Na França, o lema das moradias para idosos é “proteger sem isolar”!

Enquanto muitas instituições de longa permanência voltam a ser afetadas por casos de coronavírus, o Ministério da Solidariedade e Saúde da França acaba de divulgar um plano de combate à epidemia nesses estabelecimentos: proteger sem isolar.

 Petits Frères des Pauvres (*)


Visitas cronometradas, por agendamento, em salas comunitárias… O cenário não faz sonhar, mas é isso que agora devem aplicar as moradias para idosos na França, que passaram a ter também um manual para “proteger sem isolar”. Desde a distribuição do novo plano de combate à epidemia nos estabelecimentos médico-sociais (01/10/2020), as casas de repouso passaram a ter um quadro comum para o estabelecimento de normas que preservem a saúde mantendo um mínimo de interações sociais.

Afirma-se, em particular, que em áreas onde o vírus está circulando ativamente, é altamente recomendável “reativar as visitas com hora marcada organizadas principalmente em um espaço ao ar livre ou em um espaço dedicado”.

Para os mais solitários, os voluntários podem proporcionar essas visitas, um verdadeiro reconhecimento do papel do voluntário junto aos idosos e na luta contra o isolamento. No entanto, as saídas são limitadas a situações excepcionais. Ressalta-se que todas essas normas devem ser discutidas com o Conselho de Vida Social do estabelecimento, que inclui representantes de moradores, familiares e funcionários da moradia: comprovação da consideração da opinião dos idosos nas decisões que os afetam.

Bloqueio e privação: os idosos estão sofrendo

Mas, embora os protocolos tenham sido amenizados em geral, a situação continua muito difícil para os idosos, já testados pelo confinamento: “Estou em uma casa onde as visitas agora são altamente regulamentadas. Temos direito a uma visita por semana, com duração de meia hora. É ridículo! Estamos realmente presos. Falta liberdade, tem que se privar de muita coisa, dói. Não podemos fazer o que queremos, somos como crianças, somos punidos!”. Exclama Louise, 77, institucionalizada em uma moradia em Lyon, cujo departamento está localizado na zona vermelha reforçada.

Para os Petits Frères des Pauvres, esse testemunho mostra o quanto o isolamento social é um sofrimento. Para os mais frágeis, pode levar à renúncia de viver. É por esta razão que a nossa Associação nos lembrou, durante a nossa participação num seminário de trabalho ao lado de Brigitte Bourguignon, ministra responsável pela autonomia que deu origem à carta “proteger sem isolar”,  de que as instituições de longa permanência são locais de vida e que qualquer restrição de liberdade deve ser proporcional. É por isso que a Petits Frères des Pauvres se opõem às decisões de fechar o asilo como medida preventiva (sem a suspeita de um caso de Covid-19).

Laços sociais a todo custo

Antes da implementação deste plano, muitas instituições redefiniram a medida preventiva ou tornaram suas regras mais rígidas para visitas sem um protocolo, caso a caso. A Petits Frères des Pauvres lançou um questionário online com líderes de equipes de voluntários e funcionários em setembro de 2020 a fim de entender melhor como as visitas dos voluntários estavam indo e emergiu que a situação de saúde pública levou os idosos residentes em lares de idosos a abandonar seus planos de férias (63%). Na maioria dos casos, foi a instituição que recusou ou dissuadiu qualquer saída (34%) por medo de contaminação grave no regresso das férias.

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Apesar de tudo, nossas equipes têm feito o possível para manter o vínculo social com os idosos alojados em instituições de longa permanência, seja por telefone ou indo a casas de repouso para vê-los pela janela. Um voluntário testemunhou: “Eu ligo pra pessoa que acompanho para avisar que irei passar na frente da instituição em algum momento. Ela chega com sua cadeira elétrica em frente às portas de vidro do estabelecimento e nos comunicamos, nos vemos e nos falamos pelas janelas. Isso é bom! Isso a faz sentir que tem sido um pouco astuta e que encontrou um semblante de liberdade”.

Assim, 47% dos nossos entrevistados afirmam que as visitas têm corrido “bastante bem” desde junho de 2020 nas residências em questão – esse laço também é facilitado quando existem parcerias sólidas entre as residências e associações -, e 34% dos entrevistados disseram que as visitas ocorreram “com dificuldade” , todos procuram se proteger e se adaptar para manter o vínculo com os idosos preservando sua saúde..

(*) Petits Frères des Pauvres – A fundação foi criada e reconhecida como serviço público em 1977 e em 2003 recebeu o nome de Fondation des Petits Frères des Pauvres, tornando-se uma fundação abrigo capaz de acolher fundações protegidas. Texto e fotos da fundacão. Matéria original publicada em 15 de outubro de 2020. Tradução livre por Sofia Lucena.


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