Golpes financeiros na velhice provocam vergonha, medo, culpa…, revela estudo

Golpes financeiros na velhice provocam vergonha, medo, culpa…, revela estudo

Estudo revela as razões pelas quais pessoas idosas continuam mais vulneráveis a golpes financeiros, e mostra que as estratégias de prevenção deixam muito a desejar.


O aumento do golpe financeiro dirigido a pessoas idosas tem mobilizado pesquisadores em diferentes países, e uma revisão recente realizada na Argentina pelas pesquisadoras Mariana Mansinho, Solange Elizabeth Val, Julia Vidotto Pazos e Valeria Mabel Bourlot, buscou compreender as múltiplas dimensões desse fenômeno.

Reunindo estudos internacionais e produções locais, a pesquisa recém publicada na Revista Kairós-Gerontologia, analisa definições, fatores de risco, aspectos cognitivos, vulnerabilidades situacionais e as consequências emocionais e sociais dessa forma de violência, que muitas vezes permanece invisível até mesmo no âmbito familiar.

Existe um perfil típico de quem cai em golpes financeiros na velhice?

A pesquisa indica que não há um perfil único, ainda que alguns fatores se repetem: o isolamento social, confiança excessiva, dificuldades no uso de tecnologias, impulsividade na tomada de decisões e a presença de deterioro cognitivo leve. Ainda assim, o estudo reforça que a vulnerabilidade é menos uma característica individual e mais uma condição produzida por contextos específicos.

Situações de urgência, pressão emocional ou narrativas manipulativas bem estruturadas podem expor qualquer pessoa idosa a golpes, mesmo aquelas que habitualmente demonstram cautela.

A literatura também apresenta o chamado “efeito positividade”, tendência associada ao envelhecimento que leva a privilegiar informações emocionalmente positivas, reduzindo a atenção a sinais de ameaça e, consequentemente, o ceticismo diante de interações suspeitas.

E qual é o papel do funcionamento cognitivo nesses casos?

As pesquisas analisadas pelo estudo apontam que pessoas com deterioro cognitivo leve têm maior dificuldade para reconhecer riscos, perceber inconsistências e inibir respostas impulsivas, o que amplia a chance de revitimização.

A escolaridade aparece como variável ambígua, embora possa funcionar como proteção em alguns cenários, não elimina o risco quando não há formação financeira e digital compatível com as novas modalidades de fraude.

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Já as redes de apoio social emergem como fator protetivo, pois reduzem o isolamento e aumentam a possibilidade de que comportamentos suspeitos sejam identificados por alguém próximo antes que o golpe se concretize.

O estudo conclui que a fraude financeira na velhice provoca impactos, vergonha, medo, retraimento social e hesitação em denunciar, muitas vezes agravados pela percepção de culpa que recai sobre a vítima ao mesmo tempo.

A pesquisa conclui também que há escassez de estudos que acompanhem essas pessoas ao longo do tempo, o que limita a compreensão dos efeitos duradouros dessa violência.

Ou seja, o estudo reforça a necessidade de políticas públicas de prevenção que articulem alfabetização digital e financeira, formação de profissionais e fortalecimento das redes comunitárias.

Leia o artigo completo disponível em:
Mansinho, M., Val, S. E., Vidotto Pazos, J., & Bourlot, V. M. (2025). El fraude financiero en las personas mayores. Una revisión teórica y aportes empíricos desde investigaciones locales. KAIRÓS-GERONTOLOGIA, 28(2). https://doi.org/10.61583/kairs.v28i2.162

Foto de Kampus Production/pexels.


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