“Quem Cuidará de nós em 2030? Percepção dos representantes das Secretarias de Saúde da Região Metropolitana de São Paulo”, “Perfil, dificuldades, demandas e estratégias de um grupo de idosos no uso dos medicamentos em uma UBS no município de Maracanaú – CE” e “Reflexão sobre a angústia existencial do cinema de Ingmar Bergman no envelhecer diante da ameaça iminente de morte e do desejo de vida”, são títulos de dissertações de mestrado, defendidas em 2012 na PUC-SP, que narram metodologias distintas no pós em Gerontologia com área de concentração em gerontologia social.
Denise Araujo
As narrativas foram abordadas no Núcleo de Estudos e Pesquisa do Envelhecimento, realizado recentemente na PUC SP (campus Perdizes), com o tema: “Narrativas Metodológicas de Pesquisa Quanti-Quali em Gerontologia Social”, coordenado pela Profa. Beltrina Côrte, que teve como objetivo apresentar algumas metodologias de pesquisa utilizadas em investigações acadêmicas. O encontro acontece todos os meses na última quarta-feira do mês, das 9 às 12 horas, na PUC- SP, aberto ao público em geral e aborda temas diversos da Gerontologia Social.
Quando falamos em metodologia de pesquisa, pensamos em regras técnicas para elaboração de projetos, dissertações e outros textos acadêmicos. Ao estarmos envolvidos em um trabalho científico encontramos muitas dificuldades, pois uma pesquisa é muito mais que bases e conhecimento teórico. A experiência passada pelos palestrantes Cleber Kimura, Francisca Maria D. Albuquerque e Luciana Helena Mussi foi muito importante para os presentes.
Os convidados demonstraram recursos (softwares específicos para análise de dados), técnicas utilizadas para realização de suas pesquisas, ilustrando a utilização destas técnicas, casos onde há necessidade de autorização do Comitê de Ética (sempre que são envolvidos seres humanos), importância do diário de campo para auxiliar a compreensão dos dados com associações do que aconteceu no dia a dia dos participantes, tempo e recursos necessários para transcrição dos dados e compra de softwares de análise, abrindo novos horizontes de “como pesquisar” para o público presente.
As narrativas
Cleber Kimura, através de sua dissertação: “Quem Cuidará de nós em 2030? Percepção dos representantes das Secretarias de Saúde da Região Metropolitana de São Paulo”; utilizando a abordagem qualitativa buscou compreender o relato dos entrevistados. Dentre algumas dificuldades (locomoção pela Região Metropolitana de São Paulo, área da pesquisa), como também ter se deparado com pessoas indicadas para sua pesquisa, mas não aptas a responderem. Os recursos utilizados por ele para análise dos dados foram os softwares Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) e NVivo, além da técnica de análise de conteúdo de Laurence Bardin e o discurso social de Clifford Geertz.
Francisca Maria D. Albuquerque optou pela abordagem qualitativa, descritiva e exploratória, por meio de entrevista semiestruturada para abordar o perfil sociodemográfico, quantidade de medicamentos, tomada diária, morbidades, medicamentos utilizados, dificuldades e estratégias em relação ao seu uso de um grupo de pessoas idosas. A dissertação, intitulada “Perfil, dificuldades, demandas e estratégias de um grupo de idosos no uso dos medicamentos em uma UBS no município de Maracanaú – CE”, utilizou para análise o software Statistical Package for the Social Sciece (SPSS) e análise de conteúdo.
O estudo evidenciou quatro dificuldades relatadas pelos idosos no uso da medicação: incompreensão da receita médica, comprometimento na identificação dos medicamentos, déficit de orientação e baixa escolaridade. Ao ouvir Francisca descrever, lembrei de uma senhora que pediu para identificar os medicamentos (cerca de 10-15 tipos) que havia retirado na UBS para consumo diário e não os sabia identificar com a receita e horários a serem tomados. Quantas pessoas não estarão ao nosso lado com esta dificuldade? Quantos não terão vergonha de pedir ajuda? As consequências são claras: podem ter seu quadro de saúde agravado.
Luciana H. Mussi, em sua dissertação: “Reflexão sobre a angústia existencial do cinema de Ingmar Bergman no envelhecer diante da ameaça iminente de morte e do desejo de vida” teve como objetivo refletir sobre a angústia existencial do cinema de Ingmar Bergman no envelhecer diante da ameaça iminente da morte e do desejo de vida. A pergunta central foi: como viver com esta arrasadora angústia quando sabemos ser finitos e, ao mesmo tempo, sedentos de vida?
Para realização de sua pesquisa, ela efetuou levantamento, seleção, classificação por temática, transcrição e análise dos filmes que tratam da questão central da dissertação. No decorrer da exposição comentou que a relação familiar foi o que realmente a motivou a focar neste tema e nem sempre isto fica claro quando definimos um estudo e ou tema, mas sim no decorrer dela e é neste momento que o trabalho fica mais interessante e com uma “marca” especial.
Metodologias de pesquisa foram expostas de forma simples e objetivas, apresentando aplicativos, orientações e organização necessária para obtenção dos melhores resultados, além de comentários que aconteceram entre explicação de uma técnica/recurso ou outro, mostrando-nos a importância do que nos motiva e nos inspira a investigar e escrever sobre determinado tema e, em alguns casos, somente temos consciência no meio ou até no final da nossa investigação.