Identificar precocemente o risco de queda é uma das estratégias para a prevenção do incidente.
Por Vitor Pena Prazido Rosa (*)
A queda é definida como “um evento que resulta no repouso inadvertido de um indivíduo no chão ou em um nível inferior à posição inicial”, ou seja, é considerado queda aquela em que a pessoa idosa não chega ir ao chão, se desequilibra e apoia-se em algum objeto ou pessoa. As quedas são a segunda causa de mortes por ferimento acidental ou não intencional em todo o mundo.
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A idade é um dos principais fatores de risco para queda, maior risco de morte ou lesões graves decorrentes desse incidente e o risco de quedas aumenta proporcionalmente ao aumento da idade. Cerca de 20 a 30% das pessoas idosas que caem sofrem lesões moderadas a graves. Pessoas idosas com marcadores de fragilidade têm até 53% mais chances de sofrer quedas recorrentes.
Apesar de fatores ambientais não serem identificados como preditores de quedas, podemos citar os pisos desnivelados, objetos largados ao chão, altura inadequada da cadeira, insuficiência ou inadequação dos recursos humanos, ainda ressalta-se que a mobilidade da pessoa idosa pode ser afetada por esses obstáculos ambientais, provocando quedas, fraturas, hospitalização e até morte, ainda, a incontinência urinária, uso de medicamentos, queda da pressão ao levantar-se (hipotensão postural), entre outros.
O impacto das quedas aumenta com o envelhecimento populacional, configurando-se em um problema de saúde pública, sendo sua prevenção um desafio. Além das quedas de pessoas idosas ocorridas na comunidade, as quedas em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) possuem registros consideráveis, com variações entre 27,5% e 48,5%3,4. Assim, é necessário que as equipes das ILPIs tenham conhecimento sobre os fatores de risco e desenvolvam ações interprofissionais para avaliação do risco e prevenção de quedas. Identificar precocemente o risco de queda é uma das estratégias para a prevenção do incidente.
O Ministério da Saúde, a partir da portaria 529 de 1° de abril de 2013, instituiu o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), para o monitoramento e prevenção de danos relacionados a assistência em saúde. O objetivo geral do PNSP é o de contribuir para a qualificação do cuidado em saúde em todos os estabelecimentos de Saúde do território nacional. Foi estabelecido nove áreas temáticas para construção de protocolos, guias e manuais voltados a segurança do paciente. Dentre essas áreas está a prevenção de quedas.
Escala MFS-B/ILPI
O risco de quedas pode ser monitorado por meio de escalas validadas para este fim, destaca-se a Morse Fall Scale (MFS), que em 2013 foi traduzida e adaptada para o Brasil, denominando-se Morse Fall Scale – versão brasileira (MFS-B). Esta escala permite classificar o risco de cair dos pacientes adultos, a mesma em 2016 foi validada para a utilização em pacientes hospitalizados, e não se tem conhecimento de sua aplicação em Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI). E após uma vasta pesquisa na literatura, percebeu-se que as escalas utilizadas para avaliar o risco nessa população, avaliavam equilíbrio e a marcha, e não o risco que as pessoas idosas tinham de cair.
A MFS-B foi a escala escolhida para a avaliação do risco de quedas no estudo em questão, visto que é uma escala de fácil aplicabilidade por profissionais da saúde capacitados, está disponível em domínio público e é utilizada nacionalmente em grandes hospitais para avaliação do risco de quedas.
A partir desta lacuna de conhecimento, este último aspecto foi o objeto de estudo da dissertação de mestrado de Vitor Pena Prazido Rosa e de sua orientadora, Professora Doutora Janete de Souza Urbanetto, que desenvolveram a pesquisa em duas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), com 172 pessoas idosas. Os dados foram coletados por meio da avaliação direta da pessoa idosa e dados do prontuário. Os resultados apontam para uma boa capacidade de predição de queda pela MFS-B adaptada para pessoas idosas institucionalizadas, com melhor acurácia quando excluído o item “TE/DSH”. Esses resultados fundamentaram a adaptação da MFS-B para cinco itens de avaliação, sendo essa denominada MFS-B/ILPI. Juntamente ao estudo foi realizado a criação de um protocolo do Risco de Quedas para Pessoas Idosas institucionalizadas, além de um sistema de notificações de quedas das pessoas idosas que tiveram queda, para melhor compreender o contexto nas ILPIs.
Este projeto está vinculado a linha de pesquisa “Aspectos Clínicos e Emocionais no Envelhecimento” do Programa de Pós-Graduação em Gerontologia Biomédica da Escola de Medicina da PUCRS e ao Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Segurança do Paciente, da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da PUCRS.
Leia o artigo na íntegra: https://doi.org/10.1590/1981-22562024027.230218.pt
(*) Vitor Pena Prazido Rosa – Enfermeiro, Coordenador da Casa do Instituto do Câncer Infantil (CASA ICI). RT de Enfermagem do Instituto do Câncer Infantil. Mestre em Gerontologia Biomédica Pela Escola de Medicina da PUCRS. MBA em Liderança, Cultura Organizacional e Desenvolvimento PUCPR. Aperfeiçoamento em Cuidados Multidisciplinar Paliativista PUCPR. Especialista em Saúde Pública com ênfase em Saúde da Família. Especialista em Saúde Integrativa pela PUCRS. Especialização em Oncologia Clínica. Especialista em Prática de Terapia Intensiva. Especialista em Urgência e Emergência Adulto/Pediátrica. Instagram: @vitorprazido, @janeteurbanetto, @gipesp, @thianapasa, @taniamagnago.
Foto de Mehmet Turgut Kirkgoz/pexels.
