Governo Federal lança Programa Nacional para tornar cidades brasileiras mais amigas das pessoas idosas

Governo Federal lança Programa Nacional para tornar cidades brasileiras mais amigas das pessoas idosas

Iniciativa do governo incentiva ambientes urbanos e comunitários mais inclusivos, acessíveis e favoráveis ao envelhecimento.


Como transformar nossas cidades em espaços de acolhimento e dignidade para quem envelhece? A resposta ganha força com a instituição, pelo governo federal, do Programa Nacional Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas, oficializado recentemente via Diário Oficial da União (20/03).

Muito além de uma formalidade administrativa, o programa (Portaria Nº 399/2026) — gerido pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania via a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa  — propõe uma reforma na forma como ocupamos o espaço público. O foco central é garantir que a pessoa idosa não seja apenas assistida, mas que tenha voz e autonomia em sua comunidade.

Entre os destaques da instituição desse novo programa, está a conexão internacional, pois ao se integrar e compartilhar a gestão com a Rede Global de Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas da Organização Pan-Americana da Saúde, vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil se compromete com padrões globais de acessibilidade e bem-estar.

O sucesso da medida depende da adesão de prefeituras e governos estaduais, abrindo portas para parcerias vitais com o setor privado e organizações sociais, ou seja, a união de forças é essencial para que o novo programa seja executado pelo país afora. E, por último, destaca-se o protagonismo da pessoa idosa, quando a gestão dessa iniciativa é realizada pela Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, assegurando, assim, que as políticas públicas caminhem lado a lado com as reais necessidades da população idosa.

O programa terá um ciclo inicial de cinco anos, com a possibilidade de ser renovado por mais cinco. Em breve, a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa publicará a regulamentação detalhada com as normas de participação e o passo a passo para a adesão de novos municípios e estados.

As ações serão organizadas em 12 eixos

Os 12 eixos do Programa Nacional de Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas são:
1) Participação e integração comunitária;
2) Segurança e enfrentamento a todas as formas de violência;
3) Cuidado ao longo da vida;
4) Liberdade de expressão, opinião, acesso à informação e inclusão digital e o emprego e inclusão social.
5) Emprego e inclusão social;
6) Saúde;
7) Educação;
8) Cultura, lazer, turismo e esporte;
9) Propriedade, moradia e habitação;
10) Meio ambiente e justiça climática;
11) Acessibilidade e mobilidade pessoal; e
12) Garantia dos direitos humanos da pessoa idosa.

Objetivos

Além dos eixos, o programa recém-instituído enumera uma série de objetivos que norteiam sua implementação e atuação. São eles:

Promover ações para que a pessoa idosa tenha oportunidades de participar e de se integrar ativamente nas cidades e comunidades, como forma de desenvolver suas competências, habilidades e potencialidades;

Fomentar ações, mecanismos e campanhas de prevenção e enfrentamento a todas as formas de violência e discriminação contra a pessoa idosa;

Apoiar ações de promoção de um sistema integral de cuidados que proporcione proteção e promoção da saúde e cobertura de serviços sociais, permitindo que a pessoa idosa possa decidir permanecer em seu domicílio e manter sua independência e autonomia;

Sensibilizar as comunidades e cidades quanto à importância de se garantir o direito à liberdade de expressão, opinião, acesso à informação e inclusão digital;

Fomentar o desenvolvimento de programas para a qualificação e certificação de conhecimento e saberes, a fim de promover o acesso da pessoa idosa a emprego e renda que garantam sua dignidade e bem-estar;

Apoiar ações intersetoriais orientadas para uma atenção integral que inclua a promoção da saúde, a prevenção, o tratamento de doença em todas as etapas, a reabilitação e os cuidados necessários, com vistas a propiciar a vivência do mais alto nível de bem-estar físico, mental e social;

Promover a formação e a qualificação profissional de trabalhadoras e trabalhadores dos serviços de saúde, assistência social e áreas afins, com ênfase nos direitos humanos das pessoas idosas e nas diversas velhices;

Promover o desenvolvimento de programas, materiais e formatos educativos adequados e acessíveis às pessoas idosas, que atendam às suas necessidades, preferências, aptidões, motivações e identidades culturais;

Apoiar projetos de valorização da cultura, dos saberes ancestrais e do compartilhamento de experiências com outras gerações;

Estimular o desenvolvimento de projetos de turismo, bem como de atividades de lazer e esportivas que considerem os interesses e as necessidades das pessoas idosas;

Apoiar medidas necessárias para garantir à pessoa idosa o exercício do direito à propriedade, à moradia digna e adequada e à promoção de políticas públicas habitacionais, atribuindo prioridade àquelas em situação de vulnerabilidade;

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Sensibilizar as cidades e comunidades quanto à necessidade de ações de prevenção que assegurem o direito ao meio ambiente ecologicamente sustentável e à redução dos impactos negativos associados às mudanças climáticas e à gestão ambiental;

Apoiar ações para garantir o direito à cidade a todas as pessoas idosas, incluindo aquelas que vivem em territórios de campos, águas e florestas, para que possam viver de forma independente e participar plenamente de todos os aspectos da vida;

Fomentar a criação, a organização e o fortalecimento da Rede de Proteção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa;

Estimular o fortalecimento dos Fóruns de participação social; e

Fomentar a produção de dados que subsidiem a formulação e a implementação de políticas públicas voltadas às pessoas idosas.

A implementação do Programa Nacional Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas terá como referência metodológica o Programa Envelhecer nos Territórios e o Programa Viva mais Cidadania.

Ano eleitoral, cuidado redobrado!

Lançar um programa de tamanha relevância social em um ano de eleições gerais (como é o caso de 2026) exige um cuidado e uma atenção redobrada por parte da sociedade civil. Embora o Programa Nacional Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas seja uma política de Estado mais do que necessária, o calendário eleitoral impõe diversos riscos e desafios.

O risco de o programa ser utilizado como plataforma de campanha por candidatos de municípios pelo país afora é grande, ferindo o princípio da impessoalidade e configurando abuso de poder político. Além de o programa ser visto como “promessa de campanha” e perder força ou financiamento caso haja troca de gestão nos anos seguintes.

Além do mais, nos três meses que antecedem o pleito, a publicidade institucional é severamente restrita, o que pode dificultar a divulgação necessária para que os municípios saibam como aderir ao programa.

Assim, para garantir que o programa cumpra seu papel social sem ferir a legislação ou a ética, algumas medidas são fundamentais. Entre elas, enfatizar a parceria com a OPAS/OMS. Ao ancorar o programa em diretrizes internacionais e evidências científicas, ele deixa de ser uma “vontade política” momentânea e passa a ser um compromisso técnico de longo prazo.

Além do mais, os critérios para que um município receba o selo de “Cidade Amiga” devem ser estritamente técnicos, objetivos e públicos. Isso evita qualquer suspeita de favoritismo político na escolha das cidades beneficiadas.

É preciso reforçar que o programa tem duração de cinco anos (extrapolando o mandato atual). Isso ajuda a caracterizá-lo como uma Política de Estado e não de governo.

A divulgação deve ser estritamente informativa, sem o uso de símbolos, nomes ou cores que remetam a candidatos ou partidos. O foco deve ser o direito da pessoa idosa e as diretrizes do Estatuto da Pessoa Idosa.

Também se torna importante submeter cada etapa da regulamentação à Advocacia-Geral da União (AGU) e aos órgãos de controle para assegurar que a execução orçamentária não viole as vedações do período eleitoral.

Por fim, é bom lembrar que o envelhecimento da população não espera o fim das eleições. Portanto, o lançamento é legítimo e urgente. A vigilância social, exercida pela sociedade civil, é o melhor antídoto contra o desvio de finalidade, garantindo que o programa sirva, de fato, para tornar as cidades brasileiras mais inclusivas e dignas para todos e todas, de todas as idades.

Nós, do Portal do Envelhecimento, estaremos em alerta!

Foto de Alcides Freire Melo


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