Vem aí a 5ª edição do Edital Acadêmico Envelhecer com Futuro: Prepare seu projeto!

Vem aí a 5ª edição do Edital Acadêmico Envelhecer com Futuro: Prepare seu projeto!

A 5ª edição do Edital Acadêmico, que abre suas inscrições no dia 26 de janeiro,  fortalece a pesquisa sobre o Envelhecer com Futuro no Brasil.


O Edital Acadêmico de Pesquisa Envelhecer com Futuro é uma iniciativa do Itaú Viver Mais, em parceria com o Portal do Envelhecimento, voltada ao fomento e à valorização da produção científica sobre envelhecimento no Brasil. As inscrições para a 5ª edição do Edital Acadêmico serão abertas no dia 26 de janeiro e serão encerradas no dia 12 de fevereiro às 18h00 (horário de Brasília). Em breve o regulamento do Edital será divulgado, aguardem.

Em um país que atravessa uma acelerada transição demográfica — e em um contexto de desafios recorrentes ao financiamento público da ciência — o Edital se apresenta como um mecanismo de estímulo à pesquisa qualificada, com potencial de contribuir para o debate público e para a construção de bases técnicas que apoiem políticas públicas e ações sociais relacionadas ao envelhecimento.

A iniciativa consolidou, ao longo de suas edições, uma trajetória de continuidade e ampliação de escopo. Na 1ª edição, foram selecionados 9 projetos. A partir da 2ª edição, o Edital selecionou 10 projetos a cada ano, distribuídos em três categorias (9, 17 e 25 mil).

Esse percurso indica um compromisso não apenas com o fomento, mas com a visibilidade e circulação do conhecimento produzido, a partir dos diversos produtos decorrentes das pesquisas, assim como o Congresso Internacional Envelhecer com Futuro (CIEF) como espaço de apresentação e debate das pesquisas. Essa difusão científica e diálogo ampliado é coerente com uma perspectiva contemporânea de pesquisa em envelhecimento: além do rigor metodológico, ganha centralidade a capacidade de comunicar resultados, ampliar acessibilidade e favorecer o uso social de evidências em diferentes setores (assistência, educação, planejamento urbano, cultura, trabalho, direitos, cuidado e saúde).

Linhas de pesquisa da 5ª edição

As pessoas interessadas deverão inscrever seus projetos em uma das quatro linhas abaixo, formuladas para abranger grandes desafios da longevidade contemporânea:

1) Segurança Financeira e Autonomia: Proteção e Protagonismo: Esta linha reúne estudos voltados às condições que assegurem à pessoa idosa autonomia econômica, capacidade de decisão e exercício pleno de direitos. Abrange desde o desenvolvimento de competências em letramento financeiro e digital até a análise de práticas de consumo, proteção jurídica e planejamento para o cuidado de longa duração. O eixo contempla pesquisas sobre a gestão de recursos, a organização do patrimônio, a participação da pessoa idosa na economia do cuidado e os mecanismos que promovem segurança, protagonismo e reconhecimento social em contextos de crescente complexidade econômica e tecnológica.

Temas de investigação:

a) Letramento financeiro: Pesquisas sobre alfabetização financeira aplicada à velhice, envolvendo como a pessoa idosa compreende e utiliza informações financeiras no cotidiano, gestão de renda, organização financeira pessoal, uso crítico de produtos e serviços financeiros, planejamento de longo prazo e fortalecimento da capacidade de decisão em contextos econômicos complexos.

b) Letramento digital: investigações sobre as competências necessárias para que a pessoa idosa utilize de forma autônoma e segura ferramentas digitais no dia a dia, incluindo o acesso a serviços online, o uso de aplicativos e a navegação em ambientes digitais. A linha abrange estudos sobre barreiras tecnológicas, impactos da exclusão digital e estratégias que ampliem a participação da pessoa idosa em contextos cada vez mais mediados por tecnologia.

c) Protagonismo Financeiro na Velhice: pesquisas sobre o papel econômico e social das contribuições realizadas por pessoas idosas, incluindo trabalhos remunerados, atividades não remuneradas e formas de suporte financeiro visível e invisível no âmbito familiar e comunitário. A linha abrange estudos sobre a participação da pessoa idosa na economia, como o apoio a familiares, a gestão do cotidiano doméstico e a circulação de recursos oriundos de aposentadorias e pensões, analisando seus impactos na organização social, na qualidade de vida coletiva e no reconhecimento do valor econômico dessas contribuições.

d) Proteção de Direitos e o Papel do Consumidor 60+: pesquisas sobre a pessoa idosa como sujeito de direitos nas relações de consumo, abrangendo a análise de práticas comerciais, publicidade, oferta de serviços e produtos financeiros e digitais. A linha contempla estudos sobre a prevenção e o enfrentamento de golpes, fraudes e cobranças indevidas, bem como a efetividade dos instrumentos legais de proteção, como o Estatuto da Pessoa Idosa e o Código de Defesa do Consumidor, na promoção da segurança jurídica, da informação qualificada e da autonomia nas decisões de consumo.

e) Planejamento para o Cuidado de Longa Duração: pesquisas sobre a organização antecipada de recursos financeiros, patrimoniais e assistenciais para situações de dependência funcional na velhice, envolvendo a análise de custos futuros com saúde, apoio domiciliar, serviços de cuidado e adaptações para se envelhecer no lugar onde se vive (aging in place). A linha contempla estudos sobre escolhas informadas quanto aos modelos de cuidado, como envelhecimento em casa e Instituições de Longa Permanência para Pessoas Idosas, considerando viabilidade econômica individual, qualidade de vida, conforto e sustentabilidade do cuidado ao longo do tempo.

2) Diversidade e Interseccionalidade nas Velhices: Esta linha reúne investigações sobre as múltiplas formas de envelhecer no Brasil, considerando como raça, etnia, gênero, sexualidade, território, deficiência e pertencimento cultural atravessam as trajetórias de vida das pessoas idosas. O eixo busca dar visibilidade a sujeitos de direitos historicamente marcados por desigualdades estruturais, analisando como essas intersecções impactam o acesso a políticas públicas, redes de apoio, condições de cuidado, autonomia e reconhecimento social no curso da vida e na experiência da velhice.

Temas de investigação:

a) Velhices Étnico-Raciais: Estudos sobre o envelhecimento de pessoas pretas, indígenas e quilombolas.

b) Velhices LGBTI+: A experiência de envelhecer da população LGBTI+.

c) Territorialidades Negligenciadas: O envelhecer em contextos periféricos, rurais ou em situação de rua.

d) Pessoas com Deficiência (PcD): A longevidade de pessoas que envelhecem com deficiência.

3) Gerações, intergeracionalidade e trabalho: Este eixo reúne pesquisas sobre as dinâmicas intergeracionais no mundo do trabalho e seus efeitos sobre a permanência, a reinserção e a diversificação das trajetórias produtivas de pessoas idosas. A linha abrange estudos sobre enfrentamento ao idadismo, práticas organizacionais etariamente inclusivas e programas intergeracionais, bem como investigações sobre diferentes formas de inserção produtiva, geração de renda e transição para novos papéis sociais.

Temas de Investigação:

a) Intergeracionalidade no Mercado de Trabalho: pesquisas sobre práticas de contratação, permanência e valorização profissional de pessoas 60+, incluindo políticas organizacionais, modelos de gestão etária e estratégias de retenção de talentos e programas intergeracionais. A linha contempla estudos sobre discriminação etária, requalificação profissional e condições que favoreçam trajetórias laborais mais longas, diversas e reconhecidas, bem como a análise de programas, iniciativas e experiências institucionais que promovam ambientes de trabalho intergeracionais, voltados ao enfrentamento do idadismo dentro das organizações, à valorização da troca de experiências entre diferentes faixas etárias e ao fortalecimento de culturas organizacionais etariamente inclusivas.

b) Empreendedorismo, Trabalho e Geração de Renda: investigações sobre as múltiplas formas de inserção produtiva de pessoas idosas, abrangendo não apenas o empreendedorismo, mas também o trabalho formal e informal, a economia solidária, o cooperativismo e outras estratégias de geração de renda, bem como políticas públicas voltadas ao incentivo, à capacitação e à oferta de ferramentas para a preparação para novas ocupações. A linha enfoca a transição para novos papéis sociais e produtivos e o fortalecimento da autonomia econômica.

4) Meio Ambiente e Sustentabilidade: Busca analisar os impactos das mudanças climáticas e da degradação ambiental na pessoa idosa. A linha foca na criação de comunidades e cidades amigáveis à idade que sejam resilientes às mudanças climáticas, promovendo um envelhecimento digno em um planeta em transformação. 

Temas de Investigação:

a) Mudança climática e envelhecimento: Pesquisas sobre como o aumento das temperaturas, as ondas de calor e as desigualdades de moradia afetam os espaços de atividade de pessoas idosas. 

b) Cidades Amigáveis e Sustentáveis: Como o planejamento urbano, a interação das políticas públicas e a intersetorialidade podem integrar soluções para garantir a mobilidade e a sociabilidade da pessoa idosa.

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Edital espera resultados dissemináveis

Ao estruturar um projeto de pesquisa, vale considerar não só o produto acadêmico tradicional (relatório técnico, artigo científico), mas também estratégias de tradução do conhecimento para públicos não especializados — ampliando impacto e utilidade social do estudo. As pessoas interessadas poderão acessar as pesquisas selecionadas em edições anteriores por meio das publicações “Envelhecer com Futuro” (Catálogos de Pesquisas e livros), disponibilizadas gratuitamente no site do Itaú Viver Mais.

Em termos acadêmicos, o Edital se alinha a uma agenda de pesquisa que reconhece o envelhecimento como fenômeno multidimensional e interdisciplinar, no qual se cruzam,  principalmente, determinantes sociais, desigualdades, ambientes e territórios, cultura, tecnologias, organização de serviços, e redes de suporte.

O anúncio da 5ª edição deve ser entendida como oportunidade de estruturar projetos capazes de produzir evidências relevantes para o Brasil contemporâneo: com clareza de contribuição científica, adequação metodológica, atenção à ética em pesquisa e compromisso com difusão responsável dos resultados.

Quem pode participar

O Edital Acadêmico é dirigido a pessoa física com título superior em qualquer área. O o(a) pesquisador(a) pode ser  autônomo(a) ou membro de grupo de pesquisa de instituição privada ou pública. O projeto de pesquisa deve ter um(a) único(a) proponente responsável pela submissão do mesmo, pela sua gestão e entrega dos produtos, mas pode prever até 6 outros(as) pesquisadores membros no projeto. Os pesquisadores participantes e o proponente só poderão concorrer com um único projeto.

Categorias de apoio

O edital tem três categorias de apoio e no momento da inscrição o pesquisador proponente deverá escolher uma das três categorias, comprometendo-se a entregar os produtos demandados para cada uma delas.
Categoria A: Projetos com orçamento de R$ 9.000,00
Categoria B: Projetos com orçamento de R$ 17.000,00
Categoria C: Projetos com orçamento de R$ 25.000,00 (esta categoria exige mais de um pesquisador)

Sobre os projetos de pesquisa

O projeto acadêmico deve ter no mínimo 8 páginas e no  máximo 12,  com Fonte Arial, 12, espaçamento 1,5, e conter: 

Título do projeto de pesquisa

Carta de Intenção (apresentando os motivos que levaram o pesquisador a se interessar pelo tema)

Resumo (descrição dos objetivos, justificativa, metodologia e resultados esperados) com palavras-chave.

Introdução (contendo o motivo que levou à pesquisa, mais o seu problema de pesquisa e as razões que justificam a realização da mesma). 

Objetivos (geral e específicos, ou seja, o que se quer pesquisar e qual é sua contribuição acadêmica para a sociedade).

Justificativa (descrição aprofundada do contexto onde o projeto será realizado, contendo fundamentação teórica).

Metodologia (descrever os caminhos/estratégias de investigação a serem utilizadas para responder os objetivos e que tipo de materiais estão previstos).

Cronograma de execução (detalhado para até 8 meses, duração da pesquisa e suas etapas de evolução).

Planilha orçamentária (com descrição detalhada de despesas).

Resultados esperados (descrever se haverá outros resultados além dos produtos demandados para cada categoria).

Proponente (nome do proponente e minicurrículo). 

Equipe do projeto (descrever se haverá outros participantes da pesquisa, no máximo 6, quem são e qual a contribuição de cada).

Referências (descrever ao final todos os autores citados do projeto nas normas ABNT). 

Com a aproximação da abertura oficial da 5ª edição do Edital Acadêmico Envelhecer com Futuro no dia 26 de janeiro, esperamos que todos os futuros proponentes disponham de tempo e serenidade para a maturação de suas ideias a partir das linhas de pesquisa e temas de investigação propostas. Que este período que antecede o prazo de submissão seja um convite à reflexão sobre o impacto social e a inovação na área da longevidade, permitindo que a elaboração de cada proposta seja profícua. Esperamos que os projetos nasçam de um olhar atento às necessidades do envelhecimento contemporâneo, transformando o rigor acadêmico em soluções tangíveis para um futuro mais inclusivo e digno para todos.

Foto: A pesquisadora Daniele Magnavita apresenta sua pesquisa durante o II Congresso Internacional Envelhecer com Futuro/arquivo Portal do Envelhecimento


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