Na velhice, a perda da autonomia é a necessidade de maior cuidado.
Cada vez mais encontramos pessoas que vivenciam a velhice que não têm filhos e permanecem solteiras, nem sempre participantes de comunidades de apoio. Por outro lado, encontramos pessoas que podem contar com o suporte de familiares, amigos e serviços comunitários, situação que encontram ao aderir à convivência com esses grupos. Na pesquisa intitulada Voando Só – experiências de idosos que envelhecem sozinhos, desenvolvida pela organização americana Mather Institute, foi verificada a diferença na qualidade de vida de pessoas idosas solitárias e entre as que são apoiadas pela presença familiar, em especial de filhos, ou por redes de apoio alternativas, com as quais possam contar.
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“Este estudo explora as diferenças na forma como os idosos sozinhos e “apoiados”, com 55 anos ou mais, planejam abordar as necessidades e preocupações associadas ao envelhecimento. Os idosos apoiados são casados ou têm um relacionamento de longo prazo, não moram sozinhos e/ou têm filhos adultos com quem podem confiar. Ao identificar as necessidades específicas dos idosos solitários, os gestores políticos, os prestadores de cuidados de saúde e as organizações comunitárias podem desenvolver serviços específicos e apoiá-los.“
Para ambos os grupos as preocupações são semelhantes e dizem respeito à sua autonomia. A perda da capacidade funcional e/ou cognitiva representa a necessidade de maior cuidado, normalmente prestado por outras pessoas, mas nem todos planejam por considerarem a permanência na própria casa.
“Mais de metade tomou medidas, incluindo discutir os seus desejos futuros com amigos e familiares, confiar documentos importantes a alguém e combinar o destino dos seus bens. Mais de metade planeja desenvolver um plano financeiro, identificar potenciais habitações futuras e identificar cuidadores no futuro.“
A pesquisa concluiu que há estratégias de apoio para a manutenção da capacidade dos idosos solteiros de envelhecer bem, sendo elas:
“Concentrar-se na manutenção e melhoria da saúde física para ajudar a retardar a necessidade de níveis mais elevados de cuidados no futuro. (…) Envolver-se em atividades de autocuidado para aumentar e manter o bem-estar psicológico. (…) Estabelecer um plano para o futuro, incluindo considerações financeiras e jurídicas, necessidades de habitação e redes de apoio. (…) Cultivar uma forte rede de apoio social de amigos, vizinhos e membros da comunidade.“
A manutenção da autonomia exige que haja condições de moradia saudável e equipada para oferecer o suporte necessário para evitar quedas, proporcionar noites de sono restaurador, facilidade de manutenção tanto na limpeza quanto na organização, mobiliário adequado e o necessário para oferecer bem-estar e conforto, além da possibilidade de praticar hobbies e atividades prazerosas.
Os contatos sociais dependerão da proximidade de pessoas positivas, capazes de manter um ambiente de solidariedade e qualidade nos relacionamentos. Planejar o futuro pode garantir qualidade de vida na velhice, mesmo morando só.
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