O uso frequente de tecnologias digitais contribui para o envelhecimento ativo, revela estudo

O uso frequente de tecnologias digitais contribui para o envelhecimento ativo, revela estudo

Ao mostrar que as tecnologias podem apoiar a autonomia, a participação e ampliar horizontes cognitivos, a pesquisa convida a repensar políticas, programas e práticas de cuidado.



Pesquisa realizada por López Moreno, Maria Celeste et al., em Mar del Plata, Argentina, aponta que o uso de tecnologias está diretamente relacionado ao melhor desempenho cognitivo e à maior autonomia funcional em pessoas idosas, reforçando a importância da inclusão digital como caminho para o envelhecimento ativo.

O avanço acelerado das tecnologias digitais transformou o modo como vivemos, nos comunicamos e cuidamos da vida cotidiana. Em meio a essa revolução, um estudo realizado em Mar del Plata, publicado na Revista Kairós-Gerontologia (v. 28, n. 2, 2025), buscou compreender um tema ainda pouco explorado na América Latina: como o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) se relaciona com o desempenho cognitivo e a independência funcional das pessoas idosas.

Conduzida com 66 participantes, majoritariamente mulheres, a pesquisa avaliou três dimensões centrais: funções cognitivas (por meio do ACE-III), autonomia nas atividades de vida diária e frequência de uso de tecnologias pessoais, domésticas e comunitárias. As autoras situam o estudo no contexto pós-pandemia, em que a digitalização se intensificou enquanto a exclusão digital permaneceu profunda, especialmente entre pessoas idosas expostas a desigualdades educacionais, econômicas e territoriais.

Os resultados mostraram uma associação positiva entre o uso mais frequente de TICs e melhor desempenho cognitivo, sobretudo em atenção, memória e fluência verbal. Pessoas idosas que utilizavam tecnologias de forma mais ampla também apresentaram maior independência funcional, incluindo a execução de tarefas complexas, como gerenciar finanças, organizar compromissos ou lidar com serviços digitais básicos.

A escolaridade e a condição socioeconômica emergiram como fatores decisivos como os níveis mais altos de instrução e renda se relacionaram ao uso mais diversificado de tecnologias. A idade avançada, por sua vez, esteve associada à redução do uso. Já a análise de gênero revelou uma desigualdade persistente: as mulheres idosas utilizam menos tecnologias que os homens, reflexo de trajetórias históricas e culturais que influenciam o acesso e a autoconfiança no ambiente digital.

Esse reforça que a inclusão digital não se limita ao acesso a dispositivos, que exige acompanhamento, formação continuada, ambientes seguros e tecnologias projetadas com acessibilidade universal. Essa perspectiva está alinhada ao conceito de “resiliência tecnológica”, entendido como a capacidade de aprender, adaptar-se, lidar com erros e encontrar sentido no uso das tecnologias ao longo da vida,  algo diretamente afetado por políticas públicas, contextos socioeconômicos e oportunidades educacionais.

As autoras apontam que, na América Latina, a inclusão digital das pessoas idosas deve ser tratada como questão de equidade. Investir em alfabetização digital intergeracional, espaços comunitários de aprendizagem e tecnologias pensadas para diferentes perfis funcionais pode ampliar o protagonismo, fortalecer vínculos sociais e contribuir para a manutenção da cognição.

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Mais do que correlacionar dados, o estudo provoca uma reflexão gerontológica “que tipo de envelhecimento a sociedade digital está produzindo?”. Ao evidenciar que o uso das tecnologias pode apoiar a autonomia, favorecer a participação e ampliar horizontes cognitivos, a pesquisa convida a repensar políticas, programas e práticas de cuidado que valorizem a diversidade das velhices e o direito de todas as pessoas a participar da vida digital de forma plena e significativa.

Leia o artigo na íntegra na Revista Kairós-Gerontologia clicando aqui: https://kairosgerontologia.com.br/index.php/kairos/article/view/161

LÓPEZ MORENO, Maria Celeste et al. Uso de tecnologías, desempeño cognitivo y actividades de la vida diaria en personas mayores argentinas: contribuciones para un envejecimiento activo. Revista Kairós-Gerontología, v. 28, n. 2, 2025.

(*) Sob orientação de Beltrina Côrte – Jornalista, CEO do Portal do Envelhecimento. E-mail: beltrina@portaldoenvelhecimento.com.br

Foto de Pavel Danilyuk/pexels.


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Ana Beatriz Ferraz
Ana Beatriz S. Ferraz

Ana Beatriz S. Ferraz é bacharelanda em Gerontologia pela Universidade de São Paulo. Atualmente é estagiária no Portal do Envelhecimento e Longeviver. www.linkedin.com/in/ana-beatriz-s-ferraz-a3a7a2132.

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Ana Beatriz S. Ferraz é bacharelanda em Gerontologia pela Universidade de São Paulo. Atualmente é estagiária no Portal do Envelhecimento e Longeviver. www.linkedin.com/in/ana-beatriz-s-ferraz-a3a7a2132.

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