Cheguei aos 70 anos, e agora?

Cheguei aos 70 anos, e agora?

Aurélio acredita ter mais 20 e poucos anos pela frente, um bocado de vida, mas a apatia que se instalou desde a aposentadoria o coloca para baixo: o que fazer com esse tempo?


Existe muito o que fazer, mas quando as escolhas são muitas elas equivalem a não ter nenhuma, principalmente se Aurélio está sem disposição e sozinho, sem forças para dar o próximo passo. Aurélio não cultivou amigos fora da empresa, tampouco faz parte de grupos de atividades on-line. Mas a vida exige movimento e os Passos de Aurélio irão mover um espetáculo fantástico, pois serão Passos contra o preconceito, contra o etarismo, Passos de afirmação que virão de um jeito poético e engraçado. Este é o seu próximo programa, coloque na sua agenda: Passos é o nome da peça, com o Coletivo Oriente-se, no Teatro Itália (veja endereço abaixo).

Quando Aurélio se aposentou? Possivelmente antes dos 60 anos. Aurélio se planejou para esta etapa da vida? Não. Não conversou com a família, não consultou profissionais especializados, não discutiu com ninguém seus próximos Passos. Não externou seus medos, seus fantasmas. Imaginar que vai encontrar um novo emprego, porque é experiente e competente, é perder tempo, porque as empresas são cruéis com seus velhos colaboradores, simplesmente os trocam por novos.

A aposentadoria, para Aurélio, chega de repente, como um grande prêmio, a coroação de uma vida dedicada à empresa. Troféu, certificado, festa. Parabéns Aurélio, agora você pode fazer o que quiser com seu tempo, com  sua vida. Que tempo? Fazer o quê? Que vida?

Sem planejamento, o aposentado Aurélio se vê no fim da linha. Como seu emprego era tudo, sem ele não é nada. Estaciona no sofá, diante da tevê, e se deixa dominar pela apatia. Seus esquecimentos não são Alzheimer, Aurélio anda se desligando de tudo. O Alzheimer pode ser consequência.

Idoso e jovem sentados em um teatro

Em poucos dias, Aurélio descobre que sua presença dentro de casa incomoda, atrapalha. Sai pelas ruas e descobre outros velhos pelas calçadas. Alguns passam o dia na praça, jogando dominó, ou na porta do bar, bebendo, contando piadas, falando de futebol. Aurélio não quer esse tipo de velhice, mas não sabe que velhice quer.

Pensar na vida é tão doloroso quanto o machucado no pé, por andar com um sapato inadequado. Quem se encontra no início da jornada, ou no meio, não faz ideia de como o tempo passou rápido para quem está velho. Especialmente quando esse tempo é dedicado exclusivamente a uma única atividade. A impressão que fica é a que exprime Aurélio: não fiz nada por mim.

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Fez por quem, Aurélio? Pela família. Com o trabalho comprei um apartamento na cidade e uma casa na praia, troquei de carro com frequência e proporcionei uma boa educação para minha filha que, ao contrário de mim, gosta de viajar, de viver como um passarinho. E sua mulher? Rose sempre teve tudo, roupas, joias, sapatos e, recentemente, notebooks e celulares. Aliás, Rose dá mais atenção ao celular do que a mim.

Pobre Aurélio, trocado por um celular.  E assim chega aos 70 anos, sem saber o que realmente fez com todos esses anos e o que fazer com os anos que tem pela frente. Não quer ser um peso na vida de ninguém e não quer viver se arrastando pelas ruas ou dentro de casa como um fantasma. Mas a vida é movimento e nas suas andanças Aurélio encontra um propósito de vida. Aqui começa a peça que você irá assistir: Rose faz o bolo que Aurélio gosta, para comemorar seu aniversário de 70 anos, a filha retorna de viagem para celebrar o aniversário do pai e as cartas são colocadas sobre a mesa. Jovens e velhos vão bater de frente. O idadismo ou etarismo é o pano de fundo que arrancará boas risadas e revelará como estamos todos contaminados pelo preconceito que interfere nas relações familiares e sociais. Vamos assistir? A peça é baseada na série coreana Navillera.

Serviço
Peça Passos
Produção: Coletivo Oriente-se
Onde: Teatro Itália
Horário: Sex., 20h. Sab., 19h, e dom., 18h
Até quando: 31 de agosto
Ingressos populares: R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada)
Venda online em https://site.bileto.sympla.com.br/teatroitalia/
Bilheteria: abre duas horas antes de cada apresentação
Classificação: 10 anos
Duração: 80 minutos
Capacidade: 274 lugares (4 cadeiras para pessoas obesas)
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
Projeto contemplado pela 44° edição do programa municipal de fomento ao teatro para a cidade de São Paulo – Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.
Endereço: Avenida Ipiranga, 344, subsolo, República (SP), fone: (11) 5468-8382.

Fotos: Mari Jacinto

Atualizado às 9h44


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Mário Lucena

Jornalista, bacharel em Psicologia e editor da Portal Edições, editora do Portal do Envelhecimento. Conheça os livros editados por Mário Lucena.

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