“Viver separados juntos”: solução para se livrar das responsabilidades do cuidar?

“Viver separados juntos”: solução para se livrar das responsabilidades do cuidar?

A ideia de uma parceria com responsabilidades limitadas de cuidado, como “viver separados juntos”, é favorável para mulheres que temem que o casamento na vida adulta leve a cuidados em tempo integral.

Por Nicole Lehpamer (*)


Buscar e encontrar amor após o divórcio ou a viuvez é uma maneira comum de combater a solidão na velhice. Com maior expectativa de vida, evolução das normas sociais e aumento das taxas de divórcio entre as pessoas com mais de 50 anos, os adultos mais velhos estão descobrindo cada vez mais que se relacionarem de forma menos tradicional pode ser mais favorável. Embora seja um arranjo popular na Europa há mais de duas décadas, um tipo de arranjo de moradia vem ganhando popularidade nos Estados Unidos: “living apart together” (LAT), algo como “viver separados juntos”.  

Esses novos arranjos exibem relacionamentos românticos comprometidos de longo prazo que oferecem o mesmo apoio íntimo e emocional que o casamento ou a coabitação, mas não compartilham (ou pretendem compartilhar) uma casa.  Consequentemente, os parceiros têm responsabilidades mínimas de prestação de cuidados. As mulheres geralmente têm sido responsáveis ​​pelo cuidado familiar de seus filhos, pais e cônjuges durante toda a vida. Assim, a ideia de uma parceria com responsabilidades limitadas de cuidado é particularmente favorável para mulheres que temem que o casamento ou a coabitação na vida adulta em breve levem a cuidados em tempo integral.

É claro que mais pesquisas são necessárias para se descobrir diferenças sociodemográficas naqueles com probabilidade de viver separados juntos. Até o momento as pesquisas realizadas apontam que as pessoas com poder aquisitivo mais elevado são mais propensas a relatar um novo casamento mais tarde na vida. A hipótese levantada pelos pesquisadores é que como aqueles com status socioeconômico mais alto são mais propensos a ter os recursos financeiros necessários para manter famílias separadas, eles também podem ter maior probabilidade de viver separados juntos, cada um na sua casa, ao contrário daqueles que se separam e continuam convivendo no mesmo teto por causa das condições econômicas precárias.

Para os interessados ​​em viver separados juntos, os especialistas aconselham que os parceiros tenham conversas detalhadas sobre suas respectivas expectativas no início de seus relacionamentos. Por exemplo, ambos os parceiros devem expressar seus desejos sobre seus próprios cuidados e refletir sobre quaisquer recursos financeiros ou familiares que possam estar disponíveis como alternativas aos cuidados do parceiro.

Com o objetivo de apoiar as mulheres e mudar os papéis de gênero, os especialistas também afirmam que, embora as mulheres possam ter expectativas culturais e sociais de servir como cuidadoras, elas devem reconhecer que, se desejarem, têm o direito de escolher outros papéis sociais que não aqueles impostos culturalmente pela sociedade. O viver separados juntos pode ser apenas a solução para se livrar dessas responsabilidades de cuidar ao longo da vida!

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(*) Nicole Lehpamer escreve para Mather Institute. Matéria com tradução livre, escrita em 15 de fevereiro de 2022, a partir da seguinte fonte: RUSSO, F. (2021, July 16). Older singles have found a new way to partner up: Living Apart. The New York Times. Retrieved March 1, 2022, from https://www.nytimes.com/2021/07/16/well/family/older-singles-living-apart-LAT.html

Fotos de Alex Green/Pexels


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