Vacinar é um ato individual com consequências coletivas

Vacinar é um ato individual com consequências coletivas

Precisamos, como sociedade, nos preparar não só para viver mais, mas para viver melhor. Daí a importância da proteção silenciosa das vacinas.


Umane (*)

A Semana Mundial de Imunização é celebrada entre os dias 24 e 30 deste mês. Promovida pela OMS, a campanha, que em 2026 tem como tema “Para cada geração, as vacinas funcionam“, reforça a importância das vacinas para pessoas de todas as idades. O Brasil é referência mundial no assunto, em grande medida em função do Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado em 1973, que garante a distribuição gratuita e universal de imunizantes pelo SUS em todo o território nacional e viabilizou feitos históricos, como a erradicação da varíola, da poliomielite e da rubéola. No entanto, anos recentes registraram quedas significativas nas coberturas vacinais em praticamente todas as faixas etárias, transformando uma conquista histórica em um risco crescente para a saúde pública.

O Anuário VacinaBR 2025, elaborado pelo Instituto Questão de Ciência (IQC) em parceria com o Unicef e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), evidencia a dimensão dessa crise: todas as doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche permanecem abaixo da meta nacional, com cobertura de 81,9% até a terceira dose e de apenas 65,5% considerando o segundo reforço. Parte da queda está associada a movimentos de desinformação e fake news, que polarizaram politicamente um instrumento do bem-estar coletivo.

A vacina age de forma silenciosa, protege sem que sua ausência seja percebida, o que leva parte da população a acreditar que não precisa mais se vacinar, justamente porque as doenças que ela previne parecem distantes. Doenças consideradas controladas podem ressurgir rapidamente quando a imunidade coletiva se enfraquece, como demonstram os surtos de sarampo registrados no Brasil, com 38 casos em 2025.

O Anuário VacinaBR 2025 aponta que, em cinco estados brasileiros, a taxa de abandono da vacina contra o sarampo foi superior a 50%, ou seja, mais da metade das crianças não retornou para completar o esquema vacinal. Esse abandono não é sempre uma escolha: é também consequência de obstáculos operacionais, desigualdades regionais e vulnerabilidade socioeconômica.

O desafio da imunização atravessa todas as fases da vida

A baixa adesão não se restringe ao calendário infantil. A vacina contra a gripe, recomendada anualmente para idosos, gestantes e crianças, atingiu cobertura de apenas 41,28% da população-alvo em 2025, menos da metade da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Nenhum estado brasileiro alcançou o patamar esperado, evidenciando que o desafio da imunização atravessa todas as fases da vida e exige atenção contínua, não apenas nos primeiros anos.

Estudo conduzido pelo Hospital Israelita Albert Einstein no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS) assinala que pacientes que tiveram um Acidente Vascular Cerebral (AVC) se beneficiam mais da imunização contra gripe, reduzindo em até 20% o risco de morte e novas hospitalizações por complicações cardiovasculares ou cardiorrespiratórias.

Confira abaixo as vacinas da pessoa idosa

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Diante desse cenário, a articulação entre gestores, profissionais de saúde e sociedade civil é central para retomar a vacinação como uma prática mais presente na rotina da população. Para garantir um esforço conjunto bem-sucedido, algumas iniciativas são essenciais, como ampliar a busca ativa de não vacinados, integrar os sistemas de informação em saúde e fortalecer campanhas de comunicação baseadas em evidências, além da ampliação de pontos e horários de vacinação.

Vacinar é um ato individual com consequências coletivas. O enfraquecimento da cobertura vacinal em qualquer faixa etária fragiliza a proteção de todos, especialmente os mais vulneráveis.

Para Thais Junqueira, superintendente-geral da Umane, “a vacinação é, antes de tudo, um pacto coletivo. Ela expressa nosso senso de comunidade, de cuidado mútuo e está amplamente disponível e acessível a toda a população. Da mesma forma que reconhecemos a importância do calendário vacinal materno-infantil para moldar um ciclo de vida saudável, a vacinação da pessoa idosa é igualmente essencial como proteção de autonomia, qualidade de vida, prevenção de agravamentos e redução de hospitalizações. Precisamos, como sociedade, nos preparar não só para viver mais, mas para viver melhor.”

(*) Fonte: Umane – organização da sociedade civil, isenta e sem fins lucrativos, cujo propósito é fomentar a saúde pública de forma sistêmica, ampliando sua equidade, eficiência e qualidade para todos que vivem no Brasil.

Foto de Tara Winstead/Pexels


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