Pessoas idosas evitam novas tecnologias porque se sentem incapazes de usá-las?

Pessoas idosas evitam novas tecnologias porque se sentem incapazes de usá-las?

Equipamentos inteligentes estão cada vez mais presentes nas rotinas das pessoas.


Existem opiniões errôneas sobre a incapacidade da maioria das pessoas mais velhas em usarem eletrônicos domésticos, computadores e smartphones. Das teclas às telas, antes apertar e depois somente deslizar o dedo, pode ter causado um certo desconforto na lógica de uso desses equipamentos. 

No entanto, o aprendizado e a prática definem a adoção de dispositivos inteligentes, importantes para a racionalidade na comunicação e nas atividades do dia a dia. Martin Henkel, da SeniorLab, destaca o quanto a atenção aos desejos e necessidades da população idosa podem garantir um mercado mais ativo e sem preconceitos, garantindo soluções a cada dia mais adequadas.

A turma que assistia TV preto e branco está, na sua velocidade e superando a falta de cuidado e adequação das interfaces, interagindo, consumindo, se informando e criticando através das telas pequenas. 

Equipamentos inteligentes estão cada vez mais presentes nas rotinas diárias das moradias. E quando auxiliam nas atividades, tais como dispositivos de voz, robôs aspiradores e controles remotos (incluindo o próprio smartphone para acionamento à distância), é mais importante ainda aumentar o estímulo ao uso por pessoas idosas.

Ao contrário de boa parte dos países do Hemisfério Norte, onde o fenômeno do envelhecimento iniciou há mais tempo e possui uma população madura mais escolarizada e mais consciente, aqui no Brasil mesmo com o boom grisalho e a ampliação da expectativa de sobrevida (não é a de vida) após os 60, 65, 70, 75, 80, 85, 90, e assim por diante, uma pessoa de 70 anos não se sente velha. 

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Oferecer equipamentos com a mensagem de serem “para idosos”, infantilizando ou sugerindo que haja incapacidade para acompanhar a evolução tecnológica e a constante oferta de novos produtos, pode provocar uma inversão de mercado para essas ofertas. Consumidores idosos buscam o que desejam ou necessitam e, mesmo exigindo alguma ajuda para aprender, serão divulgadores do que lhes convier, seja o julgamento positivo ou negativo.

Com uma população ávida pela igualdade tecnológica, com disposição de aprender, com dinheiro para comprar, com tempo para pesquisar e ciente de que poderá fazer coisas que ainda não aprendeu se tiver as condições, vejo uma oportunidade gigante nos devices atuais. 

A moradia está a cada dia mais compacta e conta com soluções que facilitem as rotinas, em especial racionalizando esforços, seja por falta de força, tempo ou vontade. As inovações tecnológicas têm oferecido oportunidades para mais interações sociais, mesmo remotas, além de permitir mais tempo para atividades físicas, de lazer ou culturais. Desde o smartphone até o robô social, ainda pouco comum para se ter em casa, qualquer dispositivo que desperte desejo e atenda necessidades será sempre muito bem-vindo, pois serão incapazes aqueles de qualquer idade que desistam de tentar.

Foto de SHVETS production/pexels.


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Maria Luisa
Maria Luisa Trindade Bestetti

Arquiteta e professora na graduação e no mestrado da Gerontologia da USP, tem mestrado e doutorado pela FAU USP, com pós-doutorado pela Universidade de Lisboa. Pesquisa sobre alternativas de moradia na velhice e acredita que novos modelos surgirão pelas mãos de profissionais que estudam a fundo as questões da Gerontologia Ambiental. https://sermodular.com.br/. E-mal: [email protected]

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Maria Luisa Trindade Bestetti

Arquiteta e professora na graduação e no mestrado da Gerontologia da USP, tem mestrado e doutorado pela FAU USP, com pós-doutorado pela Universidade de Lisboa. Pesquisa sobre alternativas de moradia na velhice e acredita que novos modelos surgirão pelas mãos de profissionais que estudam a fundo as questões da Gerontologia Ambiental. https://sermodular.com.br/. E-mal: [email protected]

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