Saúde Bucal: um pilar esquecido da saúde integral da pessoa idosa

Saúde Bucal: um pilar esquecido da saúde integral da pessoa idosa

Cuidar da saúde bucal é cuidar do corpo, da independência, da nutrição, da cognição e da dignidade da vida. Workshop online ao vivo abordará a importância do cuidado.


Por Isabela Castro (*)

Quando pensamos em envelhecimento saudável, geralmente falamos sobre alimentação, atividade física, medicamentos, memória, prevenção de quedas e manejo de doenças crônicas. Mas um aspecto fundamental segue sendo negligenciado: a saúde bucal.

A boca é a porta de entrada do organismo — e, na pessoa idosa, ela se transforma em um ponto estratégico de cuidado, capaz de influenciar diretamente a saúde geral, o bem-estar, a autonomia e até o tempo de vida.

Por que a saúde bucal importa tanto na velhice?

Ao longo da vida, a cavidade bucal passa por inúmeros desafios: redução do fluxo salivar, dificuldades de higienização, próteses antigas, uso contínuo de medicamentos que ressecam a boca e a presença de múltiplas doenças crônicas.

Esses fatores tornam a pessoa idosa mais vulnerável a infecções, inflamações e perda dentária — e tudo isso repercute no corpo de forma profunda.

Destacamos a seguir alguns aspectos que consideramos importantes na saúde bucal. São eles:

1) Saúde bucal e nutrição – A capacidade de mastigar bem é determinante para o estado nutricional.

2)  Saúde bucal e doenças crônicas: Inflamações bucais podem agravar diabetes e doenças cardiovasculares.

3) Saúde bucal e cognição: Infecções bucais podem impactar humor, sono e cognição.

4) Saúde bucal e qualidade de vida: A saúde bucal influencia autoestima, socialização e autonomia.

Por que ainda cuidamos tão pouco?

Porque historicamente a odontologia foi vista como algo isolado, desconectado da saúde geral. Por muito tempo o foco foi no modelo de reparo e doença; na cárie e restauração. A prevenção e a manutenção da saúde de longo prazo eram secundárias. Não havia uma abordagem holística e integrada que considerasse a saúde sistêmica e o envelhecimento.

A desconexão entre saúde bucal e saúde geral ainda é percebida hoje. A odontologia muitas vezes atua de forma isolada da medicina geral, levando à percepção de que a saúde bucal é um “serviço de luxo” ou um problema estético, e não uma parte integrante do bem-estar geral.

Para piorar o quadro, muitos currículos médicos, de enfermagem e outros profissionais da saúde oferecem pouca ou nenhuma educação sobre saúde bucal, fazendo com que outros profissionais de saúde negligenciem a boca durante os exames de rotina.

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A negligência geral da saúde bucal é amplificada quando se trata da população idosa, por diversos fatores específicos:

Mito da perda dentária: Por muito tempo, a perda de dentes (edentulismo) foi considerada uma consequência inevitável do envelhecimento. Essa crença social e, até certo ponto, profissional, desincentivava tanto a prevenção quanto o tratamento de conservação.

Foco excessivo em próteses: Historicamente, a solução principal para a boca da pessoa idosa era a remoção dos dentes e a confecção de próteses totais (dentaduras), em vez de manter os dentes naturais com saúde periodontal.

Maior custo e ausência de cobertura: A maioria das pessoas idosas depende de planos de saúde que oferecem cobertura odontológica limitada ou de programas públicos com longas filas. Os tratamentos complexos (como periodontia, endodontia e próteses fixas) são caros e muitas vezes não são cobertos.

Mobilidade e cuidado: Idosos com limitações de mobilidade ou que vivem em instituições de longa permanência enfrentam grandes barreiras para chegar ao consultório odontológico. O cuidado bucal nesses ambientes muitas vezes é inadequado, dependendo de cuidadores que não foram treinados para a tarefa.

Especialização tardia: A Odontogeriatria como especialidade ou foco de estudo é relativamente recente. Muitos profissionais que se formaram antes dessa ênfase podem não ter recebido treinamento adequado para lidar com as complexidades da saúde bucal da pessoa idosa, que incluem: polifarmácia, doenças sistêmicas, raízes expostas.

Workshop online ao vivo: Odontologia Geriátrica para uma Longevidade Saudável

A negligência é um resultado da priorização de um modelo de tratamento reativo (consertar o que quebrou) sobre um modelo proativo e integrado (manter a saúde ao longo da vida, especialmente na idade avançada).

Felizmente, essa situação está mudando. E é sobre isso que falaremos no Workshop online ao vivo: Odontologia Geriátrica para uma Longevidade Saudável, que visa sensibilizar profissionais e estudantes da área da saúde para reconhecerem a importância da saúde bucal. Nele abordaremos a Saúde Bucal e Saúde Integral do Idoso.

Workshop
Odontologia Geriátrica para uma Longevidade Saudável
Dia:  8 de dezembro, segunda-feira
Horário: das 7h às 19h
Carga horária: 3 horas
Público alvo: Profissionais e estudantes da área da saúde
Atenção: O encontro, conduzido por Isabela Castro em parceria com o Portal do Envelhecimento, será gravado e ficará disponível por duas semanas.  

(*) Isabela Castro é cirurgiã-dentista, com mais de duas décadas de experiência no cuidado com a saúde da pessoa idosa. Especialista em Odontologia Hospitalar. É CEO e fundadora do Instituto Isabela Castro e movimento Mouth Matters, que promove uma abordagem segura, humana e baseada em evidências para o cuidado odontológico da população 60+. 

Foto de Pavel Danilyuk/pexels.


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