Quando o tratamento vira risco: o perigo invisível no uso de medicamentos

Quando o tratamento vira risco: o perigo invisível no uso de medicamentos

Na velhice é comum o acúmulo de diagnósticos e de prescrições. A chamada polifarmácia (cinco ou mais medicamentos) passa a fazer parte da rotina.


Especialistas alertam para os perigos da polifarmácia – um termo que descreve o uso simultâneo de vários medicamentos por uma única pessoa para suas condições – e destacam o papel do farmacêutico clínico na revisão da farmacoterapia e no encaminhamento seguro de pacientes, especialmente idosos.

O uso de medicamentos é, sem dúvida, um dos pilares da medicina moderna. No entanto, um problema silencioso tem ganhado espaço dentro da prática clínica: o uso inadequado de fármacos, especialmente entre pessoas idosas.

Dados divulgados pela Veja Saúde apontam que uma parcela significativa dessa população utiliza medicamentos potencialmente inapropriados — uma realidade que levanta um alerta importante sobre a segurança no cuidado em saúde.

O ponto central não está apenas no medicamento prescrito, mas na forma como ele é mantido ao longo do tempo.

Com o envelhecimento, é comum o acúmulo de diagnósticos e, consequentemente, de prescrições. A chamada polifarmácia passa a fazer parte da rotina: diferentes medicamentos, múltiplos horários e, muitas vezes, pouca reavaliação. Nesse contexto, aumentam os riscos de interações medicamentosas, efeitos adversos e até de tratamentos que já não trazem mais benefício real ao paciente.

“Farmácia de casa”

Há ainda um agravante frequente: a chamada “farmácia de casa”.  Medicamentos antigos, automedicação, uso de suplementos e fitoterápicos entram na rotina sem o devido acompanhamento, criando combinações que podem comprometer a segurança do tratamento.

As consequências não são raras — quedas, confusão mental, internações prolongadas e redução significativa da qualidade de vida.

Não perca nenhuma notícia!

Receba cada matéria diretamente no seu e-mail assinando a newsletter diária!

Diante desse cenário, o cuidado farmacêutico clínico ganha protagonismo. A análise criteriosa da farmacoterapia permite identificar riscos, avaliar a necessidade de cada medicamento e reconhecer situações em que o tratamento precisa ser reavaliado.

É importante destacar: a desprescrição — ou seja, a retirada de um medicamento — é uma decisão médica. No entanto, o farmacêutico clínico tem um papel essencial nesse processo, ao identificar sinais de uso potencialmente inadequado e encaminhar o paciente para avaliação médica, contribuindo de forma ativa para um cuidado mais seguro e individualizado.

Mais do que garantir acesso ao medicamento, é preciso garantir o seu uso correto, no contexto certo e para o paciente certo.

Em um cenário de envelhecimento populacional e aumento das doenças crônicas, revisar tratamentos deixa de ser uma opção e passa a ser uma necessidade.

Porque, no fim, o maior risco nem sempre está na doença — mas na forma como ela está sendo tratada.

Imagem: Pexels/Shvets


banner em fundo escuro com tarja laranja anunciando curso sobre memórias lúdicas
Homem de óculos, avental branco e atrás medicamentos
Luiz Antonio Assunção

Luiz Antonio da Assunção é farmacêutico clínico CRF 23.110. Pós-graduado em acompanhamento farmacoterapêutico. Pós-graduado em gastroenterologia funcional e nutrigenômica. E-mail: luizclinicaassuncao@gmail.com. Insta: https://www.instagram.com/luizassuncaofarmaceutico/

Compartilhe:

Avatar do Autor

Luiz Antonio Assunção

Luiz Antonio da Assunção é farmacêutico clínico CRF 23.110. Pós-graduado em acompanhamento farmacoterapêutico. Pós-graduado em gastroenterologia funcional e nutrigenômica. E-mail: luizclinicaassuncao@gmail.com. Insta: https://www.instagram.com/luizassuncaofarmaceutico/

Luiz Antonio Assunção escreveu 27 posts

Veja todos os posts de Luiz Antonio Assunção
Comentários

Os comentários dos leitores não refletem a opinião do Portal do Envelhecimento e Longeviver.

LinkedIn
Share
WhatsApp
Follow by Email
RSS