Os países com maior expectativa de vida ao nascer em 2023

Os países com maior expectativa de vida ao nascer em 2023

As pessoas estão vivendo, em média, três vezes mais do que há 250 anos. Os 4 países com expectativa de vida ao nascer de 85 anos+, em 2023, são: Mônaco, Japão, Hong Kong e Macau, todos de alta renda


A queda da taxa de mortalidade representa uma das maiores conquistas da humanidade. O tempo médio de vida da população mundial era de cerca de 25 anos antes da Revolução Industrial e Energética do final do século XVIII e atualmente se aproxima de 75 anos. Portanto, as pessoas estão vivendo, em média, três vezes mais do que há 250 anos. Houve avanço em todos os países, mas, evidentemente, algumas nações avançaram de maneira mais rápida do que outras.

Os quatro países com expectativa de vida ao nascer de 85 anos ou mais, em 2023, são: Mônaco, Japão, Hong Kong e Macau, todos considerados de alta renda. O gráfico abaixo, com dados da Divisão de População da ONU, apresenta o tempo médio de vida das pessoas destes quatro países entre 1950 e 2023, com a projeção mais provável até 2100.

Mônaco, que é uma cidade-estado com apenas 36 mil habitantes em 2023, tinha uma expectativa de vida ao nascer de 66,5 anos em 1950, passou para 87 anos em 2023 e deve alcançar 95,8 anos em 2100. O Japão que tem uma população de 123,3 milhões de habitantes em 2023, tinha uma expectativa de vida de 61 anos em 1950, passou para 85 anos em 2023 e deve alcançar 94,2 anos em 2100. Hong Kong e Macau – que são duas cidades-estados pertencentes à China – tinham expectativa de vida ao nascer em torno de 60 anos em 1950, ultrapassaram 85 anos em 2023 e devem atingir mais de 95 anos em 2100.

Sem dúvida, estes quatro países são um destaque do cenário internacional. Mas outros países se aproximam do máximo já alcançado e o Brasil e o mundo também avançam, embora com uma certa defasagem. O gráfico abaixo, também com dados da Divisão de População da ONU, apresenta a expectativa de vida ao nascer do mundo, Brasil, Singapura e Coreia do Sul de 1950 a 2100.

O mundo tinha uma expectativa de vida de 47,1 anos em 1950, passou para 73,4 anos em 2023 e deve alcançar 82,1 anos em 2100. A comunidade internacional como um todo e os mais diversos países apresentaram queda na expectativa de vida durante a pandemia da covid-19. Mas, já recuperam os valores anteriores em 2023 e vão continuar apresentando ganhos nas próximas décadas. O Brasil, com 214 milhões de habitantes em 2023 (segundo a ONU), tinha uma expectativa de vida de 48,1 anos em 1950, chegou a 75,3 anos em 2019, caiu para 72,8 anos em 2021, subiu para 76,2 anos em 2023 e deve alcançar 88,2 anos em 2100. Portanto, o efeito da pandemia foi temporário, especialmente para o caso dos países asiáticos.

Singapura, também uma cidade-estado com 6 milhões de habitantes, tinha uma expectativa de vida de 50,7 anos em 1950, passou para 84,3 anos em 2023 e deve alcançar 93,6 anos em 2100. Já a Coreia do Sul, que atualmente tem 52 milhões de habitantes, apresentou os maiores ganhos de longevidade nas últimas sete décadas. Devido às perdas de militares e civis durante a guerra entre as duas Coreias (que durou de 1950 a 1953) a Coreia do Sul tinha uma expectativa de vida de somente 21,3 anos em 1950, mas em menos de uma década já tinha ultrapassado o Brasil e a média mundial e alcançou 84,1 anos em 2023. Na projeção média da ONU deve alcançar 93,2 anos em 2100.

Desta forma, Singapura e Coreia do Sul devem ter expectativas de vida em 2100 bem próximas dos quatro países líderes apresentados no primeiro gráfico. Mas o Brasil e o conjunto do planeta, mesmo com algum atraso, também vão apresentar ganhos significativos ao longo do atual século.

Os ganhos quantitativos na extensão média da vida da população mundial e das diversas populações nacionais é um fato a ser comemorado. Mas um desafio fundamental será garantir e elevar, concomitantemente, a qualidade de vida. O mundo terá mais de 3 bilhões de idosos (de 60 anos e mais de idade) em 2100. O Estado, a sociedade civil, as famílias e os indivíduos devem buscar conquistar o envelhecimento ativo e saudável para o bem de cada indivíduo e para o bem-estar global.

Referências
ALVES, JED. As projeções populacionais da ONU indicam a retomada do aumento da expectativa de vida, Portal do Envelhecimento, 11/07/2022 https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/as-projecoes-populacionais-da-onu-indicam-a-retomada-do-aumento-da-expectativa-de-vida/

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ALVES, JED. O envelhecimento do envelhecimento no Brasil e no mundo, Portal do Envelhecimento, 30/08/2022 https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/o-envelhecimento-do-envelhecimento-no-brasil-e-no-mundo/

ALVES, JED. A feminilização do envelhecimento populacional no Brasil e no mundo, Portal do Envelhecimento, 07/10/2022 https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/a-feminilizacao-do-envelhecimento-populacional-no-brasil-e-no-mundo/

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ALVES, JED. O século das avós e dos avôs, Portal do Envelhecimento, 21/01/2023

ALVES, JED. Demografia e Economia nos 200 anos da Independência do Brasil e cenários para o século XXI (com a colaboração de GALIZA, F), ENS, maio de 2022. https://ens.edu.br:81/arquivos/Livro%20Demografia%20e%20Economia_digital_2.pdf

Foto destaque de Kindel Media/pexels


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José Eustáquio Diniz Alves

Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE/IBGE. Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: [email protected]. Link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382E-mail: [email protected]

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