Pessoas que experimentam com frequência emoções positivas do envelhecimento são mais flexíveis, sociáveis e abertas ao novo. Mais propensas a aceitar e desenvolver maior variedade de estratégias mentais e comportamentais. Inclinadas a terem mais visão do todo e foco no futuro, e Propensas a nutrir mais esperança, objetividade e resiliência.
Priscila Fang Hamaoui (*)
Um tema recorrente entre todos que estudam o processo do envelhecimento é como vê-lo sob uma luz positiva. Todos nós, temos que nos tornar agentes dessa mudança e inovadores, começando por aceitar cada um a própria idade. Este é um desafio e uma oportunidade para todos nós.
Acredito que este deve ser o caminho e é sob esta perspectiva do Envelhecimento Positivo que escrevo este texto a partir do curso Fragilidades na Velhice, ministrado na PUC-SP, no segundo semestre de 2017.
Por que o envelhecimento ainda é visto como um problema nas sociedades?
“Desafiar os estereótipos negativos em torno do envelhecer começa com a gente”, declarou Jo Ann Jenkins, CEO da AARP- Associação Americana que defende os diretos dos Idosos com mais de 50 anos nos tribunais americanos, durante o Congresso Mundial IAGG (Associação Internacional de Gerontologia e Geriatria). Esse Congresso ocorre a cada quatro anos e reúne representantes de disciplinas como medicina, enfermagem e ciências sociais, para abordar as últimas ideias para melhorar a qualidade de vida dos Idosos, em São Francisco /USA.
A esse respeito, Martins e Rodrigues (2004), assinalam que:
“A visão social deturpada a respeito dos idosos resulta do entendimento que a sociedade tem do envelhecimento como um processo que torna as pessoas senis, inativas, fracas e inúteis. Socialmente, esse posicionamento preconceituoso frente ao idoso é resultado de uma representação social gerontofóbica, o que influencia em vários aspectos a vida dos idosos e a visão que eles têm de si mesmos”.
Envelhecimento Positivo. O que isto significa?
Uma vida que dura um século é um presente que poucos de nós estamos preparados para viver. Isso nos forçará a mudar a maneira como planejamos e vivemos todas as facetas da vida.
As sociedades terão que se transformar, os líderes serão obrigados a pensar sobre como as organizações e o governo podem se adaptar a essa mudança e aproveitar o máximo disto.
- Quais são as formas mais eficazes de aumentar a saúde física e mental durante uma vida útil mais longa e mais dinâmica?
- Como você pode aproveitar ao máximo seus ativos intangíveis – como família e amigos – à medida que você constrói uma vida produtiva e mais longa?
- Em uma vida de múltiplos estágios, como você pode aprender a fazer transições tão cruciais e a experimentar novas formas de viver, trabalhar e aprender?
- Será que o pensamento de trabalhar por 60 ou 70, 80 anos vai lhe apavorar? Ou você pode ver o potencial de um futuro mais estimulante como resultado de ter muito mais tempo extra? Muitos de nós fomos criados sobre a noção tradicional de uma abordagem em três estágios para a nossa vida profissional: Educação, seguida de trabalho e depois de aposentadoria.
Mas este caminho bem estabelecido já está começando a colapsar – a expectativa de vida está aumentando. Salário e aposentadorias estão desaparecendo e um número crescente de pessoas está fazendo malabarismos transformando suas carreiras em várias e diferentes carreiras. Se você for, 18, 50 ou 60, você precisará fazer coisas muito diferentes das gerações anteriores e aprender a estruturar sua vida de maneiras completamente novas. Isso ainda assusta a maioria das pessoas.
Segundo estudos realizados pela professora da Universidade de Madri (Espanha), Dra. Rocío Fernández-Ballesteros, a respeito do Envelhecimento Positivo, três principais conclusões devem ser enfatizadas:
- O envelhecimento positivo é um processo de uma vida inteira – do exercício físico à atividade cognitiva – nunca é tarde demais para a introdução de mudanças individuais e políticas públicas que aumentem o desenvolvimento humano e diminuam o risco de declínio e comprometimento. Essas mudanças individuais e as políticas públicas devem levar em consideração a multidimensionalidade implícita no envelhecimento ativo.
- É necessário distinguir múltiplos níveis, isto é, população, comunidade e programas individuais de promoção do envelhecimento ativo. Ao nível da comunidade, as políticas públicas devem promover um envelhecimento positivo na população levando em consideração que nunca é tarde demais para melhorar a saúde e desenvolvimento humano. No nível individual, o envelhecimento positivo deve ser integrado em todo o sistema educacional, a fim de tornar o indivíduo consciente do seu poder e controle.
- Finalmente, o processo de envelhecer bem, ao nível individual, comunitário e populacional, depende do funcionamento complexo da auto-regulação psicológica porque o indivíduo é sempre o agente ativo, no exercício do controle.
Pesquisas mostram que as condições psicológicas e comportamentais para o envelhecimento positivo podem ser treinadas e ser aprimoradas, por cada indivíduo.
As respostas às perguntas de 1 a 4 acima, podem estar no “domínio do bom envelhecimento”?
- Saber ver e acompanhar cada fase da vida adulta com Gratidão, valorizando as coisas boas que acontecem;
- Preparar o corpo: Condicionamento Físico e Nutrição Adequada;
- Auto-aceitação e Crescimento Pessoal: do corpo e do juízo que faço de mim;
- Perceber as vantagens da maturidade;
- Processo cognitivo (modo de perceber e interpretar a si mesmo);
- Emoções positivas;
- Domínio do ambiente (o que posso mudar e o que não posso);
- Relações Sociais Positivas;
- Aprendizagem Contínua
Segundo Martin Seligman e seus 5 pilares do Bem Estar Subjetivo, é isto que devemos cultivar em qualquer fase de nossas vidas, e eu acredito ser estes 5 elementos os que mais devemos cultivar, treinar, e desenvolver quando Idosos:
- Relacionamento
- Emoções Positivas
- Significado
- Engajamento
- Realização
Pessoas que experimentam com frequência emoções positivas são mais flexíveis, sociáveis e abertas ao novo,
Propensas a aceitar e desenvolver maior variedade de estratégias mentais e comportamentais,
Inclinadas a terem mais visão do todo e foco no futuro,
Propensas a nutrir mais esperança, objetividade e resiliência,
Mais habilidosas e realizadas, mais inclinadas a desenvolverem comportamentos, crenças e atitudes que contribuem para elevar a performance,
Maior capacidade de lidar com emoções negativas, dificuldades e problemas,
Sendo assim, para mim, fazer o melhor de uma vida longa, significa ter novas competências de transformação.
- Adquirir novos conhecimentos,
- Ser flexível,
- Explorar novas maneiras de pensar,
- Ver o mundo sob outras e novas perspectivas,
- Deixar ir embora velhos acontecimentos,
- Construir novos relacionamentos sociais.
- Usar o tempo livre para investir em: competências, saúde, relacionamentos e novos propósitos.
Referências
GARCÍA, Rocío Fernández-Ballesteros et al. Envejecimiento con éxito: criterios y predictores. Psicothema, v. 22, n. 4, p. 641-647, 2010.
FREDRICKSON, Barbara: Broaden and Built Theory of Positive Emotions 2000
SELIGMAN, Martin E. P. Felicidade autêntica: Usando a Psicologia Positiva para a realização permanente. 1ª ed . Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.
MARTINS, R. M. L.; RODRIGUES, M. de LM (2004). Estereótipos sobre idosos: Uma representação social gerontofóbica. Millenium. Revista do ISPV, v. 29, p. 249-254.
(*) Priscila Fang Hamaoui é mestra em Relações Públicas com a Comunidade, pós graduada em marketing, Master Coach Humanística e em Psicologia Positiva; ministra Palestras e Workshops em Faculdades da terceira idade. Texto elaborado no curso de Extensão da PUC-SP, “Fragilidades na velhice: Gerontologia Social e Atendimento“, no segundo semestre de 2017. E-mail: [email protected]