Um incrível poder de resistência e resiliência fazem parte da trajetória de Vera, dona da última palavra, difícil negociar. Muito amorosa, mas ‘durona’… Uma figura de mulher!
Seu nome é Vera. Seus pais, Paulina e Ricardo, filhos de imigrantes italianos. Paulina, vivia com sua grande família tradicional nos costumes, mas já trabalhava. Ricardo tinha a mesma origem. Eram jovens e se apaixonaram. Ele era anarquista. A família se opôs. Ela ‘fugiu’ com ele. Escândalo! Vera nasceu em abril de 1922, Ricardo foi assassinado no dia 31 de dezembro, do mesmo ano, em uma festa na presença de mãe e filha! A trajetória desta mulher, minha mãe, estava iniciando.
Paulina e Vera foram recebidas pela família dela. Depois de alguns anos, Paulina casou novamente. Aos poucos foram se afastando da família de Ricardo. Vera gostava da família do pai, que não conheceu, e queria visitá-la.
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Com 15 anos o primeiro ato de ‘rebeldia’. Foi morar com a avó paterna em desacordo com a mãe. Outro ‘escândalo’. Mas ela seguiu. Estudou, trabalhou, conheceu Antônio e com ele se casou. Era considerada ‘bonita, moderna e independente’, mas a família dele ‘torceu o nariz’. Mas as sobrinhas jovens de Antônio a adoravam, e até hoje têm por ela um carinho especial.
Ela seguiu. Teve dois filhos, trabalhou a vida toda, lutou muito junto com o marido. Formaram os filhos, eles se casaram e tiveram filhos. Ela adora os netos e agora os bisnetos (5) de 8 a 17 anos!
Ela segue! Depois da morte de Antônio, começou a sair mais, viajar, fazer encontros em sua casa. Ele era mais quieto e não gostava de ‘agito’. Ela adora! Cozinhar, conversar, estar com a família e amigos é seu prazer. E sua trajetória segue.
Em abril Vera fez 98 anos! Em plena quarentena! Sem festa, sem amigos… Ameaçou ficar triste… Mas a trajetória da mulher Vera não permitiu.
90 anos, com os filhos Cláudio e Vera
(do jeito que ela gosta)abril 2020
Mas, para amenizar, a filha e genro comemoraram com ela em um almoço caseiro, feito especialmente para ela, com direito a brinde e flores.
Ela segue! Quando perguntada ela responde que tem dentro dela uma ‘força’ inexplicável! Mulher guerreira. Depois, em uma de nossas conversas disse:
– Acho que estou vivendo os anos que tiraram do meu pai!
Força! Um incrível poder de resistência e resiliência. Dona da última palavra, gênio italiano típico – autoritária – difícil negociar. Mulher muito amorosa, mas ‘durona’… Uma figura!
Este é um esboço da matriarca. Mulher de uma grande família italiana que hoje agrega as famílias de Vera e Antônio que se uniram há 77 anos!
Vera é minha mãe. E a ela presto aqui minha homenagem!
Feliz Dia das Mães!!!
Imagem destaque: Arte de Dhara Lucena

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