações simples de apoio logístico — como oferecer carona, dar acompanhamento ou planejar o deslocamento antecipadamente no dia da votação — eliminam as principais barreiras práticas do processo e da contínua participação da pessoa idosa.

2) Acessibilidade garantida: A Justiça Eleitoral deve aprimorar continuamente a sinalização das seções eleitorais, garantir rotas sem degraus ou obstáculos e disponibilizar preferência de atendimento de forma ostensiva.

3) Centralidade das Pautas de Longevidade: Partidos e candidatos devem incorporar em seus planos de governo propostas alinhadas ao envelhecimento demográfico acelerado do país, tratando o eleitor idoso como agente prioritário de transformação.

Imagem produzida pelo Gemini


Banner em fundo verde escuro anunciando o voto 70+
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