Distribuição por sexo e idade da população idosa do Brasil e de São Paulo

Distribuição por sexo e idade da população idosa do Brasil e de São Paulo

Observamos uma transição para uma sociedade cada vez mais urbana, envelhecida e feminina.


A dinâmica demográfica brasileira no século XXI está se transformando completamente em relação ao que predominou nos primeiros 500 anos da história do país. Anteriormente, o Brasil era predominantemente um país rural, jovem e masculino. No entanto, estamos observando uma transição para uma sociedade cada vez mais urbana, envelhecida e feminina. Notavelmente, as megalópoles são as áreas mais femininas.

O censo demográfico de 2010 indicou uma população total de 190,8 milhões de habitantes no Brasil, sendo 93,4 milhões de homens (49,0% do total) e 97,3 milhões de mulheres (51,0% do total). O censo demográfico de 2022 indicou uma população total de 203 milhões de brasileiros, sendo 98,5 milhões de homens (48,5% do total) e 104,5 milhões de mulheres (51,5% do total). Portanto, o Brasil ficou um pouco mais feminino entre 2010 e 2022.

A figura abaixo apresenta as pirâmides populacionais para a população idosa (60 anos e mais de idade) do Brasil em 2010 e 2022. A população idosa era de 20,6 milhões em 2010 (representando 10,8% da população total) e passou para 32,1 milhões de idosos em 2022 (representando 15,8% da população total).

Porém, a proporção de mulheres entre os idosos é muito maior do que a proporção prevalecente na população total. A pirâmide da população idosa de 2010 indica que havia 9,2 milhões de homens (44,5% do total de idosos) e 11,4 milhões de mulheres (55,5% do total de idosos). A pirâmide da população idosa de 2022 indica que havia 14,2 milhões de homens (44,3% do total de idosos) e 17,9 milhões de mulheres (55,7% do total de idosos).

Isto ocorre por dois motivos. Na população total, a proporção de homens é maior até por volta de 25 anos, pois nascem mais homens do que mulheres, gerando uma razão de sexo predominantemente masculina. Todavia, as mulheres possuem menores taxas de mortalidade e maior expectativa de vida e passam a predominar nos grupos etários acima de 25 anos. Entre 2010 e 2022 a proporção de mulheres na população brasileira idosa ficou praticamente estável em torno de 55,6%.

Quanto mais se avança nas idades da pirâmide populacional, maior é a proporção de mulheres.  O número de pessoas com 100 anos ou mais de idade, no Brasil, foi de 37,8 mil centenários em 2022, sendo 10,6 mil homens (28%) e 27,2 mil mulheres (72%).

Dois gráficos no formato de pirâmide populacional

Cidade de São Paulo

Na cidade de São Paulo, o censo demográfico de 2010 indicou uma população de 11,3 milhões de habitantes, sendo 5,33 milhões de homens (47,4%) e 5,9 milhões de mulheres (52,6%). O censo demográfico de 2022 indicou uma população total de 11,45 milhões de habitantes, sendo 5,4 milhões de homens (47%) e 6,1 milhões de mulheres (53%). Portanto, a grande megalópole brasileira ficou um pouco mais feminina entre 2010 e 2022, passando de 52,6% para 53%.

A figura abaixo apresenta as pirâmides populacionais para a população idosa (60 anos e mais de idade) da cidade de São Paulo, em 2010 e 2022. A população idosa era de 1,338 milhão em 2010 (representando 11,9% da população total) e passou para 2,02 milhões de idosos em 2022 (representando 17,7% da população total).

A pirâmide da população idosa de 2010 indica que havia 536 mil homens (40,1% do total de idosos) e 802,1 mil mulheres (59,9% do total de idosos). A pirâmide da população idosa de 2022 indica que havia 814 mil homens (40,2%) e 1,21 milhão de mulheres (59,8%). Portanto, a proporção de mulheres entre os idosos de São Paulo é muito maior do que a proporção prevalecente no conjunto da população paulistana. Porém, entre 2010 e 2022, a proporção de mulheres na população paulistana idosa ficou praticamente estável.

Quanto mais se avança nas idades, maior é a proporção de mulheres.  O número de pessoas com 100 anos ou mais de idade, na cidade de São Paulo, em 2022, foi de 1.761 centenários sendo 337 homens (19,1%) e 1.424 mulheres (80,9%).

Dois gráficos de pirâmide populacional

Embora haja semelhanças entre o processo de envelhecimento e feminilização do topo da pirâmide populacional, tanto no Brasil, quanto na cidade de São Paulo, o fenômeno é mais intenso no território paulistano. Isto fica claro na figura abaixo que sobrepõe a pirâmide de São Paulo (colunas coloridas) sobre a pirâmide do Brasil (colunas cinzas no fundo).

Nota-se que, no lado esquerdo, a percentagem de homens paulistanos em quase todos os grupos etários é menor que a percentagem brasileira.  Contudo, no lado direito, a proporção de mulheres paulistanas é menor do que das mulheres brasileiras até os 40 anos e a proporção de paulistanas é bem maior do que a proporção de brasileiras a partir dos 45 anos. Como visto anteriormente, em 2022, havia 55,7% de mulheres entre os idosos brasileiros e 59,8% de mulheres entre os idosos paulistanos.

Um gráfico da pirâmide populacional de SP

De modo geral, por conta da maior expectativa de vida ao nascer, as mulheres são maioria entre a população idosa das cidades, dos estados e do país. Mas a proporção feminina é maior nas grandes cidades devido ao processo de migração, pois o fluxo rural-urbano é predominantemente feminino. As grandes cidades oferecem maiores opções de trabalho, de estudo, de saúde e de vida para as mulheres.

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O aumento da proporção de idosos e a elevação da proporção de mulheres entre a população do topo da pirâmide será a principal característica da dinâmica demográfica brasileira, em todas as suas escalas geográficas, mas especialmente nos grandes centros urbanos. O desafio será garantir o envelhecimento saudável e ativo para a maior proporção possível do conjunto das pessoas idosas.

Referências
ALVES, JED. As ondas do envelhecimento populacional no Brasil, Portal do Envelhecimento, 18/05/2022. https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/as-ondas-do-envelhecimento-populacional-no-brasil/

ALVES, JED. O envelhecimento do envelhecimento no Brasil e no mundo, Portal do Envelhecimento, 30/08/2022  https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/o-envelhecimento-do-envelhecimento-no-brasil-e-no-mundo/

ALVES, JED. O 3o bônus demográfico e o direito ao trabalho da população idosa, Portal do Envelhecimento, 25/07/2023 https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/o-3o-bonus-demografico-e-o-direito-ao-trabalho-da-populacao-idosa/

ALVES, JED. O rápido envelhecimento populacional do Brasil, Portal do Envelhecimento, 28/10/2023. https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/o-rapido-envelhecimento-populacional-do-brasil/

ALVES, JED. Como os países podem enriquecer e envelhecer ao mesmo tempo, Portal do Envelhecimento, 18/10/2023 https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/como-os-paises-podem-enriquecer-e-envelhecer-ao-mesmo-tempo/

ALVES, JED. A janela de oportunidade está se fechando e como enriquecer e envelhecer ao mesmo tempo, Revista Longeviver, Nº 21, Ano VI – Jan/Fev/Mar, 2024. https://revistalongeviver.com.br/index.php/revistaportal/issue/view/90/showToc

Foto de cottonbro studio/pexels.


curso antroposofia

José Eustáquio Diniz Alves

Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE/IBGE. Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: [email protected]. Link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382E-mail: [email protected]

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