Os novos imóveis dirigidos ao público idoso atendem suas necessidades?

Os novos imóveis dirigidos ao público idoso atendem suas necessidades?

Não bastam paredes e móveis para acolher as diferentes necessidades do público idoso, pois a moradia não é somente abrigo físico.


A percepção de que o contingente de pessoas idosas está aumentando, em especial em função do aumento da expectativa de vida, despertou o interesse do mercado imobiliário. Porém, percebe-se que até as campanhas publicitárias apresentam vantagens que não condizem com a realidade de muitos dos possíveis interessados, seja por falta de conhecimento gerontológico ou por considerar que o decréscimo de funcionalidade do público idoso é resolvido com barras de apoio, portas mais largas e belos jardins.

Para bons projetos arquitetônicos voltados a esse público é preciso considerar diversos fatores que possibilitam envelhecer no local, visto que o envelhecimento é um processo dinâmico e heterogêneo. Os arquitetos Ciro Albuquerque e Maria Eduarda Kopper apontaram questões fundamentais para o desenvolvimento de novas propostas para uma moradia segura na velhice, considerando soluções para Aging in Place.

O setor imobiliário começa a despertar para o imenso potencial que existe na arquitetura voltada à qualidade da saúde e ao aumento da expectativa de vida humana. À medida que olhamos para o futuro dos imóveis, podemos esperar um uso mais inteligente das tecnologias, com inovações e novas métricas para estabelecer uma melhor compreensão do que é bem-estar e qual sua relação com o ambiente natural ou construído.

Foto: Caroline Cagnin/pexels

Partindo do princípio de que a moradia não é somente abrigo físico, mas também o lugar de referência para o pertencimento, não bastam paredes e móveis para acolher as diferentes necessidades dos seus moradores. Isso vale para qualquer idade, mas se torna mais importante quando há perdas funcionais compensadas por elementos de controle do conforto ambiental.

O conceito Aging in Place passa a explicar um aspecto promissor em termos de espaço construído favorável à longevidade. Para promovê-lo através do design arquitetônico é preciso considerar fatores relacionados à acessibilidade e segurança, ao isolamento, à temperatura e iluminação, ao tamanho da moradia e às distâncias a serem percorridas.

O suporte comunitário é um dos fatores mais importantes quando se trata do sentimento de segurança dos moradores, para que se mantenham ativos e tranquilos quanto ao seu próprio desempenho nas interações sociais

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Os locais projetados para longevos devem passar a sensação de segurança e familiaridade, oportunizando trocas entre a comunidade e a vizinhança naturalmente. Isso destaca a importância do entorno e do bairro à medida que as pessoas envelhecem, particularmente em termos de acessibilidade a serviços e comodidades locais.

Falta a percepção de que o profissional gerontólogo está preparado para orientar bons projetos, no que tange à compreensão do que, de fato, é envelhecer bem. Os novos lançamentos de imóveis direcionados ao público idoso devem efetivamente atender suas necessidades, adequados à realidade.

Foto destaque de Kampus Production/pexels


Maria Luisa Trindade Bestetti

Arquiteta e professora na graduação e no mestrado da Gerontologia da USP, tem mestrado e doutorado pela FAU USP, com pós-doutorado pela Universidade de Lisboa. Pesquisa sobre alternativas de moradia na velhice e acredita que novos modelos surgirão pelas mãos de profissionais que estudam a fundo as questões da Gerontologia Ambiental. https://sermodular.com.br/. E-mal: [email protected]

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Arquiteta e professora na graduação e no mestrado da Gerontologia da USP, tem mestrado e doutorado pela FAU USP, com pós-doutorado pela Universidade de Lisboa. Pesquisa sobre alternativas de moradia na velhice e acredita que novos modelos surgirão pelas mãos de profissionais que estudam a fundo as questões da Gerontologia Ambiental. https://sermodular.com.br/. E-mal: [email protected]

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