Realizar atividades cognitivamente estimulantes ao longo da vida pode fortalecer a reserva cognitiva e atenuar um possível declínio no futuro.
A estimulação cognitiva pode ser iniciada em qualquer idade antes de qualquer declínio cognitivo, como uma ação de prevenção. Em outras palavras, realizar atividades cognitivamente estimulantes ao longo da vida pode fortalecer a reserva cognitiva e atenuar um possível declínio no futuro.
CONFIRA TAMBÉM:
É o que revela um estudo recém-publicado que teve como foco a promoção da saúde cognitiva e do humor de pessoas idosas com cognição normal. A pesquisa, realizada em parceria entre o Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP; curso de Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo; e o Instituto SUPERA (que financiou o estudo), demonstrou que intervenções preventivas de longa duração são viáveis e poderiam ser replicadas a nível nacional.
O estudo acompanhou 207 participantes idosos saudáveis ao longo de 24 meses. Os participantes foram alocados aleatoriamente em três grupos: grupo de estimulação cognitiva (participou do método SUPERA por 18 meses), grupo controle ativo (recebeu informações sobre envelhecimento e saúde pelo mesmo período) e o grupo controle passivo (apenas realizou as avaliações). O estudo teve como objetivo avaliar o impacto de um programa de estimulação cognitiva estruturada ao longo de 18 meses.
Aspectos importantes da intervenção são: abordagem multicomponente que envolve o uso de ábaco (calculadora milenar de uso manual), exercícios com lápis e papel, jogos de cartas e de tabuleiro, dinâmicas em grupo e uma plataforma de jogos cognitivos online para a realização de exercício em casa.
Após a participação, entre os participantes da estimulação cognitiva, observou-se benefício em funções executivas, que envolvem habilidades como planejar, tomar decisões, resolver problemas e realizar tarefas cotidianas. A estimulação cognitiva também ajudou a reduzir a percepção de declínio na cognição, o que pode diminuir o risco de evolução para quadros mais graves, como o comprometimento cognitivo leve e a demência. Também houve melhora da percepção da qualidade de vida e na redução dos sintomas depressivos entre os participantes que realizaram a estimulação cognitiva.
O grupo de pesquisa pretende adaptar o método e avaliá-lo em pessoas idosas de baixa escolaridade e em pessoas com comprometimento cognitivo leve.
O estudo foi liderado pela pesquisadora Profa. Dra. Thais Bento Lima-Silva, em parceria com as professoras Dra. Sonia Brucki e Dra. Mônica Yassuda. Contou com a participação de estudantes do curso de Gerontologia e gerontólogos devidamente treinados na área de estudos científicos e de intervenções cognitivas para pessoas idosas.
O artigo científico completo“SUPERA® Cognitive Stimulation Study – effectiveness of a multi-component cognitive stimulation program for cognitively unimpaired older adults: A randomized controlled clinical trial”, de Thais Bento Lima da Silva, Tiago Nascimento Ordonez, Gabriela dos Santos, Laydiane Alves Costa, Ana Paula Bagli Moreira, Diana dos Santos Bacelar, Maria Antónia Antunes Fernandes, Sabrina Aparecida da Silva, Mônica Sanches Yassuda e Sonia Maria Dozzi Brucki.
O artigo encontra-se disponível no link a seguir: https://www.intpsychogeriatrics.org/article/S1041-6102(25)00416-8/fulltext
Foto de Kampus/Pexel.
