Livro revela como gênero, raça, classe e idade se entrelaçam na produção de violências que atingem de forma mais intensa velhas, sobretudo negras e pobres.
A violência contra mulheres idosas, muitas vezes invisibilizada ou naturalizada, ganha centralidade neste livro que analisa o envelhecimento a partir das desigualdades estruturais que marcam a sociedade brasileira. Tomando como pano de fundo o contexto neoliberal, o livro Cuidado e (des)proteção social à velhice: violência contra mulheres velhas e as expressões da necropolítica, de Ingrid Rochelle Rêgo Nogueira, revela como gênero, raça, classe e idade se entrelaçam na produção de violências que atingem de forma mais intensa mulheres velhas, sobretudo negras e pobres.
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Ao longo da obra, o envelhecimento é apresentado como uma experiência plural, distante da ideia de uma velhice universal e homogênea. A partir dessa perspectiva, a autora demonstra que as trajetórias de vida, marcadas por opressões, trabalho precarizado, sobrecarga de cuidados e acesso desigual a direitos, repercutem diretamente na forma como se envelhece e nas possibilidades de proteção social na velhice.
Ingrid Rochelle Rêgo Nogueira destaca que nesse cenário, a violência não se restringe às agressões intrafamiliares, mas se manifesta também de maneira estrutural e institucional, por meio da negligência do Estado, da burocratização dos serviços e da ausência de políticas públicas efetivas de cuidado, em uma perspectiva de necropolítica, a partir da qual determinadas vidas são consideradas menos importantes e até mesmo descartáveis.
Envelhecer tem sido um direito garantido a todas as pessoas? Quem acessa cuidados e de que forma? Quais os limites entre negligência e desproteção social? Como violência interpessoal e violência estrutural se relacionam e se manifestam na vida das mulheres idosas? Essas questões são debatidas na obra, por meio de uma análise gerontológica, crítica e feminista.
Corpos velhos, femininos, racializados e empobrecidos aparecem como aqueles mais expostos à negligência, à institucionalização forçada, à solidão e à violação de direitos. A pandemia intensificou esse quadro, aprofundando o idadismo, ampliando violências e reforçando discursos que responsabilizam as próprias pessoas idosas por suas condições de vida.
A pesquisa que sustenta a obra é de caráter documental e qualitativo, baseada na análise de denúncias de violência contra mulheres idosas. Ao tratar os documentos como produções atravessadas por relações de poder, Ingrid Rochelle Rêgo Nogueira articula histórias individuais a processos sociais mais amplos, revelando como situações aparentemente isoladas expressam a precarização das políticas sociais, o familismo e o avanço do neoliberalismo sobre o direito ao envelhecimento digno e ao cuidado.
Por fim, a autora reafirma a necessidade de compreender a violência contra mulheres idosas como expressão de um projeto societário excludente, que hierarquiza vidas e redefine o cuidado como mercadoria ou responsabilidade individual.
Ao propor uma leitura interseccional e crítica, a obra contribui de maneira significativa para o debate sobre envelhecimento, gênero e direitos humanos, defendendo a urgência de políticas públicas universais de cuidado, da responsabilização do Estado e do enfrentamento das múltiplas opressões que marcam as velhices femininas no Brasil, reforçando que envelhecer com dignidade é uma questão coletiva, social e política.

Serviço
Livro: “Cuidado e (des)proteção social à velhice: violência contra mulheres velhas e as expressões da necropolítica“
Autora: Ingrid Rochelle Rêgo Nogueira
Editora: Dialética
Ano: 2025
Páginas: 244
Onde encontrar o livro: Dialética e Amazon
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