Guto Lacaz, o transgressor das artes e os outros

Se você não conhece Guto Lacaz, 63 anos, artista plástico (“ou artista prático, como ele mesmo diz”), o ousado “transgressor das artes”, vale a pena ler a entrevista concedida para o movimento Nova Cara da Terceira Idade, logo a seguir.

 

 

guto-lacaz-o-transgressor-das-artes-e-os-outrosNela, o mago da estética moderna, fala de sua vida, dos anos 70, da velhice e seus respectivos símbolos (ele até sugere uma estrela como uma possível representação do velho – o conhecimento).

Pelo lado profissional, sua visão é transformadora: ele encara seu ofício como fonte de prazer e puro lazer e “transgressão como modo de vida e instrumento de trabalho”.

Guto Lacaz é formado em arquitetura pela FAU-USP. Entre suas obras, podemos citar como as mais famosas, as cadeiras e o auditório flutuantes e o OFNI – Objeto Flutuante Não Identificado – ambos já instalados no lago do Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

Entrevista

O que mudou na sua arte desde a época da juventude até hoje?

Ficou mais profissional, madura, ganhou espaço e novas modalidades.

O que te servia como inspiração no início da carreira continua sendo inspiração até hoje?

Gosto muito de desenho de humor, construção e física. Continuo investindo nessas áreas.

O que a idade te trouxe de bom no lado pessoal? E no profissional?

Organização, rapidez e qualidade nas respostas profissionais, paciência, etc.

Suas obras sempre são lembradas como transgressoras. Você acha que isso também veio com a idade? Hoje você se sente mais ou menos transgressor naquilo que faz?

Me formei arquiteto na década de 70 – tudo era transgressivo. Depois conheci as escolas artísticas transgressoras: dadaísmo, construtivismo, surrealismo, futurismo, grupo fluxos, etc. Transgressão virou modo de vida e instrumento de trabalho.

Durante algum tempo você foi professor na Faculdade de Artes Plásticas da PUC de Campinas. Como é a sua relação com o pessoal mais jovem, que ainda está aprendendo arte na faculdade?

Adoro ensinar, mas não gosto de escola. Em Campinas dava aula para 60 moças – impossível – as escolas viraram tabeliões. Gosto de cursos livres para 20 alunos, como estou ministrando no Sesc Pompéia. Não preciso fazer chamada, dar nota, fica quem quer.

O que você acha do símbolo que representa a terceira idade, como o velho de bengala?

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Os símbolos e termos são horríveis, mas a verdade é que deve ter muita gente com 60 anos e bengala. São pessoas pobres, que foram exploradas, humilhadas e não tiveram nenhum benefício social.

Você tem alguma ideia de como seria um símbolo legal para representar os idosos?

Poderia ser uma estrela, representando conhecimento.

Como é o seu dia a dia?

Acordo às 6h30, me espreguiço e penso no dia que terei pela frente. Levanto às 7h30, tomo café da manhã e às 8h00 sigo a pé para meu atelier na Rua Pamplona com a Alameda Jaú. Lá eu vejo o que há para fazer. Ao meio dia volto para casa e preparo meu almoço, com salada, peixe e frutas. Às 13h30 retorno para o atelier, às 18h00 volto para casa e como coisas leves, vejo muita TV e em alguns dias da semana vou as vernissages ver colegas e novos trabalhos. Vou dormir às 22h, mas claro que tem dias que tudo muda.

Como é sua relação com internet?

Adoro, não uso telefone. Prefiro e-mail, é silencioso. 90% dos trabalhos vêm pela web.

Pensa em se aposentar e abandonar completamente o que faz para viver uma vida tranquila, como o típico aposentado?

Não gosto dessa palavra, parece assassinato ou suicídio. Quero morrer trabalhando, meu trabalho é puro lazer, puro prazer.

Essa é a visão de Guto Lacaz, mas o que dizer daqueles outros – como os grandes empresários do mundo corporativo – que abandonam tudo para viverem reclusos?

Os Outros

Falamos de David Glasheen (60 e poucos anos) que desde 1993, vive da pesca de peixes e caranguejos, e da coleta de bananas, cocos e frutas nativas. Ele também cultiva seus vegetais e produz sua própria cerveja.

Quem seria esse estranho homem? Bem, mais conhecido como Robinson Crusoé, Glasheen ganhou esse apelido desde que perdeu milhões na queda da bolsa de 1987, terminou o seu casamento e decidiu abandonar a vida corporativa em Sidney para viver na companhia de seu cachorro numa ilha deserta da Austrália.

Como afirma Jaque Barbosa, autora da matéria, “A gente que sempre vive buscando boas referências pra nossa vida profissional, é sempre válido uma dose de inspiração pra nossa vida pessoal. Aquele lembrete de que qualquer mudança é possível, e que o que nos separa dos nossos sonhos é somente o salto”.

Mas, de fato, o que mais nos intriga é que grande parte das pessoas que decidem romper com tudo e com todos são oriundas do chamado “teatro corporativo”, da vida competitiva, ambiciosa e sem limites rumo a escalada do poder.

Assim perguntamos, será que aqueles, como Guto Lacaz, que tem suas vidas profissionais ligadas a arte e as emoções se percebem mais realizados e satisfeitos do que os outros, os abnegados escravos da fogueira das vaidades?

Referências

NOVA CARA DA 3ª IDADE (2012). “Quero morrer trabalhando, meu trabalho é puro lazer, puro prazer”, diz Guto Lacaz, 63. Disponível Aqui. Acesso em 13/12/2012.

BARBOSA, J. (2012). Ele largou a vida corporativa e foi viver sozinho numa ilha. Disponível Aqui. Acesso em 13/12/2012.

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