Envelhecer bem envolve preservar a integridade bioquímica que sustenta a vitalidade. E isso exige um olhar clínico sobre os medicamentos.
Todo mundo quer viver mais. A longevidade virou meta de vida, promessa de revistas, cursos e clínicas. Mas há uma questão que quase nunca aparece nessas conversas: como anda a sua relação com os medicamentos que você toma todos os dias?
Fala-se de alimentação saudável, de sono reparador, de atividade física, de espiritualidade, de conexões sociais — mas quase nunca se fala sobre os impactos dos medicamentos de uso contínuo na qualidade de vida. E esse é um silêncio que custa caro à nossa saúde.
O lado invisível da longevidade
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Vivemos mais, mas também tomamos mais medicamentos.
Boa parte das pessoas idosas no Brasil usa de cinco a dez medicamentos por dia. E, na maioria das vezes, ninguém avalia de forma integrada o que acontece dentro desse organismo polimedicado.
Cada fármaco tem seu propósito, mas também traz seus efeitos secundários, suas interações, seus impactos metabólicos.
Muitos sintomas que acreditamos ser “do envelhecimento” — como perda de energia, confusão mental, tonturas, fraqueza muscular, alterações do sono ou humor —, na verdade, podem ser consequência do uso combinado e prolongado de medicamentos.
Envelhecer bem não é apenas manter a vitalidade do corpo e da mente, mas preservar a integridade bioquímica que sustenta essa vitalidade. E isso exige um olhar clínico sobre a farmacoterapia.
É aqui que o farmacêutico clínico se torna essencial.
Ele é o profissional que conecta o conceito de longevidade à prática do uso racional de medicamentos.
Analisa prescrições, avalia interações, orienta a pessoa e sua família, e propõe estratégias seguras para que cada medicamento cumpra seu papel — sem comprometer a saúde como um todo.
O acompanhamento farmacoterapêutico é um instrumento poderoso de prevenção de declínio funcional, redução de riscos e recuperação da qualidade de vida.
É o elo que faltava entre a medicina que prescreve e o paciente que vive o dia a dia dos efeitos.
Longevidade com lucidez
Falar em qualidade de vida sem falar em medicamentos é um erro que precisamos corrigir.
Não basta viver mais; é preciso viver com lucidez, energia e autonomia.
E isso começa por entender o que cada medicamento faz no seu corpo, e por ter um farmacêutico clínico ao seu lado para ajudar a equilibrar essa equação.
Afinal, longevidade não é apenas sobre o tempo que temos — é sobre o quanto de vida há dentro desse tempo.
Foto de Shvets production/pexels.

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