Calouros 60+ da UnB mostram que a vida não para

Calouros 60+ da UnB mostram que a vida não para

A UnB ofertou 136 vagas em 37 cursos de graduação presenciais em todos seus campi.


Secom/UnB (*)

A Universidade de Brasília (UnB) divulgou a lista dos aprovados no vestibular destinado a pessoas acima de 60 anos. A UnB ofertou 136 vagas em 37 cursos de graduação presenciais espalhados pelos quatros campi da Universidade (Asa Norte, Ceilândia, Gama e Planaltina). A prova foi aplicada em 28 de janeiro e o Vestibular 60+ contou com mais de 3 mil inscritos, entre 60 e 88 anos, sendo 59% dos candidatos mulheres e 41% homens. De todos os inscritos, 1.979 compareceram para a realização da prova, uma demonstração que a vida não para, como canta Lenine.

Foi o primeiro vestibular da Universidade de Brasília destinado a pessoas com idade acima de 60 anos. A seleção exclusiva faz parte da Política do Envelhecer Saudável, Participativo e Cidadão (Pespec).  

Foto: Anastácia Vaz Secom/UnB)

A festa aconteceu no ICC norte, onde os aprovados se reuniram para procurar seus nomes e celebrar a conquista. Uma das aprovadas, Maria de Lourdes, de 60 anos, mora no Guará e passou para o curso de saúde coletiva. Atualmente, ela cursa direito na UDF, mas já possui outras duas graduações, uma em arte e educação e a outra em pedagogia. “Apesar dos meus dois cursos, minha história profissional toda foi na área de saúde pública, por isso sempre sonhei em cursar esse curso na UnB”, relata.

Acompanhada da filha Natasha e da cachorrinha Chloe, Maria conta que está empolgada com o curso e parabeniza a iniciativa da universidade. “Esse projeto da UnB está abrindo portas para outras políticas públicas de reinserção das pessoas idosas na sociedade. É uma forma de dar visibilidade para essa população”, declara. “A aposentadoria é um processo muito solitário. A gente se sente muito excluído, fora do mercado de trabalho, não existe uma valorização. Minhas expectativas não são só minhas, mas, sim, de todas as pessoas que estão entrando na terceira idade e querem se sentir incluídas na sociedade”, completa.

Maria do Socorro, de 65 anos, também foi à UnB comemorar a aprovação. Ela tirou nota máxima na redação e foi a primeira colocada no curso de ciências sociais. Por já ser formada em letras, ela conta que teve facilidade com a redação, mas que o processo de preparação para a prova foi intenso. “Eu fiz 18 redações nos últimos dias de estudo. Todo dia eu escrevia uma redação”, relata.

Moradora da Asa Sul, a brasiliense conta que tem uma vida muito ativa. “Eu sempre trabalhei muito, mas fui forçada a me aposentar na pandemia. Nesses últimos três anos, tenho feito muita coisa: vou ao cinema, à academia, a passeios. Foi aí que eu vi que eu queria fazer algo ligado a esse repertório de leituras e estudo toda que eu tenho”, descreve. “Eu acredito que pessoas como eu, que têm uma bagagem cultural muito grande, não podem ficar paradas dentro de casa.”

foto: Ed Alves/CB/DA.Press) – Etel Tomaz (preto) e Theresa Guedes (Azul).

Aprovada em história, Theresa Guedes, de 68 anos, conta que sua principal inspiração para escolher o curso foi o seu marido, Guilherme de Jorge, de 74 anos. “Meu marido sabe muito de história, e eu sempre tive vontade de entender mais também. Eu acho que interpretar o passado é fundamental para entender o que vivemos hoje e o que virá no futuro”, declara. A caloura diz está muito animada para aprender mais e, assim, debater os assuntos com seu marido.

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Além de seu esposo, Theresa conta que teve apoio de toda a família. “Minhas filhas são minhas maiores incentivadoras, elas que me mandaram a notícia de que o processo iria ocorrer e me estimularam a fazer a inscrição”, diz.

Arquiteta aposentada há 10 anos, Theresa afirma que a iniciativa pioneira da UnB veio para preencher uma lacuna e abrir caminho para outras universidades fazerem processos similares. “É preciso integrar mais a sociedade. Ela precisa ser um todo, não nichos separados de pessoas”, defende.

Foto: Anastácia Vaz Secom/UnB)

Amiga de Theresa, Etel Tomaz, de 68 anos, foi aprovada em ciência política. Para ela, o tema da redação do processo seletivo — direito à universidade e ao envelhecimento saudável — é extremamente relevante. “Estamos vivendo em uma sociedade composta, em grande parte, por pessoas idosas, então, é muito importante que existam políticas para essa população”, destaca.

Etel diz estar empolgada com a possibilidade de integração entre jovens e pessoas idosas nas salas de aula. “Você tem a oportunidade de renovar sua vida, mas também traz experiência para os mais jovens e estabelece uma relação mais leve entre as faixas etárias”, prevê.

(*) Secom/UnB, comGabriela Sena, estagiária sob a supervisão de Priscila Crispi

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