Sonhos não envelhecem: Charles Aznavour

Sonhos não envelhecem: Charles Aznavour

Com extrema sensibilidade, o diretor Mehdi Idir destaca um aspecto do envelhecimento bastante doloroso, o do sonho.


Afinal, os sonhos não envelhecem ou envelhecem? Experimente ver o filme Monsieur Aznavour e se surpreenda. O filme – que recebeu 4 indicações ao César Awards, prêmio cinematográfico mais importante da França -, conta a história do artista desde a infância. Filho de imigrantes armênios, ele e a irmã crescem em um ambiente de festas, os pais são artistas.

Apesar da pobreza e das incertezas, a veia artística da família prevalece. Confundidos com judeus, por conta do sobrenome, são obrigados a viver na clandestinidade em uma Paris dominada pelos nazistas. Mas nenhuma dificuldade é suficiente para impedir que continuem sonhando com os palcos.

Cedo começam os testes e se mostram dispostos a agarrar todas as oportunidades, especialmente as pagas. A oportunidade para a irmã cantar na noite chega antes, mas Charles não desiste. A espera é cruel, ele sofre. E sofre mais ainda porque só a família acredita nele, as críticas são todas destrutivas, tudo concorre para seu fracasso: é feio, baixo, desajeitado, voz rouca etc.

Mesmo com tudo contra, ele não desiste. Faz parceria com um pianista e luta para ser reconhecido, pois o parceiro só o aceita por falta de opção. Entende que deve investir nas suas composições e em publicidade. Nunca rejeita ofertas de trabalho. E de tanto lutar, é visto e reconhecido por Edith Piaf, o ícone da vez. Com ela, aprende a representar, entende que não basta interpretar, tem que vestir a letra, a música, se transformar sobre o palco.

homem adulto canta no palco com luz amarronzada de fundo

O tempo passa, seu sonho envelhece e nada acontece. Público e crítica seguem virando a cara para o patinho feio e sem pátria, o falso judeu. Para brilhar, deixa a sombra da estrela Edith Piaf. Seu sonho envelhecido se renova e o velho agora é ele, mas com energia redobrada e um só objetivo, o sucesso, o topo das paradas. Na idade em que a maioria dos artistas está se despedindo dos palcos, Charles Aznavour está apenas começando. Experimentando. Revolucionando. 

Você não pode cantar na primeira pessoa, o público não vai entender, terá que explicar antes que quem está sendo retratado na letra não é você. Ele escuta e desconsidera: o ouvinte não é estúpido. E, assim, canta uma música na primeira pessoa, um personagem que durante o dia desempenha o papel de homem e à noite se transforma em mulher, é a sensível história de uma travesti. E ninguém o crucifica por isso. Contar histórias é o estilo Aznavour. E é cantando a própria história que alcança o sucesso.

Durante toda a sua trajetória, a irmã está sempre presente, compartilhando cada passo, amiga e confidente. Com suas mulheres, que são muitas, e com os filhos, um balaio, não consegue conversar. Amigos, não tem. A irmã sonda, mas apenas superficialmente: Charles, por que você não para? Você já tem tudo, alcançou o ponto mais alto da carreira! Porque se eu parar, eu morro. Simples assim. Quantas pessoas você conhece que se parar o que faz definha e morre?

O palco, a música, o cinema é a vida de Charles Aznavour. Não é a família, não são os amigos, é a arte que abraçou. Não consegue ficar um minuto longe do seu caderno, precisa compor, compor e compor. Tocar, tocar e tocar. Cantar, cantar e cantar. Representa o tempo todo. E é esta dedicação que o leva ao topo, ao reconhecimento, ao sucesso mundial. 

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O filme tem 2h13 de duração, passa rápido, porque as tiradas são engraçadas e a trilha sonora é impecável. Charles Aznavour morreu em 2018, aos 94 anos, quando foi proibido de subir aos palcos. Para se ter uma ideia do quão longeva foi sua carreira, em 2017, aos 93 anos, apresentou-se em São Paulo e no Rio de Janeiro com casa cheia.

Serviço
Filme “Monsieur Aznavour”
Direção: Mehdi Idir, Grand Corps Malade
Roteiro: Grand Corps Malade, Mehdi Idir
Elenco: Tahar Rahim, Bastien Bouillon, Marie-Julie Baup
Gênero: Biografia, drama, musical
Origem: França

Brasília – Cine Cultura Liberty Mall
Belo Horizonte – Cineart Ponteio • Minas Tênis Clube
Curitiba – Cineplex Batel
Niterói – Reserva Cultural Niterói
Porto Alegre – Cinemateca Paulo Amorim • GNC Moinhos
Recife – Moviemax Rosa e Silva
Rio de Janeiro – Cinemark Downtown • Cinesystem Botafogo • Estação NET Gávea • Estação NET Rio • Kinoplex Fashion Mall • Kinoplex Leblon 
Salvador – Saladearte Cine Paseo
São José dos Campos – Cinemark Colinas
São Paulo – Cine Marquise • Cinesystem Frei Caneca • Espaço Petrobras de Cinema • Kinoplex Itaim • REAG Belas Artes • Reserva Cultural

Fotos: Divulgação

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Mário Lucena

Jornalista, bacharel em Psicologia e editor da Portal Edições, editora do Portal do Envelhecimento. Conheça os livros editados por Mário Lucena.

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