Começará o horário eleitoral em breve. Será que teremos trilhas sonoras parecidas com “Bolero” de Ravel, do tipo de perguntas sem respostas?
A cada dois anos, a história se repete com as eleições. Nesse período, costumo perguntar se alguém conhece candidaturas que apoiam a causa da pessoa idosa, apresentando propostas de políticas públicas e de aportes orçamentários para sua execução. O silêncio tem sido grande.
Em 2026, nova eleição. Logo, com o período eleitoral à toda, oficialmente quem se candidatará poderá falar sobre o tema, dentro da formalidade que a importância da causa requer.
CONFIRA TAMBÉM:
Recente estudo do IBGE se tornou base para matérias jornalísticas que tratam do envelhecimento populacional no Brasil.
Entre elas, uma do portal UOL, cuja manchete diz: “IBGE: Sobe número de idosos no país, e população que mora só mais que dobra”. Assinada pelos jornalista Uesley Durães, Igor Ribeiro e Lucas Almeida, datada de 17/04/2026, a matéria apresenta uma relação entre mais pessoas idosas vivendo sozinhas. É uma realidade nacional.
Diz o texto:
“Em 2025, 16,6% da população brasileira tinha 60 anos ou mais. A população com menos de 30 anos, por outro lado, caiu de 49,9% em 2021 para 41,4% em 2025. A Pnad Contínua mostra que os brasileiros estão vivendo mais, com estreitamento da base da pirâmide etária e alargamento do topo, com mais pessoas idosas”
Então, agora a pergunta fica mais específica. Ou, melhor: temos mais uma pergunta. Agora é saber se haverá candidaturas que apoiam a causa de pessoas idosas que moram sozinhas, apresentando propostas de políticas públicas e de aportes orçamentários para sua execução.
Infelizmente, são raríssimas exceções. Devem até existir bons exemplos, mas acabam ofuscados pela gigantesca maioria de representantes políticos de norte a sul e de leste a oeste do país.
É premente, é urgentíssimo, é indispensável termos novos posicionamentos na agenda pública (e também privada) para pessoas idosas no Brasil. O marasmo é danoso, prejudicial à qualidade de vida. Mais do que isto, coloca pessoas em risco de morte, entre aquelas que têm menos acesso aos serviços públicos com qualidade.
Já que as “Idosas são maioria entre as mulheres que moram sós”, elas se tornam então um público prioritário para políticas públicas. Habitação, saúde, previdência (para tantas, trabalho também), segurança pública, transporte público, desporto e lazer, cultura, educação até. Afinal, o que deveria impedir uma mulher idosa, que vive só, voltar a estudar (ou começar a estudar) se ela tem interesse?
Viver só é, por vezes, uma necessidade imperiosa, não necessariamente uma escolha pessoal. Por outro lado, o convívio social como nos projetos de centros-dia que deveria estar mais e melhor espalhados pelo Brasil se tornam uma alternativa para qual agente político, candidato nas eleições? Ou então, repúblicas de pessoas idosas, com condições de viverem só, mas próximas de outras pessoas idosas?
Tenho a vivência familiar de quem usufruiu de serviços de centro-dia para pessoas idosas e que sente-se muito bem e mais feliz em ter novas amizades, após um óbito no casal. Entretanto, nem todas as pessoas tem tal oportunidade.
Começará o horário eleitoral em breve. Será que teremos trilhas sonoras parecidas com “Bolero” de Ravel, do tipo de perguntas sem respostas?
Foto de Werner Pfennig/Pexels
