Desde 2011, quando teve início o Mês Mundial do Alzheimer, setembro se tornou um período importante para ações de informações, diálogos e mobilizações sociais em torno das demências.
Setembro é um mês marcado pela campanha da conscientização da doença de Alzheimer e outras demências. No Brasil, essa mobilização é frequentemente conhecida como Setembro Lilás e acompanha o World Alzheimer’s Month (Mês Mundial da doença de Alzheimer), campanha internacional coordenada pela Alzheimer’s Disease International (ADI). Todos os anos, pessoas, organizações e instituições de diferentes países se mobilizam para ampliar o conhecimento sobre as demências e enfrentar o estigma que ainda acompanha essas condições (Alzheimer’s Disease International, 2026a).
O principal marco do mês acontece no dia 21 de setembro, Dia Mundial da Doença de Alzheimer. A data foi criada em 1994, durante a abertura da conferência anual da ADI, realizada em Edimburgo, na Escócia. O dia foi escolhido em comemoração aos dez anos da organização e marcou o lançamento do primeiro World Alzheimer’s Day, realizado pela Alzheimer’s Disease International (ADI) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Com o passar dos anos, a mobilização ganhou espaço para além de um único dia. Em 2010, foi realizada uma campanha-piloto envolvendo 12 países e, em 2011, teve início o Mês Mundial do Alzheimer. Desde então, setembro se tornou um período importante para ações de informações, diálogos e mobilizações sociais em torno das demências.
No Brasil, o dia 21 de setembro também é reconhecido como Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer, instituído pela Lei nº 11.736/2008 e com iniciativas lideradas pela Federação Brasileira das Associações de Alzheimer. A lei estabelece que a data tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da participação de familiares e amigos nos cuidados dispensados às pessoas que receberam o diagnóstico. Embora a terminologia utilizada na lei reflita o período em que foi publicada, sua mensagem continua atual: o cuidado não se restringe à pessoa que recebe o diagnóstico, mas envolve também sua família, a sua rede de apoio e a sociedade.
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Demências: grande desafio contemporâneo
De acordo com a OMS (2026), as demências estão entre os grandes desafios contemporâneos para a saúde e o cuidado. Em 2021, cerca de 57 milhões de pessoas viviam com demência no mundo, e aproximadamente 10 milhões de novos casos surgem a cada ano. A doença de Alzheimer é a forma mais comum e corresponde a aproximadamente 60% a 70% dos casos.
Por trás desses números, no entanto, existem pessoas e famílias que precisam lidar com mudanças que nem sempre são facilmente reconhecidas ou compreendidas. A própria OMS destaca que, apesar de a idade ser o principal fator de risco conhecido, a demência não é parte do envelhecimento normal. Essa diferença é importante. Nem todo esquecimento significa doença, e algumas mudanças cognitivas podem ocorrer ao longo do envelhecimento. Porém, quando dificuldades de memória, linguagem, orientação, raciocínio ou realização de atividades habituais se tornam frequentes e começam a interferir na rotina, é importante buscar uma avaliação adequada.
Ainda assim, o desconhecimento não é a única barreira. O diagnóstico de uma demência continua cercado por medo e preconceito. Muitas vezes, a pessoa passa a ser vista apenas a partir das perdas cognitivas, da dependência ou das dificuldades que podem surgir ao longo da progressão da doença. Estudos mostram que a forma como a demência é apresentada e discutida publicamente influencia as atitudes em relação às pessoas que vivem com essa condição. Uma comunicação baseada apenas em incapacidade e declínio pode reforçar emoções negativas e estereótipos. Por outro lado, abordagens que apresentam a pessoa para além do diagnóstico podem contribuir para atitudes mais positivas e menos estigmatizantes.
O estigma também continua presente nos espaços em que hoje buscamos informação. Ao analisar publicações feitas nas redes sociais durante o Mês Mundial do Alzheimer, Bacsu et al. (2025) identificaram estereótipos, crenças equivocadas e desinformação relacionados às demências. Para os autores, ampliar a educação sobre o tema é fundamental para enfrentar essas representações e melhorar a maneira como a sociedade percebe as pessoas que vivem com demência. Uma das principais mensagens do Setembro Lilás é que informação pode abrir caminhos para o cuidado. Reconhecer alterações cognitivas e procurar uma avaliação profissional permite investigar suas causas e compreender o que está acontecendo.
Quando há um diagnóstico de demência, isso não significa que “não há mais nada a fazer”. Existem possibilidades de tratamento e acompanhamento, intervenções farmacológicas e não farmacológicas, estimulação e reabilitação, orientação às famílias, adaptações na rotina e diferentes formas de suporte à pessoa que vive com a doença e a quem participa de seu cuidado. Em 2026, essa discussão está no centro da campanha mundial da ADI, que traz como tema “The Earlier You Know, The More You Can Do: A Dementia Diagnosis Matters” — em tradução livre, “Quanto mais cedo você souber, mais poderá fazer: o diagnóstico de demência importa” ou simplesmente: Alzheimer, o diagnóstico importa.
A mensagem chama a atenção para um problema ainda presente em diferentes países: o medo, os estigmas e a falta de informações podem atrasar a procura por ajuda. Conhecer o diagnóstico, quando ele está presente, pode permitir acesso a tratamentos, cuidados e suporte, além de favorecer o planejamento e a participação da própria pessoa nas decisões relacionadas ao seu futuro.
O cuidado precisa incluir quem está ao lado
Também não é possível falar de doença de Alzheimer sem olhar para quem está ao lado. Familiares e cuidadores frequentemente assumem novas responsabilidades ao longo da progressão da doença e precisam, eles próprios, de informações, orientações e suporte. O cuidado, portanto, precisa incluir não apenas quem recebe o diagnóstico, mas também as pessoas que compartilham essa trajetória.
Por isso, a conscientização proposta na campanha liderada pela FEBRAz no Setembro Lilás vai além de conhecer o nome da doença ou lembrar uma data no calendário. Ela envolve reconhecer sinais, buscar informação de qualidade, enfrentar preconceitos, favorecer o acesso ao diagnóstico e ao cuidado e, principalmente, não deixar que a doença apague a pessoa que existe para além dela. Falar sobre doença de Alzheimer é também falar sobre como queremos envelhecer e cuidar. Quanto mais informações circulam de forma responsável, maiores serão as possibilidades de construir uma sociedade preparada para conviver com as demências com mais conhecimento, respeito e acolhimento. Por isso o Supera integra esta campanha com o evento Despertando a Sociedade para a Saúde do Cérebro-2026.
Um evento realizado em parceria com a Associação Brasileira de Gerontologia (ABG) com especialistas das diferentes áreas, que trarão informações sobre prevenção, diagnóstico, tratamento, direitos e políticas públicas da doença de Alzheimer.
Um evento gratuito, que acontecerá no contexto presencial e no formato remoto no canal do método Supera, @metodosupera, com emissão de certificado de participação.
Referências
ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL. World Alzheimer’s Month. London: ADI, 2026a.
ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL. World Alzheimer’s Month: Frequently Asked Questions. London: ADI, 2026b.
ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL. Previous World Alzheimer’s Month Campaigns. London: ADI, 2026c.
BRASIL. Lei nº 11.736, de 10 de julho de 2008. Institui o Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer. Brasília, DF, 2008.
Site da campanha setembro lilás da Federação Brasileira das Associações de Alzheimer, https://setembrolilas.org.br/
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Dementia. Geneva: WHO, 2026.

Serviço
Despertando a Sociedade para a Saúde do Cérebro-2026
Dia: 19 de setembro, das 8h30 às 12horas
Evento presencial e gratuito no Edifício Bunkyo com transmissão ao vivo pelo Youtube do Supera: (@metodosupera)
Link para as inscrições: cadastro.metodosupera.com.br/lp-2026-despertando-a-sociedade
Endereço: Edifício Bunkyo. Rua São Joaquim, 381, Liberdade, São Paulo- SP.
(*) Assinam este texto pela ABG – Associação Brasileira de Gerontologia as autoras:
Djessica Hilton Peixoto – Gerontóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP) e mestranda em Gerontologia pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP). Assessora Científica no Método SUPERA – Ginástica para o Cérebro, pesquisadora e integrante do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo (GETCUSP). Atua como monitora da Oficina de Jogos Digitais e Educação para o Envelhecimento Saudável, vinculada ao programa USP 60+, sob coordenação da Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva. Desenvolve atividades relacionadas ao envelhecimento, estimulação cognitiva, inclusão digital e promoção da saúde da pessoa idosa. E-mail: djessicahiltongeronto@gmail.com
Kauane Macedo Barbosa – Gerontóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP) e mestranda em Gerontologia pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP). Assessora Científica no Método SUPERA – Ginástica para o Cérebro, pesquisadora e integrante do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo (GETCUSP). Atua como monitora da Oficina de Jogos Digitais e Educação para o Envelhecimento Saudável, vinculada ao programa USP 60+, sob coordenação da Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva. Desenvolve atividades nas áreas de envelhecimento, estimulação cognitiva, inclusão digital, educação gerontológica e promoção da saúde da pessoa idosa. E-mail: gerontokauane@gmail.com
Thais Bento Lima da Silva – Gerontóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP). Mestra e Doutora em Ciências com ênfase em Neurologia Cognitiva e do Comportamento, pela Faculdade de Medicina da USP. Docente do curso de Bacharelado e de Pós-Graduação em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH-USP), pesquisadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e vice-diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). Membro da diretoria da Associação Brasileira de Alzheimer- Regional São Paulo. É parceira científica do Método Supera. Coordenadora do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo. Email: thaisbento@usp.br
Foto: produção da Shvets/Pexels
