Políticas públicas e longevidade: o papel estratégico do analista na promoção do envelhecimento digno

Políticas públicas e longevidade: o papel estratégico do analista na promoção do envelhecimento digno

O analista de políticas públicas para a pessoa idosa atua na identificação de demandas sociais, utilizando indicadores demográficos, epidemiológicos e socioeconômicos.


Por Crismédio Vieira Costa Neto (*)

O analista de políticas públicas voltadas à pessoa idosa configura-se como um profissional estratégico na formulação, implementação, monitoramento e avaliação de ações estatais destinadas à garantia de direitos dessa população. Sua atuação se fundamenta em bases interdisciplinares, envolvendo conhecimentos de gerontologia, saúde coletiva, serviço social, direito público e administração pública, com foco na promoção do envelhecimento digno, ativo e com qualidade de vida.

No contexto brasileiro, a atuação desse profissional encontra respaldo normativo especialmente no Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003), que estabelece os direitos fundamentais das pessoas com 60 anos ou mais, e na Política Nacional do Idoso (Lei nº 8.842/1994), que orienta a organização de políticas públicas específicas para esse grupo populacional. Essas normativas delineiam a responsabilidade do Estado, da família e da sociedade na proteção integral da pessoa idosa, exigindo a construção de políticas baseadas em evidências, equidade e justiça social.

Do ponto de vista técnico, o analista de políticas públicas para a pessoa idosa atua na identificação de demandas sociais, utilizando indicadores demográficos, epidemiológicos e socioeconômicos, especialmente diante do acelerado processo de transição demográfica e envelhecimento populacional. Nesse sentido, dialoga diretamente com o campo da gerontologia, compreendendo o envelhecimento como um fenômeno multifacetado que exige respostas integradas e intersetoriais.

Entre suas atribuições, destacam-se: a elaboração de diagnósticos situacionais; a proposição de programas e projetos voltados à promoção da saúde, prevenção de agravos, inclusão social e combate à violência; a articulação entre diferentes níveis de governo e setores; e a avaliação de impacto das políticas implementadas. Além disso, exerce papel fundamental no fortalecimento dos mecanismos de controle social, assegurando a participação cidadã e a transparência na gestão pública.

Diante do cenário contemporâneo, marcado pelo crescimento expressivo da população idosa e pela complexificação de suas demandas, a presença de analistas especializados em políticas públicas para esse segmento torna-se não apenas relevante, mas necessária. Trata-se de uma atuação que exige rigor técnico, compromisso ético e sensibilidade social, sendo essencial para a efetivação de direitos e para a consolidação de uma sociedade que valorize e respeite o envelhecimento em todas as suas dimensões.

(*) Crismédio Vieira Costa Neto – Biomédico e ativista do Movimento Global Vidas Idosas Importam. @vidasidosasimportam.br

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Foto de Pavel Danilyuk/Pexels


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