Generatividade: educar e guiar as gerações mais novas

Generatividade: educar e guiar as gerações mais novas

Qual tem sido a responsabilidade dos mais velhos com as gerações futuras? O que estamos deixando para elas? O que ensinamos? Que futuro queremos para nossos netos, bisnetos tataranetos? Que legado estamos deixando? O que vem a ser generatividade?


Qual tem sido o papel dos mais velhos no cuidado e na orientação das gerações mais novas, para o papel de cuidado do outro como tarefa de desenvolvimento humano e social? Falamos aqui de um conceito nem tanto conhecido, chamado “generatividade”, criado por Erikson (1963), para designar o modelo do desenvolvimento humano ao longo do ciclo vital, contrapondo-se, assim, à psicologia do desenvolvimento centrada em torno da infância e adolescência.

As mudanças demográficas e o aumento da população idosa que até então era associada a doença e decrepitude, deram maior visibilidade aos idosos e, consequentemente, chamando a atenção de estudiosos para esta etapa da existência humana e seu desenvolvimento. Foi só em meados do século XX que pesquisas a respeito da velhice passaram a ser desenvolvidas academicamente, considerando esta etapa como mais uma do desenvolvimento humano ao longo da vida.

Essa discussão é apresentada no Dossiê Temático “Educação de pessoas jovens, adultas e idosas”, especificamente no artigo Contributos para o estudo do desenvolvimento do adulto: reflexões em torno da generatividade, de Piedade Vaz Rebelo e Graciete Franco Borges (2009).

Segundo as autoras, Erikson criou o conceito generatividade para definir o sétimo estágio de desenvolvimento pessoal, após as etapas anteriores, nomeadamente das de construção da identidade e da intimidade. Assim, a generatividade constitui uma tarefa da adultez e expressa-se por “um interesse em educar e guiar as gerações mais novas” (ERIKSON, 1963, p. 267), uma intenção/ação de “tomar conta” ou de “cuidar de outros”.

Guiar as gerações mais novas, de acordo com Erikson, engloba também uma preocupação com a sociedade em sentido amplo, fazendo com que possa ser expressa através de atividades de participação política e cívica, trabalho de voluntariado, envolvimento em instituições religiosas ou atividades espirituais, entre outras.

Nesse sentido, e de acordo com Piedade e Graciete, a generatividade envolve as expectativas sociais de cuidado dos outros, designado por Erikson de “necessidade de ser necessário” e de ultrapassar a própria vida. Enfim, as autoras assinalam que esse conceito, a generatividade, “tem-se revelado um constructo complexo e multifacetado, podendo relacionar-se com imperativos biológicos associados à sobrevivência da espécie, não deixando, porém, de envolver processos psicossociais que resultam na motivação para transmitir conhecimentos ou experiências, deixar descendência, contribuir e ser responsável pelo desenvolvimento da sociedade e das gerações mais novas e na motivação para a criatividade”.

Eis uma reflexão a ser feita por cada um de nós! Estamos guiando de fato as futuras gerações para um mundo mais humano, afetuoso, solidário e com mais amor ou as estamos levando de volta a um passado sem liberdade, nebuloso, cheio de ódio e desamor?

Afinal, qual é o legado que seu avô e seu pai deixaram para você?

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Referências

ERIKSON, E. H. Childhood and society. New York: Norton. 1963.

REBELO, de Piedade Vaz e BORGES, Graciete Franco. Contributos para o estudo do desenvolvimento do adulto: reflexões em torno da generatividade. Práxis Educacional  (Dossiê Temático Educação de pessoas jovens, adultas e idosas). Vitória da Conquista, v. 5, n. 7, pp. 97-114, jul./dez. 2009.

Foto destaque de cottonbro/Pexels


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Beltrina Côrte

Jornalista, Especialização e Mestrado em Planejamento e Administração do Desenvolvimento Regional, Doutorado e Pós.doc em Ciências da Comunicação pela USP. Estudiosa do Envelhecimento e Longevidade desde 2000. É docente da PUC-SP. Coordena o grupo de pesquisa Longevidade, Envelhecimento e Comunicação, e é pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa do Envelhecimento (NEPE), ambos da PUC-SP. CEO do Portal do Envelhecimento, Portal Edições e Espaço Longeviver. Integrou o banco de avaliadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – Basis/Inep/MEC até 2018. Integra a Rede Latinoamericana de Psicogerontologia (REDIP). E-mail: [email protected]

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Jornalista, Especialização e Mestrado em Planejamento e Administração do Desenvolvimento Regional, Doutorado e Pós.doc em Ciências da Comunicação pela USP. Estudiosa do Envelhecimento e Longevidade desde 2000. É docente da PUC-SP. Coordena o grupo de pesquisa Longevidade, Envelhecimento e Comunicação, e é pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa do Envelhecimento (NEPE), ambos da PUC-SP. CEO do Portal do Envelhecimento, Portal Edições e Espaço Longeviver. Integrou o banco de avaliadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – Basis/Inep/MEC até 2018. Integra a Rede Latinoamericana de Psicogerontologia (REDIP). E-mail: [email protected]

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