A moradia é o lugar de vida mais importante para quem já tem muitas experiências para contar.
Quando o tema da moradia na velhice é abordado, frequentemente há duas perspectivas: ficar na própria casa com seus objetos de longa data ou transferir-se para um residencial coletivo. No Brasil temos poucas alternativas e muito do mesmo. A ideia de criar espaços que remetam a histórias de vida já não convence mais, porque quem muda para um residencial não pretende estar na “casa da vovó”.
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Por outro lado, é preciso considerar que a continuidade da vida determina que novas experiências venham acompanhadas de mudanças que apoiem essas oportunidades. Portanto, providenciar ajustes convenientes para novas necessidades e desejo.
De acordo com Martin Henkel, da SeniorLab mercado & consumo 60+, a jornada pessoal de pessoas idosas deve usufruir de produtos e serviços adequados para o consumo, assim como é importante a comunicação que se estabelece entre o consumidor e o produto ofertado.
A comunicação plena com o cliente/paciente 60+ também depende (…) do tipo de voz. (…) Existem tipos de vozes que não funcionam para este público e a explicação é simples: a partir dos 50 anos, a nossa audição perde algumas frequências e isto se intensifica após os 60 anos. Não se trata de surdez e, sim, de menos sensibilidade aos sons agudos e às vozes são combinações de frequências. As mais graves são as mais adequadas para o perfeito entendimento deste cliente/paciente.
A tecnologia tem oferecido equipamentos e processos que facilitam e aprimoram atividades da vida diária. Muitos podem favorecer o uso por comandos de voz, sem depender de sistemas de acionamento ao toque. Mas talvez a questão mais importante seja preparar a moradia para teleatendimentos, possibilitando consultas farmacêuticas, médicas ou de orientações gerais.
De acordo com a arquiteta Mariana Mie Chao, criar compartimentos com os instrumentos relacionados a esses momentos cria o espaço organizado para que funcione em contatos à distância. Móveis proporcionais, acústica adequada e organização, aliados a produtos e serviços cuidadosamente estudados para o público idoso, certamente proporcionam boas experiências nas histórias de vida.
Não devemos descuidar do “ajuste fino” que podemos aplicar em todas as interfaces de contacto para uma User eXperience 60+ o mais perfeita possível e que ultrapassa as interfaces web e digitais, avançando especialmente nas interfaces de comunicação interna e especialmente na interface pessoa-pessoa.
Para que os serviços oferecidos a pessoas idosas tenham efetividade é importante que atendam aos princípios amigáveis de desenho e possam ser consumidos com facilidade. Produtos adequados, tangíveis ou não, compõem as rotinas de quaisquer pessoas, mas têm seus usos ainda mais bem assimilados quando oferecidos com o cuidado de atender às demandas das pessoas mais velhas. Afinal, a moradia é o lugar de vida mais importante para quem já tem muitas experiências para contar.
Foto destaque de Kampus Production/pexels
