Como as pessoas idosas com doenças infecciosas são acolhidas em ILPIs?

Como as pessoas idosas com doenças infecciosas são acolhidas em ILPIs?

Pessoas idosas foram contaminadas nos anos 80, e sofrem com a sorofobia


Instituições de Longa Permanência para Idosos – ILPIs – são soluções de moradia coletiva para pessoas que necessitam de cuidados mais intensivos, especialmente quando não podem contar com o suporte familiar. Por diversos motivos a família pode ter dificuldades para atender seu parente idoso com dignidade, seja por estarem dedicadas ao trabalho ou, até mesmo, por não saber como prestar o atendimento necessário. Portanto, o encaminhamento à moradia institucional possibilita esse cuidado, mas há sempre a necessidade de apresentar a real condição de saúde do novo morador.

A infecção pelo vírus HIV apareceu no Brasil na década de 1980, sendo inicialmente identificada como doença sexualmente transmissível. Porém, também foi disseminada entre hemofílicos, passando a surgir também em mulheres em casamentos monogâmicos e, depois, em crianças cujas mães adquiriram o vírus. Outro meio de contaminação foi o compartilhamento de agulhas entre usuários de drogas, aumentando exponencialmente o número de casos quando pouco se sabia sobre a doença. Aos poucos o esclarecimento trouxe soluções, através de medidas preventivas e, depois, tratamentos adequados, o que permite viver normalmente, mesmo sendo soropositivo.

Muitas pessoas idosas hoje foram contaminadas nesse período e, apesar disso, vivem muito bem e com a doença controlada. Porém, ainda pode haver certo preconceito quanto aos riscos e essa informação, apesar de privativa, surge na avaliação das rotinas com medicamentos quando são encaminhadas para moradias institucionais. O ativista Diego Felix Miguel chama a atenção quanto ao respeito merecido por essas pessoas:

A intersecção do idadismo, que é o preconceito e discriminação pela idade, com a sorofobia, que é a aversão contra pessoas vivendo com HIV, representa um dos grandes desafios enfrentados por profissionais que atuam com idosos e se empenham em reforçar as boas práticas em Geriatria e Gerontologia.

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Seja por preconceito ou por ignorância, pode haver resistência para receber pessoas idosas nessa condição. É preciso respeitar o sigilo dessas informações, acolhendo efetivamente esses indivíduos, sem julgamento e considerando suas histórias de vida.

Acolhimento, neste contexto, significa o quanto estamos dispostos a eliminar preconceitos. Sabemos que qualquer pessoa sexualmente ativa pode estar sujeita a Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e isso não está associado à promiscuidade, mas à necessidade de repensar os ‘juízos de valores’ baseados em visões conservadoras.

O convívio social depende da manutenção da privacidade desses conviventes. A criação de novos vínculos em outros espaços de vida só será possível se não houver julgamentos maliciosos e com o devido respeito à história de cada pessoa. Assim, certamente haverá acolhimento adequado a todos que necessitam de cuidado.

Foto: Mathias Reding/pexels


Maria Luisa Trindade Bestetti

Arquiteta e professora na graduação e no mestrado da Gerontologia da USP, tem mestrado e doutorado pela FAU USP, com pós-doutorado pela Universidade de Lisboa. Pesquisa sobre alternativas de moradia na velhice e acredita que novos modelos surgirão pelas mãos de profissionais que estudam a fundo as questões da Gerontologia Ambiental. https://sermodular.com.br/. E-mal: [email protected]

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Arquiteta e professora na graduação e no mestrado da Gerontologia da USP, tem mestrado e doutorado pela FAU USP, com pós-doutorado pela Universidade de Lisboa. Pesquisa sobre alternativas de moradia na velhice e acredita que novos modelos surgirão pelas mãos de profissionais que estudam a fundo as questões da Gerontologia Ambiental. https://sermodular.com.br/. E-mal: [email protected]

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