Pesquisas da ECA discutem a mulher na sociedade

Pesquisas da ECA discutem a mulher na sociedade

Em comemoração ao Dia das Mulheres, conheça estudos que têm a figura feminina e sua emancipação como tema. O futuro será das mulheres velhas emancipadas?

Gabriela Schatz (*)


Hoje é comemorado o Dia Internacional das Mulheres e, como forma de celebrar a data, selecionamos algumas pesquisas e ações recentes realizadas na ECA que refletem a participação das mulheres na sociedade, nas artes e na comunicação.

Olhares femininos no cinema

Na dissertação A jornada das heroínas: protagonismo feminino no cinema contemporâneo brasileiro, a pesquisadora Kátia Kreutz investiga  o protagonismo feminino na produção audiovisual brasileira contemporânea. Para isso, ela analisa os filmes O Céu de Suely (2006), de Karim Ainouz, Que Horas Ela Volta? (2015), de Anna Muylaert, e Pela Janela (2017), de Caroline Leone.

A análise tem como ponto de partida o conceito da “jornada do herói”, criado por Joseph Campbell, e se debruça sobre elementos como o desenvolvimento das personagens e como sua emancipação pode lhes fornecer um verdadeiro protagonismo.

No filme “Que Horas Ela Volta?” a personagem Val se encontra tão imersa nas demandas da família para a qual trabalha que coloca em segundo plano suas próprias necessidades. Foto: Divulgação

Para Kátia, nos filmes estudados “a relação que as personagens desenvolvem consigo mesmas, ao longo de suas jornadas, é a de descoberta”. Processo duplamente desafiador para as mulheres, que são condicionadas desde crianças a acreditarem que não podem fazer tudo e, quando desafiam esse pensamento, são reprimidas. 

“O êxito ou o fracasso das protagonistas em obter sua emancipação são menos relevantes, nesse contexto, porque não há início ou fim. O que dá sentido à jornada é justamente o fato de que ela é contínua. São os constantes desafios que tornam as histórias das mulheres contemporâneas, no cinema ou fora dele, tão interessantes e significativas”, diz a pesquisadora.

Outra pesquisa que estuda o papel feminino no cinema é Direções do olhar: um estudo sobre as poéticas e técnicas de diretoras negras do cinema brasileiro, de Lygia Pereira dos Santos Costa. Nela, a autora estuda, por meio de entrevistas e análises de nove filmes, como o olhar cinematográfico de diretoras negras se insere em nossa sociedade. 

Para Lygia, os filmes estudados são “comprometidos com a construção de um imaginário plural das experiências negras, mas que contam histórias capazes de tocar qualquer pessoa” e demonstram a importância da contribuição destas cineastas para a reflexão “sobre tempo, história, memória, amor, afeto, dor, luto, injustiça, dentre tantos outros temas, a partir de seus ‘olhares negros’”.

A pandemia não tem rosto de mulher

O artigo A pandemia não tem rosto de mulher propõe pensar sobre a relação da pandemia com a vida das mulheres. Para isso, as autoras analisaram matérias jornalísticas sobre a COVID-19. 

A análise foi feita com base nas conclusões da última edição do Global Media Monitoring Project (GMMP), iniciativa que analisa a presença de mulheres na mídia em mais de 120 países. O grupo de pesquisa AlterGen, coordenado pela professora Claudia Lago, do Departamento de Comunicação e Artes (CCA), integrou a equipe brasileira que participou do levantamento.

Os resultados apontam que “a pandemia, apesar de afetar mais diretamente as mulheres por estas serem geralmente as populações mais vulneráveis nos diversos países, não tem rosto de mulher. Não é narrada, pensada, relacionada às mulheres.” 

O artigo é de autoria da docente Claudia Lago, da pesquisadora Claudia Nonato, do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho da ECA, e de Elisa Canjani, aluna do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM).

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Resistência e periferia 

Na dissertação Resistências femininas: redes de comunicação de mulheres migrantes latino-americanas na Região Metropolitana de São Paulo, a autora Elisa Canjani reflete sobre as possibilidades de resistência e ressignificação das mulheres migrantes, ampliadas pelo uso das redes sociais. 

A pesquisa foca na vivência de migrantes bolivianas, paraguaias, equatorianas, peruanas e venezuelanas em São Paulo e na rede comunicativa da Asociación de Mujeres Imigrantes Luz y Vida – Sembrando Semillas (AMILV) formada por essas mulheres. 

O estudo surgiu da premissa de que as redes comunicativas são essenciais para que essas mulheres se sintam integradas na sociedade e superem as condições adversas às quais são submetidas, encontrando apoio e entendimento. 

A AMILV oferece auxílio na adaptação à cidade, organização de documentos, alívio emocional, acompanhamento médico, combate à violência doméstica e à exploração laboral e reflexão sobre a condição da mulher. Para Elisa, essas mulheres “são agentes poderosas de uma transformação social em curso, saltando pelo universo digital”. 

O site jornalístico foi criado oficialmente em 2014 e oferece espaço midiático para amplificar as vozes de mulheres negras e periféricas. Reprodução: Nós, Mulheres da Periferia.

Em Mulheres periféricas e autorrepresentação: uma análise do Nós, Mulheres da Periferia, a autora Evelyn Kazan se detém no projeto midiático Nós, Mulheres da Periferia, com o objetivo de avaliar como a autorrepresentação de mulheres periféricas é ressignificada na atuação jornalística do coletivo.

site Nós, Mulheres da Periferia é focado em temas como violência/feminicídio e luta feminina, periferia, representação e identidade, mulheres negras e cultura afro-brasileira, cidadania e política, entre outros. 

As matérias publicadas no site se caracterizam por priorizar fontes e pontos de vistas femininos e um tom intimista, o que “possibilita às mulheres da periferia narrar e reconstruir trajetórias e memórias das antepassadas, por meio de uma escrita jornalística que é atravessada pelo autoconhecimento e pela autorrepresentação.”

Para Evelyn, isso reforça a reflexão sobre o espaço de fala e as representações da periferia e permite que as mulheres evidenciem a diversidade de suas vivências.

(*) Gabriela Schatz (*) escreve para o Eca Notícias/USP.

Ilustração destaque de Dhara Côrte de Lucena


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