Portugal, Grã Bretanha…casos de violência que levam idosos ao isolamento, ao suicídio

Como consequência do acelerado envelhecimento da população mundial e uma situação de fiscalização pelos órgãos governamentais aparentemente desgovernada na abertura, fiscalização e manutenção de lares e instituições, tomamos ciência de acontecimentos alarmantes pelos quais passam os idosos que não tem para onde ir e acabam, por total falta de opção, em locais cuja carência de cuidados básicos e afetivos é extrema e preocupante.

 

 

portugal-gra-bretanha-casos-de-violencia-que-levam-idosos-ao-isolamento-ao-suicidioTalvez seja por isso que muitos decidem se recolher em suas casas, mesmo na mais completa solidão, dizem “não” aos possíveis maus tratos, convivem com o abandono de familiares e passam a pensam sistematicamente no suicídio como alternativa de vida. Quanta ironia, suicídio como “saída” para a própria vida!

Portugal – 121 lares de idosos clandestinos

Marco António Costa, secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social declarou à Lusa que até final de março de 2012, o Estado já tinha identificado “121 lares de idosos clandestinos” no país.

Não houve informação dos locais onde se encontram os tais “lares” e quais foram as irregularidades identificadas. É provável que a situação seja tão grave que divulgar detalhes das “irregularidades” levaria a população ao desespero e pânico, um efeito quase incontrolável.

Costa afirmou: “No primeiro trimestre deste ano já fizemos 121 inspeções e somos implacáveis na forma como atuamos relativamente a esses equipamentos clandestinos”, se referindo ao fato de que no ano passado se “bateu o número recorde de encerramento de lares ilegais”.

Preocupado e atento a grave situação, Costa ressaltou: “À margem da apresentação de um estudo sobre ‘As Instituições Particulares de Solidariedade Social num contexto de crise’, que decorreu na Universidade Católica do Porto, a atuação do Governo sobre lares de idosos clandestinos em Portugal é sistémica”.

Segundo ele: “É uma atuação permanente e é uma atuação implacável com situações de ilegalidade, principalmente quando essa ilegalidade, mais do que ao nível administrativo, se relaciona com casos em que há a necessidade de encerramento compulsivo e imediato das instituições”.

Apesar de nos últimos anos ter havido, da parte do Instituto de Segurança Social, uma ação forte de controle e inspeção aos lares de idosos que são ilegais, Costa afirma: “Há uma grande graduação na ilegalidade. Pode ir da falta de um licenciamento específico a uma situação de clandestinidade total. O que a Segurança Social faz é, todos os anos, ter um plano de fiscalização deste setor e esse plano assenta em dois vetores: fiscalização reativa sempre que nos chegam denúncias e fiscalização proactiva através de indícios comunicadas por autoridades públicas”.

Ainda em Portugal…prédios vendidos com cadáveres de idosos

Notícias como a dos lares clandestinos e suas irregularidades “não divulgadas” levam os idosos à reclusão, ao isolamento, ao recolhimento em suas casas, mesmo que o preço seja a solidão.

O site “DN Portugal” noticiou: “O governo decidiu isentar de IMT (Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis) todas as pessoas que comprem casas com idosos mortos lá dentro”.

Segundo a matéria “o objetivo é incentivar a remoção dos cadáveres que, de outra maneira, ficam a apodrecer para sempre dentro das quatro paredes. O Executivo está seriamente empenhado em acabar com este problema e está também disposto a proibir as pessoas com mais de 80 anos de morrer em casa. Quem não cumprir fica sujeito a pena de prisão até 3 anos (…)”.

Perguntamos: Como proibir as pessoas de morrer em casa? Alguém sabe de antemão a hora em que irá morrer? É possível um “controle efetivo”? Pior, a prisão seria uma solução para o problema?

Suicídio – uma saída para a vida?

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O vídeo da BBC começa com as angustiantes batidas do relógio, alguém fala: “Há cada 3 segundos há uma tentativa de suicídio no mundo. A cada 40 segundos, 1 suicídio. Suicídio: segunda causa de morte em Portugal e um fenômeno recente na terceira idade.

Agostinho dos Santos do Instituto de Medicina Legal do Porto explica: “o fato das pessoas perderem o estatuto social, de se confinarem, muitas vezes, em suas casas, uma baixa autoestima, são um conjunto de circunstâncias que por si só favorecem e promovem o suicídio”.

Segundo a matéria, um quarto dos suicídios acontece na terceira idade, com idosos de mais de 60 anos. Depressão, isolamento, vazio deixado pela morte de um ente querido, uma possível transferência para uma instituição, alcoolismo, enfim, uma total falta de perspectiva: são fatores que conduzem os idosos a pensamentos suicidas, frases como: “Vou por termo a minha vida. Vou acabar com esse sofrimento”.

Grã Bretanha – Violência em asilo

Como suportar ver a própria mãe sendo covardemente maltratada justamente num local em que depositamos confiança e acreditamos ser o melhor e com mais recursos para cuidar, tratar de quem amamos?

O site da BBC traz a história da britânica Jane Worroll, uma filha que percebe hematomas no corpo da mãe, Maria Worroll, e decide colocar uma câmera escondida no quarto de um asilo de Ash Court, em Londres para averiguar a situação. A surpresa não poderia ser outra: ela viu funcionárias levantando sua mãe sem nenhuma delicadeza, e um deles, encarregado de dar banho na senhora, dando-lhe um tapa.

Segundo a matéria, o funcionário, Jonathan Aquino, foi condenado a 18 meses de prisão.

“Minha mãe é tão vulnerável; não consegue se levantar, não consegue gritar por ajuda”, lamenta Jane Worroll.(A agressão) é simplesmente algo sádico”.

É impressionante, mas antes das gravações virem à tona, o asilo que hospedava Maria Worroll era qualificado como ‘excelente’ pela Comissão de Qualidade de Cuidados, que regula as casas de repouso britânica.

Se tal fato ocorresse no Brasil, todos, imediatamente apontariam suas artilharias para a falta de controle e inspeção, mas como imaginar tamanha violência na Inglaterra? Mas o que agrava a situação é que o episódio da família Worroll foi “aparentemente” minimizado pelo órgão regulador: “Para a comissão, o asilo Ash Court ainda “assegura que os usuários do serviço estão protegidos de abuso e do risco de abuso”. Mas Jane Worroll diz que se sentiu ofendida pelo relatório oficial. “Quando li, foi como um tapa na cara. Senti que eles basicamente deram (ao asilo) um registro limpo novamente, (pedindo ajustes mínimos). Isso me preocupa, pelas outras pessoas que estão prestes a colocar seus parentes em casas de repouso”.

E a reposta, claro, é obvia e esperada: “Os responsáveis por Ash Court, por sua vez, dizem que os maus-tratos sofridos por Maria Worroll são um caso isolado”.

É a banalidade da violência tratada como “caso isolado”.

Referências

VÍDEO (2012). O suicídio entre idosos está a aumentar em Portugal. Disponível Aqui. Acesso em 16/05/2012.

VÍDEO (2012). Flagra de funcionários maltratando idosa em asilo causa escândalo na Grã-Bretanha. Disponível Aqui. Acesso em 23/04/2012.

PARREIRA, A. (2012). Prédios vendidos com cadáveres de idosos esquecidos no interior isentos de IMT. Disponível Aqui. Acesso em 01/05/2012.

LUSA (2012). Identificados 121 lares de idosos clandestinos – Portugal – DN. Disponível Aqui. Acesso em 01/05/2012.

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