A cartilha é uma ferramenta essencial para capacitar trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), a fim de garantir um envelhecimento com dignidade.
Em um cenário onde a população idosa cresce aceleradamente, exigindo respostas cada vez mais qualificadas das políticas públicas, acaba de ser lançada a cartilha Intervenções Psicossociais com Pessoas Idosas no SUAS: Direções para Atuação. A obra, elaborada e organizada por Maíra Valadares e Isabelle Chariglione, publicada pela Editora da Universidade de Taubaté (EdUnitau) em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), chega em 2025 como uma ferramenta essencial para capacitar trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
A Psicóloga e trabalhadora do SUAS-DF, Maíra Valadares, ressalta que a publicação não se limita a conceitos teóricos. Ela nasce da prática e da pesquisa acadêmica, baseando-se na sua tese de doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Escolar (PGPDE) da UnB e vinculada ao Laboratório de Novas Epistemologias e Desenvolvimento Humano (LabNEDH). O objetivo central é claro: apoiar o trabalho social com pessoas idosas, tornando-o mais significativo tanto para profissionais quanto para os usuários/as.
Um olhar multidimensional sobre o envelhecer
A cartilha parte da premissa de que o envelhecimento é um processo heterogêneo e multidimensional. As autoras destacam que envelhecer envolve mudanças biológicas, psicológicas e sociais, mas que essas transformações são profundamente influenciadas por desigualdades de classe, raça e gênero acumuladas ao longo da vida.
“A intervenção social e a formulação de políticas públicas voltadas para a população idosa demandam uma abordagem que reconheça a singularidade de cada experiência”, aponta a cartilha, refutando visões que tratam a velhice como uma massa homogênea.
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O papel das intervenções psicossociais
A cartilha define as intervenções psicossociais como práticas estratégicas para promover o bem-estar emocional e social, essenciais na prevenção de problemas como depressão, isolamento e dificuldades de adaptação.
O documento é particularmente enfático sobre quando essas intervenções são indispensáveis. Elas são indicadas em situações críticas de violação de direitos, incluindo violência (física, psicológica, patrimonial), negligência, maus-tratos, ou quando há convivência familiar conflituosa e situações de extrema pobreza.
Combate ao etarismo e comunicação empática
Um dos pontos altos da publicação é o foco nas habilidades relacionais. A cartilha alerta para os perigos do “etarismo” (preconceito contra a idade) e da infantilização da pessoa idosa no atendimento público. Frases comuns como “Isso não é mais para sua idade” ou “Deixa que eu faço” são apontadas como barreiras que minam a autoestima e a autonomia dessa população.
Para superar esses desafios, o guia propõe técnicas de comunicação e escuta ativa:
Simplicidade na linguagem: Evitar uso de jargões técnicos que afastam o usuário.
Validação de sentimentos: Reconhecer as emoções da pessoa idosa como legítimas.
Perguntas abertas: Estimular o diálogo perguntando “Como tem sido sua rotina?” ao invés de questões que exigem apenas “sim” ou “não”.
Linguagem corporal: O uso de postura atenta e sorriso genuíno para criar um ambiente de confiança.
As seguranças socioassistenciais na prática
Com um viés prático, a cartilha detalha como garantir as seguranças socioassistenciais no cotidiano dos equipamentos públicos, como CRAS e CREAS:
1) Segurança de Acolhida: Envolve desde a recepção humanizada até a adaptação física do espaço (rampas, iluminação adequada).
2) Segurança de Renda: Garante o acesso a benefícios e orienta sobre a gestão financeira para prevenir vulnerabilidade econômica.
3) Segurança de Convívio: Foca no fortalecimento de vínculos familiares e comunitários para evitar o isolamento.
4) Segurança de Autonomia: Prioriza a identificação das capacidades da pessoa idosa, incentivando sua independência e participação nas decisões da própria vida.
5) Segurança de Apoio: Trata da liberação de benefícios materiais e pecuniários, como cestas básicas em casos de insegurança alimentar.
Conheça o Guia na íntegra
Serviço
A cartilha Intervenções Psicossociais com Pessoas Idosas no SUAS: Direções para Atuação, que contou com uma equipe técnica multidisciplinar e consultoria especializada, reforça que o trabalho no SUAS pode ser um agente de transformação, promovendo um envelhecimento ativo, digno e respeitoso.
Organizadoras: Maíra Valadares e Isabelle Chariglione
Editora: EdUnitau em parceria com a Universidade de Brasília (UnB)
Ano: 2025
Foto de Kampus Production/pexels.
