ANS anuncia para 2012 plano de saúde específico para idosos

Segundo reportagem de Cláudia Collucci, publicada na Folha de S.Paulo, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) criará até o final de 2012 um novo modelo de plano de saúde que vai unir previdência privada e assistência médica.


A proposta visa possibilitar planos mais baratos na velhice, quando os gastos com saúde sobem e a renda cai. Para Leandro Reis, diretor da ANS, a ideia é que a pessoa, ao longo da vida, pague um valor a mais e acumule parte da mensalidade do plano de saúde em um fundo de capitalização.

Enfim, um projeto que beneficia uma população que se vê impotente diante dos elevados custos de medicamentos, internação hospitalar e honorários médicos. Um cenário inviável financeiramente e, ironicamente, numa fase da vida em que mais se precisa de cuidados relacionados a saúde física e emocional.

A reportagem ressalta a situação atual de quem envelhece: após os 60 anos, as mensalidades ficam muito altas e as operadoras até evitam fazer planos para idosos. Algumas não aceitam nem discutir as condições do plano com o cliente. Para tanto, os planos teriam que firmar parcerias com instituições financeiras. “Esse recurso poderia ajudar a custear, parcial ou integralmente, gastos com mensalidade na aposentadoria”, afirma Reis.

Tudo parece muito bem no projeto, entretanto existem questões que ainda precisam de esclarecimentos, impasses difíceis a serem resolvidos: um deles é a renúncia fiscal. A Receita Federal teria de abrir mão de taxar o fundo (hoje o resgate nos fundos é sujeito a alíquotas que vão de 10% a 27,5%).

Além disso, é preciso definir ainda se o valor acumulado pode ser usado para custear despesas médicas em casos de desemprego ou se pode ser resgatado pela família caso o usuário morra antes de usá-lo.

Reis ainda coloca outra questão que é estabelecer preço justo, que cubra gastos atuais e futuros com saúde. “Não tem solução fácil para o setor”, explica Reis.

Não perca nenhuma notícia!

Receba cada matéria diretamente no seu e-mail assinando a newsletter diária!

Com o envelhecimento da população, o percentual de idosos, que hoje representa 10% da população e 25% dos gastos com saúde, deve triplicar até 2050.

Arlindo de Almeida, presidente da Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo) anuncia que a proposta tem o apoio dos planos de saúde. Por outro lado, ele diz que a cultura brasileira pode trazer dificuldades para sua implantação: “Não há entre nós o hábito de previdência privada tão arraigado como lá fora”.

Nos EUA, há um modelo parecido com a proposta da ANS, mas, segundo a agência, o formato do plano brasileiro deve ser único porque as legislações são diferentes. Portanto não há comparação, vivemos situações diferentes, tanto culturais como econômicas.

Paulo José de Barros, diretor-presidente da Unimed Paulistana, conta que, anos atrás, o setor apresentou proposta semelhante, mas a ANS recusou porque criaria vínculo entre usuário e operadora. O projeto era cobrar mensalidade maior de jovens para abater o valor do plano na velhice. Agora, porém, a proposta prevê a portabilidade, ou seja, a pessoa poderá mudar de plano sem prejuízo ao dinheiro poupado no fundo.

Até o novo plano se tornar realidade, há muito o que se discutir. A rede de relações é complexa, já que envolve usuário, operadoras, instituições financeiras, legislação e diversas outras questões que merecem atenção e cuidado na escolha do caminho a ser tomado.

Referências
COLLUCCI, C. (2011). ANS quer plano de saúde específico para idosos. Disponível Aqui. Acesso em 21/11/2011.

Portal do Envelhecimento

Compartilhe:

Avatar do Autor

Portal do Envelhecimento

Portal do Envelhecimento escreveu 4565 posts

Veja todos os posts de Portal do Envelhecimento
Comentários

Os comentários dos leitores não refletem a opinião do Portal do Envelhecimento e Longeviver.

LinkedIn
Share
WhatsApp
Follow by Email
RSS