História da Velhice no Ocidente

Cada sociedade tem os velhos que merece: a história antiga e medieval demonstram-no cabalmente. Cada sociedade segrega um modelo de homem ideal e, é deste modelo que depende a imagem da velhice, a sua valorização ou desvalorização.

A Grécia clássica, virada para a beleza e para a força, relega os velhos para um lugar subalterno. Na Idade Média, o velho desempenha o seu papel enquanto pode manejar o hissope, a espada, o arado ou o livro de contas. O único limite é a incapacidade física. Na realidade não existe a terceira idade: há a vida e há a morte. A partir do Século XIV, o peso dos velhos na Sociedade aumenta e tem como conseqüência o recrudescer da crítica contra os velhos. A sátira dos casamentos entre homens velhos e mulheres jovens volta a estar na moda, como estava no tempo de Plauto. A Renascença regressa aos ideais Greco-Romanos. Ronsard recomenda colher “as rosas da vida”, mas, ao mesmo tempo, os velhos activos nunca foram tão numerosos: o almirante Dória, septuagenário, luta contra o octogenário Barbarroxa, Miguel Ângelo atinge aos 89 anos e Ticiano 99.

A ambiguidade fundamental da atitude perante a velhice encontra-se, no entanto, ao longo de todos os séculos, porque se o velho se queixa da sua idade avançada, ao mesmo tempo, retira dela sua glória e procura prolongar os seus dias. A fonte da juventude foi sempre a mais louca esperança do homem ocidental.

Georges Minois, Doutor em história, é membro do Centre International de recherches et d´etudes transdisciplinaires (CIRET). Historiador das mentalidades religiosas, é autor de numerosos estudos neste domínio, nomeadamente HISTÓRIA DOS INFERNOS, já publicado nesta coleção. Nesta coleção, está igualmente publicada a sua HISTÓRIA DO SUICÍDIO.

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