Com as portas reabertas a idosos

A presidente da associação, Norma Béli Monteiro Baetos de Oliveira, 73 anos, conta que tem sido trabalhoso recomeçar o trabalho da instituição, pois um dos principais benefícios aos idosos, a entrega das cestas básicas, está suspensa, porque o número de colaboradores não é suficiente.

 

A entidade só voltou à ativa por insistência de Norma em não deixar mais os idosos sem as atividades de lazer, consultas médicas e cursos que eram oferecidos. ‘Para a maioria dos idosos, estes últimos dois anos foram de ócio na casa de parentes ou até sozinhos em casa, como é o caso de alguns’, diz.

Desta forma, uma parte da sede – pátio dos fundos, consultório e um banheiro – ainda precisa de reforma. A outra parte, com pátio da frente, cozinha, corredores e um banheiro, já está pronta, mas também falta colocar o forro da casa. Norma diz que, como a quantidade de doações é pequena, a reforma se arrasta lentamente. ‘A princípio, a gente só pode voltar a doar as cestas básicas depois que a reforma acabar’, lamenta.

Colaboração

Quem sustenta a Associação Santa Luiza de Marillac são colaboradores, que se comprometem a contribuir mensalmente ou anualmente com dinheiro. O valor varia entre R$ 5 a R$ 30 e o número de colaboradores soma 40. Por dispor de pouco dinheiro, a associação conta com o trabalho voluntário das sete organizadoras, chamadas de Luizas, e de trabalhadores da saúde.

Mas o trabalho voluntário é outra parte que está recomeçando do zero. ‘Já temos enfermeiro, assistente social e economista, este para ajudar na nossa contabilidade, mas precisamos de fisioterapeuta, professor de educação física, geriatra, cardiologias e outros profissionais que se dispuserem ao trabalho voluntário’, afirma Norma.

A missão de reordenar os associados é árdua e triste. Árdua porque o contato com 80 pessoas é trabalhoso e triste por saber que alguns já faleceram e outros, enfermos, não têm condições de sair de casa. Mas os que podem vão à associação, que fica no bairro do Umarizal, se deslocando de áreas distantes como Ananindeua e Marituba.

Uma missa celebrada por um padre da Paróquia de São Raimundo marcou a reinauguração da entidade, na semana passada. Na programação do espaço estão momentos de bate-papo com descontração e serviço de lanche.

Embora a associação chame as pessoas idosas para se reunirem na sede, um dos principais trabalhos é a visita aos que não podem sair de casa. Mas aí Norma esbarra em outra dificuldade: a falta de Luizas, pessoas engajadas no trabalho da entidade. Serviço.

Quem estiver interessado em ajudar a Associação Santa Luiza de Marillac pode entrar em contato com Lidiane pelos telefones 3244-4648 e 9993-4876. A entidade fica na travessa Ferreira Pena, 593.

Poucas voluntárias no espaço

A organização da associação é feita por sete senhoras. Uma delas, Norma, considera Lidiane Lima como seu braço direito. ‘Sem ela, seria muito difícil o trabalho aqui. Eu não iria desistir de jeito nenhum, mas seria mais pesado, porque ela é uma pessoa muito trabalhadora’, afirma.

Já Lidiade rebate com elogios. ‘A Norma é uma valente, porque ela preferiu reabrir a associação mesmo sem um espaço adequado, para que os idosos não fiquem desamparados, já que a maioria é carente’, afirma.

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Mas Norma e Lidiane concordam que é necessária a participação de mais voluntários, para que a assistência seja melhor aos idosos e para que a instituição volte a fazer todos os trabalhos que fazia antes, como alfabetização da tercera idade, coral, quadrilha, grupo teatral, cursos, entre outros. ‘Precisamos também de pessoas jovens, que estejam dispostas a ajudar. Não só nós, mas os associados ficam muito felizes e agradecidos’, afirma Norma.

Trajetória no bairro do Umarizal

A Associação Santa Luiza de Marillac foi inaugurada em Belém no dia 15 de março de 1935, no bairro do Umarizal, como um ramo da Associação das Damas de Caridade, fundada por São Vicente de Paulo, com objetivo de ajudar pobres e doentes.

Luiza de Marillac foi uma jovem francesa que se inspirou nas obras de São Vicente de Paula e começou a ajudar pessoas de baixa renda de Paris.

Depois do surgimento da associação na França, muitas outras foram criadas em outros países, inclusive no Brasil, onde está presente em quase todos os Estados. Em Belém, a Associação Santa Luiza de Marillac é ligada à Paróquia de São Francisco.

Norma Béli diz que o trabalho da associação é revolucionário, porque tem como base o amor, a vivência humana e a boa vontade.

‘Os associados são carentes, mas o que eles mais precisam é de amor. A gente não costuma a pensar na velhice, aí quando ela chega, surgem também problemas de rejeição. A inaceitação resulta num trauma que acelera a própria decadência da pessoa’, reflete.

Colaboração preciosa em curso

Algumas atividades dos idosos na associação eram dirigidas pelos próprios associados, como era o caso do curso de artesanato. A habilidosa Raimunda Siqueira, 81 anos, ensinava a arte que sabe fazer com garrafas plásticas, latas, guardanapos e outros materiais.

Ela contava com a colaboração de sua vizinha, Francisca Santos Corrêa, de 73 anos, que sabe pintar em tela e tapete. Ambas associadas se colocaram à disposição de Norma para reabrir os cursos de artesanato. ‘Vai ser muito útil. Só é preciso passar essa fase de reajuntar os idosos para voltarmos com os cursos’, diz Norma. Raimunda e Francisca aprenderam artesanato com a Legião Brasileira de Assitência, órgão do Governo Federal, na década de 70.

Como são vizinhas, freqüentemente trocam informações e idéias para melhorar o trabalho. ‘Tem dias que eu começo a fazer umas miniaturas de cadeiras e de panelas de pressão e vou até a noite sem parar’, conta Raimunda.

Semana terá atrações especiaisCom o tema ‘A caridade levantará a humanidade’, a associação vai realizar uma programação especial para a Semana do Idoso, que será de 23 a 27 de setembro. O último dia será o ápice da festa, quando será comemorado o Dia do Ancião. Haverá entrega de brindes, lanches, almoços, missas, apresentações musicais e outras atrações. Quem já confirmou presença foi o músico Nego Nelson.

Para realizar uma festa digna da terceira idade, Norma espera que a quantidade de doações aumente, já que as despesas também crescem. Além disso, sua intenção é de voltar a entregar as cestas básicas durante a Semana do Idoso. ‘Nosso caixa está a zero, mas precisamos de, pelo menos, R$ 2 mil para ter alguns ítens nas cestas básicas dos 80 associados’, afirma.

Norma lamenta não ter apoio do poder público para a associação, mas conta com a boa vontade de empresários, profissionais liberais ou qualquer pessoa interessada em ajudar.
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Fonte: Disponível Aqui  25/09/2006.

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