Pessoas maduras que se preocupam com o futuro procuram soluções viáveis para morar na velhice, como o cohousing.
Têm sido cada vez mais frequentes as notícias de grupos sendo formados para o desenvolvimento de cohousing, em especial considerando uma velhice mais sustentável. Não são os sonhos de conviver diariamente com amigos ou de manter uma vida mais próxima da natureza que facilitam a decisão, mas principalmente o compartilhamento de atividades e custos que tornam os orçamentos mais flexíveis, a certeza de ter amigos por perto nas emergências e a possibilidade de usufruir de atividades coletivas variadas. De acordo com publicação do grupo Iberdrola:
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- 15/04/2022
A escassez de solo, a subida dos preços, a estagnação dos salários ou a instabilidade no trabalho são fenômenos comuns em qualquer lugar do mundo que acabam dificultando ou impossibilitando, em muitos casos, o cumprimento de um direito universal: o acesso a uma habitação digna. Essa tendência poderia deixar um cenário alarmante até 2030, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que serão necessárias 96.000 novas habitações por dia para alojar 3 bilhões de pessoas que necessitarão de um lar — 40% da população mundial.
Destaca, ainda, que a habitação colaborativa sugere um modelo mais inclusivo e sustentável, visto que haverá o uso responsável dos recursos naturais, sendo uma alternativa para a solidão. Considerando que pessoas idosas que necessitam cuidados podem contar com moradias institucionais, para os independentes a permanência em casa pode afastar da convivência com amigos e vizinhos. Para a arquiteta Camilla Ghisleni, esse formato de moradia exige uma mudança de comportamento e a tolerância para colaborar nas questões coletivas:
No formato “tradicional”, os lares para idosos foram criados a fim de oferecer “sossego e repouso” aos que já estavam cansados e enfraquecidos. Essa definição, de modo geral, se afasta, e muito, do perfil das pessoas 60+ do século XXI. Encaixá-las em um espaço pensado exclusivamente para o ócio é alimentar o tédio, excluindo os pilares fundamentais para um envelhecimento ativo (saúde, aprendizagem constante, participação e segurança), considerado hoje a forma mais saudável de se aproveitar essa nova etapa da vida.
O conceito de cohousing “surgiu na Dinamarca na década de 1960 quando Jan Gudmand Hoyer, insatisfeito com padrão de habitação existente, reuniu amigos e propôs um novo modelo de moradia”. Conta com a privacidade da habitação, mas com espaços de convivência e atividades compartilhados para estimular o relacionamento entre os vizinhos. Além disso, contar com o apoio emocional é igualmente importante, sendo um dos fatores que pesam na adoção desse modelo.
Afinal, pessoas maduras que se preocupam com o futuro procuram soluções viáveis para morar na velhice, em especial pela experiência vivida com ascendentes cada vez mais longevos e indicam que a vida será longa, de preferência em condição de conforto e segurança.
Referências
IBERDROLA. ‘Cohousing’, o modelo sustentável de habitações colaborativas. Disponível em:
https://www.iberdrola.com/compromisso-social/cohousing.
GHISLENI, Camila. Arquitetura para envelhecer: a ascensão do cohousing como alternativa contra a solidão e dependência. Disponível em:https://www.archdaily.com.br/br/976211/arquitetura-para-envelhecer-a-ascensao-do-cohousing-como-alternativa-contra-a-solidao-e-dependencia
Foto destaque Pixabay