Estamos fixados no que já passou da vida ou preocupados com o que virá. Sofremos pela eventual perda e o não acontecido. Esquecemos o dia de hoje.
Um singelo vídeo, desses que recebemos nos últimos dias do ano, chega, assim, sem prévio aviso, sorrateiramente e nos faz pensar na vida, no que está por vir.
Eu diria que 365 dias é bastante, muito mesmo, há que se ficar alerta ou, talvez, relaxado e deixar que o inusitado simplesmente venha. Por mim, bem que poderia diminuir esse número imenso.
CONFIRA TAMBÉM:
O imprevisível: dois extremos da reta da vida ou se preferir curva (que, também é composta por vários pontinhos). Que fique claro que não me refiro à felicidade e sim a apreender a vida tal qual é, com suas glórias (momentos de gozo e de prazer) e suas inúmeras expectativas (que nem sempre são atendidas).
O texto a seguir foi baseado no vídeo que está em castelhano. Então, a tradução e licença para inclusão de palavras (há muito sufocadas), como reflexões, lamentos, gracejos, puxadas de orelha, são minhas, pessoais, devo confessar.
Vamos lá, viajar pelos dias que nos esperam… restam.
Quando a gente olha, já são seis horas da tarde, quando a gente olha, já é sexta-feira, quando a gente olha, já terminou o mês, quando a gente olha, já terminou o ano, quando a gente olha, já se passaram 50 anos ou 60 anos, quando a gente olha, já não sabemos mais por onde andam nossos amigos.
E assim os dias se vão. E tudo passa tão rápido que acabamos por perder o encanto e, também, as dores dos momentos, o sentir dessas experiências que são cruciais para o nosso desenvolvimento. E por quê? Sempre ansiosos temos a impressão de que isso é vida, quando, na verdade, estamos fixados no que já passou ou preocupados com o que virá. Sofremos pela eventual perda e sofremos pelo não acontecido. Assim, esquecemos o dia de hoje. Cuidado, o tempo se vai, esvai.
E quando a gente olha, perdemos o amor da nossa vida e agora é tarde para voltar atrás. Não deixe de fazer algo que você gosta por falta de tempo, não deixe de ter alguém ao seu lado porque seus filhos em breve não serão mais seus e você terá que fazer algo com esse tempo que resta. A única coisa que vamos sentir falta será o espaço que só se pode desfrutar com os amores, amigos de sempre, esse tempo que infelizmente nunca volta.
Até que alguém consiga esse grande feito, o tempo é hoje, não deixe com que ele escape das suas mãos. Não negligencie quem te ama verdadeiramente. A vida não permite caminho de volta… e, olha, eu já tentei, em todos os meus escritos lutei bravamente com as palavras para que elas me permitissem mudar a história, creio que desde que me entendo por gente, mas… limito-me a minha pequenez. O mundo e nossa impotência são maiores.
É preciso eliminar o depois, depois te ligo, depois eu faço, depois eu digo, depois eu mudo. Deixamos tudo para depois. Como se o depois fosse o melhor. Não entendemos que depois o café esfria, depois a prioridade muda, depois o encanto se perde, depois cedo se torna tarde, depois a saudade passa, depois as coisas mudam, depois os filhos crescem, depois as pessoas envelhecem, depois o dia se torna noite, depois a vida acaba.
Quem não conhece o tão íntimo “depois”? Entenda isso. Ou terei que desenhar? A hora é agora, juntos. Amanhã será um infinito mistério. Frases como “teremos todo tempo do mundo”, eu afirmo: não, não sabemos se teremos, já que somos finitos até nossa última “gota” de suspiro.
Não deixe para depois porque a espera é do depois, você pode perder os melhores momentos, as melhores experiências, os melhores amigos, os maiores amores, lembre-se que o depois pode ser tarde, o dia é hoje, já não estamos na idade de adiar nada.
Que o seu 2026 exclua definitivamente o “depois” e inclua, carinhosamente o “hoje”, precioso, luminoso, generoso, único e humano!
Foto de Isabel Araújo/pexels.
