Pesquisa brasileira publicada recentemente indica que moléculas da Cannabis pode melhorar a memória em pessoas com Alzheimer.
Por Denise Tamer (*)
Uma pesquisa inédita conduzida pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) revelou resultados promissores no tratamento do Alzheimer com Cannabis medicinal.
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O estudo, publicado no Journal of Alzheimer’s Disease, é considerado o ensaio clínico mais longo do mundo sobre o uso de fitocanabinoides, moléculas da Cannabis, em pessoas com a doença neurodegenerativa e traz novas perspectivas para o cuidado com pessoas afetadas pela perda progressiva de memória.
A publicação internacional foi celebrada pelos cientistas brasileiros da Universidade localizada em Foz do Iguaçu. “Este é o primeiro ensaio clínico do mundo que mostra que a cannabis melhora a memória em pacientes com Alzheimer.
Tem outros estudos que, principalmente, mostram que reduz a agitação, a ansiedade. Mas o teste de memória, de fato, o primeiro artigo foi o nosso”, ressalta o pesquisador Francisney do Nascimento, coordenador do estudo.
O estudo
A pesquisa, realizada ao longo de 26 semanas (seis meses), envolveu 28 pacientes com idades entre 60 e 80 anos e utilizou o modelo randomizado, duplo-cego e placebo-controlado, reconhecido como o “padrão ouro” da pesquisa científica. De acordo com Nascimento, o trabalho representa um marco.
Os resultados mostraram que as pessoas que receberam o extrato full spectrum de Cannabis — contendo 0,350 mg de THC e 0,245 mg de CBD — apresentaram melhora significativa nas funções cognitivas, segundo o Mini-Exame do Estado Mental (MMSE), quando comparados ao grupo placebo.
Outro destaque foi o perfil de segurança: os participantes que usaram Cannabis não apresentaram eventos adversos relevantes, reforçando a segurança do tratamento.
Novas possibilidades para o tratamento do Alzheimer
Atualmente, o Alzheimer é a principal doença neurodegenerativa do mundo, afetando milhões de pessoas. As opções farmacológicas disponíveis somam apenas quatro medicamentos, que oferecem benefícios limitados.
Nesse contexto, os resultados da UNILA ganham relevância ao apontar que os canabinoides podem reduzir inflamação neuronal e estresse oxidativo, dois fatores fortemente ligados à progressão da doença. “Estudos com modelos animais já mostraram que o THC pode estimular a neurogênese no hipocampo, região do cérebro essencial para a memória”, explica Nascimento.
O Laboratório de Cannabis Medicinal e Ciência Psicodélica (LCP/UNILA), responsável pelo ensaio, já conduz novas etapas com diferentes formulações e dosagens, buscando compreender melhor os mecanismos de ação e ampliar o potencial terapêutico da planta.
Para Nascimento, os resultados consolidam o Brasil no mapa da ciência sobre Cannabis medicinal: “Nosso estudo mostra que é possível produzir pesquisa clínica de ponta no país, com rigor científico e impacto global. E, sobretudo, oferecer esperança para milhões de famílias que convivem com o Alzheimer”, finaliza.
(*) Denise Tamer – Jornalista com mestrado em Comunicação e Cultura pela Universidade Católica do Uruguay, em Montevideo, dedicada a criar filhos em um mundo consciente e informado sobre os benefícios da Cannabis para a saúde. https://www.linkedin.com/in/denise-tamer160090708/
Foto de Kindel Media/pexels.
