Muitas vezes, ao chegar aos 70 anos, por não serem mais obrigados por lei a exercer o direito de votar, os idosos aposentam seus títulos de eleitor e deixam de participar do processo eleitoral tão importante para a democracia. Eles são mais de 13% da população. Mas falta estímulo a esta participação que pode ser feita em espaços de serviços sócio assistenciais.
Ana Paula Loureiro *
Muitas vezes, ao chegar aos 70 anos, por não serem mais obrigados por lei a exercer o direito de votar, os idosos aposentam seus títulos de eleitor e deixam de participar do processo eleitoral tão importante para a democracia.
Eles são mais de 13% da população e segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o número de eleitores com mais de 60 anos cresceu 17% nos últimos quatro anos, chegando a 24,3 milhões.
Podemos supor que desse índice, pelo menos metade deles, não são mais obrigados a votar e, sem dúvida, se decidissem participar desse processo, poderiam influenciar diretamente no resultado.
Percebo que o que falta é o estímulo a esta participação que pode, muitas vezes ser feito, é claro, sem nenhuma interferência política ou em benefício de qualquer partido, dentro dos espaços de Centros de Convivência, Núcleos de Convivência, Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos ou mesmo grupos informais de idosos e terceira idade.
Esses espaços, como preconizados na tipificação de serviços sócio assistenciais, devem garantir e preservar essas ações, estimulando na construção e reconstrução de suas histórias e vivências individuais e coletivas na família e no território, desenvolvimento de noções de pertença e identidade, pautados na defesa e garantia de seus direitos.
E por que não ousar e falar sobre política de uma forma imparcial e informativa durante o programa de atividades?
Apresentar as plataformas dos candidatos, falar sobre as propostas, procurar nos programas de governo quais deles falam sobre os direitos e deveres do idoso e demostrar, discutir e debater de forma apartidária esses temas, permite transmitir um conhecimento que pouco é incluído na rotina da grande maioria desses cidadãos, mesmo sendo amplamente discutido nas redes sociais e mídia em épocas eleitorais.
Apresentar de forma explicativa as inovações, como o que é a biometria e suas vantagens para o processo eleitoral, desmistificar a urna eletrônica, ao fazer simulações com uma réplica, até atitudes mais simples como desenvolver um pequeno gabarito, um papel com o número dos candidatos, que cada um pode fazer durante a atividade, de forma individual e preservando o sigilo, pode resgatar um eleitor adormecido e que por anos estava inseguro com o excesso de números e de tecnologia no processo eleitoral brasileiro.
Muitas vezes, quando ouvimos: “Não quero votar!”, “Não sou mais obrigado!”, “Não entendo de política!”, grande parte desses “nãos”, estão no medo do desconhecido que ao passar a ser conhecido e bem esclarecido, pode fazer brotar um desejo, não só pelas informações trocadas nesses espaços, mas por uma história de vida que pode ser relembrada em relação ao cotidiano eleitoral presente diariamente na sociedade brasileira.
Conversar sobre política é um tema, da mesma relevância e importância como discutir sobre saúde, educação, garantia de direitos, afinal, o resultado desse processo irá influenciar diretamente em como todos esses temas vão caminhar ao longo de 4 ou 8 anos.
Dar oportunidade a essas discussões dentro desses espaços além de garantir os objetivos do serviço é também fazer com que os seus frequentadores idosos percebam que independente da idade e principalmente da obrigatoriedade, eles são cidadãos de direitos e devem aos seus descendentes e ao seu próprio cotidiano, no uso de serviços públicos, o poder de influenciar na decisão eleitoral.
Referências
Fonte: TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Texto e Imagem: Disponível Aqui
* Ana Paula Loureiro – Mestre em Gerontologia pela PUC-SP, terapeuta ocupacional, diretora da Angatu IDH. Membro da Rede de Colaboradores do Portal do Envelhecimento. Email: [email protected]