Territórios do Envelhecer, do Sesc São Paulo, visa cartografar as velhices em suas múltiplas territorialidades. Inscrições abertas, não perca!
Viver mais é, sem dúvida, uma das maiores conquistas da humanidade moderna. No entanto, o avanço da longevidade não caminha lado a lado com a garantia de equidade e qualidade de vida para todos os segmentos sociais. Isso ficou claro no III Congresso Internacional Envelhecer com Futuro, quando diversos pesquisadores trouxeram à luz um debate urgente sobre os rumos da transição demográfica global e nacional. Ou seja, a extensão dos anos de vida, longe de representar uma realidade igualitária, corre o risco de converter-se na nova fronteira da desigualdade social, escancarando as marcas do idadismo e as profundas assimetrias na garantia de uma velhice digna e saudável.
Esse debate continua no Seminário Territórios do Envelhecer, promovido pelo Sesc São Paulo, a ser realizado gratuitamente no dia 8 de outubro, em São Paulo. A proposta do Seminário é apresentar um panorama do envelhecimento, com suas dificuldades e conquistas, e apontar direções para que todas as velhices sejam possíveis. Afinal, o envelhecimento da população brasileira e mundial já é uma realidade e envelhecer é um processo complexo influenciado diretamente pelos temas da contemporaneidade: territórios, participação política, velhices diversas, genética, solidão, finitude, entre outros. Todas essas questões tocam diretamente todos nós, mas especialmente as pessoas que envelhecem.
CONFIRA TAMBÉM:
Envelhecer não é um processo homogêneo, nem ocorre no vácuo: desdobra-se em territórios concretos e subjetivos, atravessados por desigualdades sociais, marcadores culturais, vínculos afetivos e dinâmicas urbanas. É dessa premissa que emerge a urgência do seminário, uma iniciativa que entrelaça o rigor analítico da Gerontologia Social com a práxis sociocultural e comunitária do Sesc São Paulo.
Territórios do Envelhecer é espaço vivo, produzido e ressignificado no cotidiano. É o corpo que narra a passagem do tempo; a rede de apoio que garante, ou nega, o exercício pleno da cidadania. Como temos refletido nas discussões gerontológicas contemporâneas, o envelhecimento digno está intrinsecamente ligado à qualidade das interações que a pessoa idosa estabelece com o seu corpo e seu entorno. Um território acessível e inclusivo fortalece a autonomia, combate a solidão não desejada e atua como fator decisivo na promoção da saúde integral.
Nesse cenário, a atuação do Sesc São Paulo consolida-se como referência pioneira. Por meio de programas emblemáticos como o Trabalho Social com Pessoas Idosas (TSPI), o Sesc transforma suas unidades em territórios educativos, culturais e de convivência intergeracional. As unidades operam como polos de pertencimento, nos quais a velhice é reconhecida em sua heterogeneidade, potência e direito à fruição. A integração entre ação cultural, educação não formal, esporte e assistência socioeducativa cria ambientes onde a pessoa idosa não é mera espectadora, mas protagonista na produção do espaço e das dinâmicas comunitárias.
O Seminário Territórios do Envelhecer justifica-se, portanto, como um espaço estratégico de convergência entre teoria e prática. Ao reunir pesquisadores, educadores, gestores públicos, profissionais da gerontologia e os próprios sujeitos idosos, o encontro propõe cartografar as velhices em suas múltiplas territorialidades. Mais do que analisar dados, o objetivo é propor territórios onde o envelhecer seja celebrado como parte constitutiva e enriquecedora do tecido social.
Programação
10h – Abertura
Luiz Deoclécio Massaro Galina – Diretor Regional do Sesc São Paulo
Alexandre Kalache – Médico Geriatra
Conferência
Uma vida que vale a pena ser vivida, com a Dra. Ana Claudia Quintana Arantes.
A conferência propõe uma reflexão sobre o sentido de viver e as escolhas que dão significado à existência, especialmente diante das transformações e desafios do envelhecimento. A partir de sua experiência na área dos cuidados paliativos, Ana Claudia Quintana Arantes aborda temas como autonomia, vínculos, cuidado e finitude, convidando o público a pensar sobre como construir, ao longo da vida, uma existência que faça sentido e que valha a pena ser vivida.
Dra. Ana Claudia Quintana Arantes é médica formada pela USP, com residência em Geriatria e Gerontologia e título de especialista pela Sociedade Brasileira de Geriatria. Amplamente reconhecida como referência nacional em cuidados paliativos e na abordagem humanizada do envelhecimento, da morte e do luto.
11h30 às 13h – Conferência
Genética e Longevidade: qual o papel da ciência no envelhecimento, com Mayana Zats.
O envelhecimento e a longevidade a partir das relações entre ciência, sociedade e experiências de vida. A conferência aborda as transformações demográficas e sociais relacionadas ao envelhecimento, considerando as diferenças nas formas de envelhecer e os conhecimentos produzidos pela genética sobre longevidade, saúde e doenças associadas ao avanço da idade. A partir das perspectivas da genética, a conversa propõe refletir sobre os limites e as possibilidades da ciência diante das questões que envolvem o envelhecimento humano, com foco nas atuais pesquisas sobre os centenários brasileiros.
Mayana Zats é bióloga molecular e geneticista brasileira, professora do Instituto de Biociências da USP. Coordenadora do Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão – CEPID/FAPESP, do Centro de Pesquisas do Genoma Humano e células-tronco – CEGH-CEL, e do INCT – Envelhecimento e doenças genéticas: genômica e metagenômica.
13h às 14h30 – Intervalo para almoço
14h30 às 16h – Mesa
Promoção da saúde e envelhecimento no Sul Global, com Rayne Stroebel (ZAF), Verõnica Montes de Oca Zabala (MEX) e Alexandre Kalache (BRA).
As experiências de envelhecimento nos países do Sul Global são atravessadas por condições sociais, culturais, econômicas e territoriais que também orientam as formas de promover saúde e participação ao longo da vida. A mesa reúne experiências do México, da África do Sul e do Brasil para discutir estratégias de promoção da saúde voltadas à população que envelhece, considerando aspectos como os ambientes de cuidado, as relações sociais, as políticas públicas, os territórios e o acesso às práticas de lazer.
Rayne Stroebel (África do Sul), possui mestrado e Doutorado (PhD) em Estudos de Demência pela University of Stirling, no Reino Unido. Sua pesquisa foca diretamente na relação entre o ambiente de cuidados, o design arquitetônico e o bem-estar de pessoas com comprometimento cognitivo. Aborda as relações entre os ambientes de cuidado, o espaço construído e o bem-estar de pessoas com comprometimento cognitivo, discutindo como os territórios e as características dos espaços de cuidado podem favorecer experiências mais adequadas às necessidades de quem envelhece.
Verónica Montes de Oca Zabala (México), socióloga, mestre em Demografia e doutora em Ciências Sociais com especialidade em População pelo Centro de Estudos Demográficos, Urbanos e Ambientais do El Colegio de México.
Apresentará aspectos sociais e demográficos do envelhecimento no México, discutindo as condições de vida da população idosa, as desigualdades que atravessam as velhices e os desafios para a construção de políticas e estratégias de promoção da saúde.
Alexandre Kalache (Brasil), é médico geriatra, pioneiro no estudo das questões do envelhecimento, com 40 anos de atividades dedicadas ao tema. Diretor da OMS por 13 anos, formulou o Marco Político do Envelhecimento Ativo e a rede de Cidades Amigas do Idoso. É Presidente do International Longevity Centre (ILC) Brasil e a principal voz global contra o idadismo. Suas contribuições para a mudança do paradigma tradicional no campo do envelhecimento são amplamente reconhecidas no cenário internacional.
16h às 17h30 – Mesa
Direitos e participação social da pessoa idosa, com Raphael Franco Castelo Branco Carvalho, Aurea Barroso e Sesc São Paulo.
A garantia de direitos das pessoas idosas envolve participação social, acesso às políticas públicas e presença nos espaços em que são discutidas as questões que impactam o envelhecimento saudável. A mesa reúne diferentes perspectivas sobre essas dimensões, abordando a atuação dos conselhos de direitos, a produção de conhecimento sobre envelhecimento e direitos humanos e as experiências de participação e convivência desenvolvidas junto às pessoas idosas. A partir do diálogo entre gestão pública, pesquisa e ação social, a mesa propõe refletir sobre o lugar das pessoas idosas na sociedade e sobre as possibilidades de ampliar sua participação na construção das políticas, dos espaços e das relações que envolvem o envelhecimento.
Raphael Franco Castelo Branco Carvalho é advogado, ex-Presidente e membro do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Atua nas áreas de Direitos Sociais, com ênfase nos Direitos da Pessoa Idosa, Direito Previdenciário, acesso à justiça e políticas públicas de proteção social. Abordará o papel do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa na participação e no controle social das políticas públicas, discutindo os desafios institucionais e as perspectivas para a garantia de direitos diante das transformações demográficas do país.
Aurea Barroso é pedagoga, especialista em Gerontologia pela SBGG – Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, doutora em Serviço Social e pós-doutora em Ensino e Gerontologia. Pesquisadora dos direitos da Pessoa Idosa, com atuação em gerontologia, educação, assistência social e direitos humanos. Trará a perspectiva sobre os direitos das pessoas idosas a partir da produção acadêmica e da experiência em gerontologia, educação e assistência social, discutindo as relações entre envelhecimento, direitos humanos e políticas públicas, e os desafios para sua efetivação nos diferentes territórios.
Sesc São Paulo – A experiência e contribuição do SESC SP com o Trabalho Social com Pessoas Idosas (TSPI), programa que visa promover a sociabilização e o pensamento sobre a longevidade, contribuindo para o bem-estar e a autonomia das pessoas idosas. O TSPI oferece uma programação que abrange as áreas da saúde, cultura e do lazer, com ações divididas em três eixos principais: arte e expressão, corpo e movimento, e sociedade e cidadania. As ações incluem apresentações, oficinas, cursos, rodas de conversa, debates, palestras e a publicação da Revista Mais60, que aborda questões contemporâneas do envelhecimento. O objetivo do programa é reconhecer a diversidade e as potências do envelhecer, promovendo a reafirmação do papel das pessoas idosas no contexto social e fortalecendo seu protagonismo.
17h30 às 18h – Intervalo
18h às 19h30 – Conferência
Passado, presente e futuro: os desafios do envelhecimento, com Mary del Priore e Drauzio Varella.
A conferência de encerramento propõe um diálogo entre a história da velhice no Brasil e a medicina, para refletir sobre as diferentes formas de compreender e vivenciar o envelhecimento, e imaginar quais os futuros possíveis. A partir das transformações na maneira como a velhice foi percebida ao longo da história, e das questões contemporâneas relacionadas à saúde, longevidade e qualidade de vida, a conversa aborda os sentidos atribuídos ao envelhecer e os desafios para a população que vive cada vez mais.
Mary del Priore é historiadora, professora e escritora, reconhecida como uma das principais referências em história social e cultural do Brasil. Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), realizou pós-doutorado pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, na França. Autora de mais de 50 livros, entre obras autorais, coletâneas organizadas e ensaios, entre eles “Um história da Velhice no Brasil”.
Drauzio Varella é médico oncologista, um dos pioneiros no tratamento da AIDS no Brasil, tornou-se amplamente conhecido por popularizar informações sobre saúde e prevenção em programas de rádio, televisão e na internet. Autor de vários livros, sendo os mais recentes “O exercício da incerteza: Memórias (2022), uma narração da experiência de mais de 50 anos como médico, que vai desde a criação do SUS até a compreensão de que a profissão é marcada pela dúvida; e “O Sentido das Águas: Histórias do Rio Negro (2025)”, obra baseada em suas viagens à Amazônia.
Inscrições
Seminário Territórios do Envelhecer
Data: 08 de outubro
Horário: das 10h às 19h30
Modalidade: presencial
Local: Teatro Raul Cortez, no Sesc 14 Bis, localizado à Rua Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista, São Paulo.
Inscrições: gratuitas, abertas.
Imagem: Divulgação
