Longevidade: propósito presente e futuro

Longevidade: propósito presente e futuro

Carta manifesto da Longevidade Expo+Fórum aponta que o envelhecimento traz desafios, e também oportunidades. Será salvação ou ‘danação’, depende de como se lidará com ele.


As transformações experimentadas ao longo dos últimos anos catapultaram a humanidade ao futuro, sem pré-aviso. Da inércia cadenciada das últimas décadas, passamos ao ritmo do disruptivo, conceito que ainda não acabamos de compreender, mas que tomou conta do cotidiano. Entretanto, mesmo confrontados com o desenvolvimento forçado, ainda, como sociedade, resistimos a abandonar ’velhos’ estereótipos para compreender o envelhecimento e a longevidade.

Em 1900, o mundo tinha uma expectativa de vida de 32 anos, enquanto o Brasil registrava 29 anos. Já no ano 2000, a expectativa de vida, no Brasil, atingiu 70,1 anos, enquanto a média mundial chegou a 66,3 anos. Hoje chegamos a 77 anos e em menos de 30 anos a proporção de pessoas acima de 60 ultrapassará 30%. Para 2100, a Divisão de População da ONU(1) projeta 73,3 milhões de idosos no Brasil, representando 39,7% da população nacional de 184,5 milhões de habitantes. A partir de 2038, quando a população brasileira atingirá seu pico, todos os demais grupos de idade diminuirão suas proporções: o único que continuará aumentando é o de 60+.

Ou seja, a principal característica demográfica do século XXI será o envelhecimento populacional e a proporção de idosos será maior no Brasil do que na média mundial. O número de idosos brasileiros (60 anos e +) será maior do que o número de jovens de 0 a 14 anos em 2030. De acordo com o IBGE, já temos mais pessoas 50+ do que jovens abaixo de 30 anos. E na segunda metade do atual século haverá mais idosos do que pessoas de 0 a 39 anos, uma vez que o país terá mais de 70 milhões de idosos, o que é um número maior do que a população total de grande parte dos países do mundo.

O envelhecimento populacional trará desafios, mas também oportunidades. Poderá ser uma salvação ou uma ‘danação’, dependendo de como as pessoas, as famílias, a sociedade e as políticas públicas lidem com esta nova realidade. Por maior que seja a velocidade de nosso envelhecimento populacional, ele é gradual. É preciso preparar os mais jovens de hoje para que cheguem à tal da ‘velhice’ em condições de continuarem a contribuir para a sociedade. Isso depende de esforço individual, mas também de políticas públicas alicerçadas nos pilares do Envelhecimento Ativo da OMS: saúde; aprendizagem ao longo da vida; direito a participar da sociedade e; segurança/proteção.

Eleitores, pagadores de impostos, consumidores, arrimos de família, cidadãos. Essas são algumas das contribuições dos longevos para a dinâmica social ainda pouco associadas à imagem preconceituosa e míope do público 60+. O combate ao idadismo, o preconceito pernicioso, que exclui um segmento cada vez mais importante da população, precisa ser combatido com vigor. Não basta não ser idadista, é preciso ser anti-idadista. Do contrário, esses cidadãos serão, com frequência, relegados ao assistencialismo perverso, tanto do poder público como da iniciativa privada. Mas esta inércia começa a ser rompida.

À medida que a sociedade brasileira muda seu perfil etário e percebe o valor (e a dádiva) de viver mais, um círculo virtuoso de iniciativas toma corpo e contagia o coletivo em participações colaborativas para promover a intergeracionalidade, a colaboração, a inserção e a representatividade do longevo na dinâmica social.

Um novo Brasil depende também da estruturação de um plano de ações efetivas e eficazes para aumentar a participação e o bem-estar do longevo de hoje e de amanhã na sociedade brasileira. Todos os brasileiros querem e merecem usufruir de uma longevidade plena, segura, saudável, feliz e duradoura. Em um país caracterizado por desigualdades sociais, essa tarefa exigirá esforços de todos, a nível individual, da comunidade e da sociedade como um todo.

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O exercício da longevidade nos confronta todos os dias com novas e impensadas demandas, incertezas e carências. Esta nova prática do viver exigirá de todos nós participação constante, voz ativa e paixão e curiosidade inesgotáveis pelo futuro.

O que propomos?

Propomos não medir esforços para ampliar o número de cidades Amigas do Idoso, com o propósito de construir uma Nação Amiga do Idoso, com comprometimento conjunto da iniciativa privada e do poder público para a estruturação de dinâmicas sociais inclusivas livres do idadismo que corrói a intergeracionalidade, e promovendo o que vem sendo chamado de velhices cidadãs, protagonistas do seu papel como agente social, econômico e cultural de transformações em prol da garantia dos direitos e também dos deveres dos cidadãos 50+, criando e fortalecendo os mecanismos de segurança e autonomia desses indivíduos.

Nota
(1) Novas projeções populacionais da Divisão de População da ONU, publicada em 2022

Foto destaque: Velha Guarda do Samba – Mestre Gabi e a Porta-Bandeira Vivi, a Embaixada do Samba e as Baianas das Artes, espetáculo promovido pelo Sesc-SP no encerramento da Longevidade Expo+Fórum.


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