Com ênfase no Brasil e em perspectivas latino-americanas e internacionais, a Revista Kairós aborda temas interdisciplinares e na perspectiva da Gerontologia Social.
A edição 28, n. 3, da Revista Kairós-Gerontologia reúne dez artigos, baseados em análises empíricas, revisões comparativas e estudos qualitativos, que exploram o envelhecimento não como um processo isolado, mas como uma experiência moldada por estruturas sociais, econômicas e culturais.
Com ênfase no Brasil e em perspectivas latino-americanas e internacionais, esta edição aborda temas como liberdade individual na velhice, segurança alimentar, sistemas de pensão, envelhecimento bem-sucedido, intervenções clínicas, inclusão LGBTQIA+, gerenciamento de instituições de longa permanência, experiências de gênero na viuvez, benefícios da inclusão digital e Carnaval como espaço que promove saúde.
A Gerontologia Social, como abordagem central, destaca como os fatores pobreza, discriminação e acesso a serviços impactam a qualidade de vida das pessoas idosas, propondo soluções para uma sociedade mais equitativa e inclusiva.
CONFIRA TAMBÉM:
Esta edição contribui para o debate teórico e prático, oferecendo ferramentas tanto para pesquisadores quanto para profissionais que atuam na área do envelhecimento e da velhice em si, alinhando-se a projeções demográficas como o envelhecimento acelerado no Brasil. A publicação reforça seu compromisso com o acesso aberto e o impacto social.
Os artigos selecionados interligam dimensões sociais do envelhecimento, revelando vulnerabilidades e potencialidades. A seguir, destacamos os principais temas, enfatizando suas contribuições para a Gerontologia Social.

Temas abordados nesta edição
O suicídio como escolha autônoma é tema do artigo que investiga as motivações por trás do suicídio em pessoas idosas, enquadrando-o como uma questão de liberdade individual influenciada por circunstâncias sociais, como isolamento e perda de autonomia. Através de análise qualitativa de casos, o artigo discute o equilíbrio entre direitos à autodeterminação e intervenções preventivas. Ao enfatizar a necessidade de políticas que respeitem a autonomia da pessoa idosa, combatendo o estigma e promovendo suporte psicológico comunitário, enriquece os debates éticos na gerontologia.
A segurança alimentar e nutrição para pessoas idosas foi tema de estudo que critica a falta de planejamento e implementação de políticas públicas, analisando barreiras burocráticas e regionais no Brasil. Propõe modelos integrados de nutrição adaptada à velhice. Ao revelar desigualdades socioeconômicas que agravam a desnutrição em idosos vulneráveis, defendendo reformas em políticas públicas para inclusão nutricional, o texto conecta alimentação com bem-estar coletivo e equidade, fortalecendo assim o campo da gerontologia.
A seguridade social também faz parte desta edição. Um estudo traz uma comparação entre os sistemas de pensão social no México e nos EUA, destacando disparidades para pessoas idosas latinas, incluindo migração, acesso a benefícios e impactos na pobreza. O estudo propõe harmonizações transfronteiriças. Trata-se de um artigo que ilumina migração e globalização como fatores sociais no envelhecimento, recomendando políticas bilaterais para proteção de minorias étnicas. Essa perspectiva enriquece a gerontologia social com foco em direitos transnacionais e redução de desigualdades.
O carnaval como espaço estruturado que promove saúde é destacado em artigo que aborda a tradicional festa brasileira, o carnaval carioca, refletindo as múltiplas fases da vida. O artigo explora a temática do envelhecimento nos sambas-enredos e sinopses das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, identificando associações da festa com o envelhecimento, trazendo contribuições relevantes para a área.
O envelhecimento bem-sucedido é outro tema abordado nesta edição. O estudo, realizado em uma amostra portuguesa, identifica relacionamentos sociais, engajamento cívico e bem-estar subjetivo como pilares do envelhecimento bem-sucedido. Ao incluir análise psicométrica e implicações culturais, fornece uma ferramenta validada para avaliar envelhecimento ativo em contextos lusófonos, promovendo intervenções que fortalecem redes sociais. Ou seja, contribui para a gerontologia ao enfatizar o papel da comunidade na prevenção de isolamento.
Outro tema diz respeito a um ensaio clínico sobre capacidade intrínseca em pessoas idosas vulneráveis, no qual avalia a eficácia de exercícios do protocolo ViviFrail® sobre desfechos físicos da capacidade intrínseca, como mobilidade, força e equilíbrio em pessoas idosas frágeis, com resultados positivos em adesão e funcionalidade. O artigo demonstra intervenções acessíveis para envelhecimento saudável, integrando exercício físico a suporte social. Essa evidência apoia políticas de prevenção, reduzindo dependência e custos de saúde pública.
A cisheteronormatividade urbana é outro tema abordado no artigo que explora barreiras enfrentadas por pessoas idosas LGBTQIA+ em cidades, devido à falta de diversidade no planejamento urbano e serviços de saúde, usando narrativas qualitativas para propor designs inclusivos. Ao abordar a interseccionalidade (idade, orientação sexual e gênero), defendendo cidades amigáveis ao envelhecimento diverso, fortalece a gerontologia social ao combater a discriminação e promover direitos LGBTQIA+ na velhice.
Esta edição traz ainda a questão do gerenciamento de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), um assunto pouco abordado na academia. O artigo analisa desafios operacionais em instituições, como gestão de recursos humanos e qualidade de cuidado, propondo estratégias de liderança e treinamento para melhorar o bem-estar dos residentes. Ao oferecer orientações práticas para instituições, enfatizando o papel social das ILPIs na rede de suporte, contribui para políticas de longevidade, garantindo dignidade em contextos de modos de morar coletivos institucionalizados.
Não se poderia deixar de falar também da viuvez em mulheres idosas. De uma visão de gênero, o estudo apresentado examina a viuvez em mulheres idosas heterossexuais nas Américas, destacando perdas emocionais, redefinição de identidade e suporte familiar, com base em entrevistas. Ao revelar impactos de gênero na solidão pós-viuvez, propondo programas de empoderamento feminino, o artigo enriquece o campo gerontológico com foco em resiliência e redes de apoio para idosas.
Por fim, o tema da inclusão digital para idosos é discutido na perspectiva da estimulação cognitiva e nas conexões sociais em pessoas idosas. O artigo analisa ferramentas acessíveis e barreiras digitais, com recomendações para alfabetização tecnológica. Ao promover o envelhecimento digital como ferramenta de inclusão, combatendo o “dividendo digital” em idosos, o artigo contribui ao integrar tecnologia a políticas de equidade social.
Compõe também esta edição os ANAIS do II Congresso Internacional Envelhecer com Futuro (II CIEF), realizado em São Paulo, a partir dos pôsteres aprovados, os quais refletem o empenho e a dedicação de pesquisadores, estudantes e profissionais em promover discussões relevantes sobre o nosso longeviver. Portanto, os ANAIS trazem um conjunto de resumos, contribuindo com a pesquisa interdisciplinar brasileira sobre o envelhecimento e a velhice em si.
Esta edição da Revista Kairós-Gerontologia avança o campo ao conectar teoria social com evidências práticas, inspirando ações para um envelhecimento inclusivo e digno. Seus artigos não apenas diagnosticam problemas – como desigualdades em pensões e barreiras urbanas – mas propõem soluções concretas, como validações de inventários e protocolos clínicos, fomentando o diálogo interdisciplinar.
Boa leitura de férias!
Equipe editorial[1]
Nota
[1] Esta edição contou com o apoio no processo de edição de Ana Beatriz S. Ferraz, estagiária do Portal do Envelhecimento e Longeviver.
