Na velhice é comum o acúmulo de diagnósticos e de prescrições. A chamada polifarmácia (cinco ou mais medicamentos) passa a fazer parte da rotina.
Especialistas alertam para os perigos da polifarmácia – um termo que descreve o uso simultâneo de vários medicamentos por uma única pessoa para suas condições – e destacam o papel do farmacêutico clínico na revisão da farmacoterapia e no encaminhamento seguro de pacientes, especialmente idosos.
O uso de medicamentos é, sem dúvida, um dos pilares da medicina moderna. No entanto, um problema silencioso tem ganhado espaço dentro da prática clínica: o uso inadequado de fármacos, especialmente entre pessoas idosas.
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Dados divulgados pela Veja Saúde apontam que uma parcela significativa dessa população utiliza medicamentos potencialmente inapropriados — uma realidade que levanta um alerta importante sobre a segurança no cuidado em saúde.
O ponto central não está apenas no medicamento prescrito, mas na forma como ele é mantido ao longo do tempo.
Com o envelhecimento, é comum o acúmulo de diagnósticos e, consequentemente, de prescrições. A chamada polifarmácia passa a fazer parte da rotina: diferentes medicamentos, múltiplos horários e, muitas vezes, pouca reavaliação. Nesse contexto, aumentam os riscos de interações medicamentosas, efeitos adversos e até de tratamentos que já não trazem mais benefício real ao paciente.
“Farmácia de casa”
Há ainda um agravante frequente: a chamada “farmácia de casa”. Medicamentos antigos, automedicação, uso de suplementos e fitoterápicos entram na rotina sem o devido acompanhamento, criando combinações que podem comprometer a segurança do tratamento.
As consequências não são raras — quedas, confusão mental, internações prolongadas e redução significativa da qualidade de vida.
Diante desse cenário, o cuidado farmacêutico clínico ganha protagonismo. A análise criteriosa da farmacoterapia permite identificar riscos, avaliar a necessidade de cada medicamento e reconhecer situações em que o tratamento precisa ser reavaliado.
É importante destacar: a desprescrição — ou seja, a retirada de um medicamento — é uma decisão médica. No entanto, o farmacêutico clínico tem um papel essencial nesse processo, ao identificar sinais de uso potencialmente inadequado e encaminhar o paciente para avaliação médica, contribuindo de forma ativa para um cuidado mais seguro e individualizado.
Mais do que garantir acesso ao medicamento, é preciso garantir o seu uso correto, no contexto certo e para o paciente certo.
Em um cenário de envelhecimento populacional e aumento das doenças crônicas, revisar tratamentos deixa de ser uma opção e passa a ser uma necessidade.
Porque, no fim, o maior risco nem sempre está na doença — mas na forma como ela está sendo tratada.
Imagem: Pexels/Shvets
