MOPI – Movimento Pró-Idosos

O MOPI – Movimento Pró-Idosos atende pessoas idosas, prioritariamente, com 60 anos e mais, e que apresentem situação de risco e vulnerabilidade.

Lúcia Medina Pupo

 

Oferece atividades que propiciam o envelhecimento ativo e saudável, a possibilidade de elaboração de novos projetos de vida, tendo em vista a sua proteção, a prevenção ao isolamento e exclusão social. Para atingir seus objetivos mantém um Centro de convivência e outros dois grupos externos, onde proporciona atividades planejadas e sistematizadas, que ensejam a convivência, a cidadania e a integração. O trabalho social e sócio-educativo do MOPI atende à Política Nacional do Idoso (Lei 8.842 de 04/01/94), ao Decreto 1948 de 03/7/96, bem como ao Estatuto do Idoso,de 01/10/2003.

O ano de 2004 foi marcado no MOPI pelo aumento expressivo e grande afluxo de idosos e familiares à instituição pela oferta de informações, programas, encaminhamentos à rede socioassistencial, orientação sobre o funcionamento e direitos dos usuários, no centro de convivência.

Optamos por utilizar como método a entrevista, através da escuta, um instrumento de grande valia para se identificar as demandas, desejos e necessidades pessoais, familiares e sociais dos idosos. Assim, fizemos entrevistas sociais para cadastramento de novos ou recadastramento de usuários antigos, buscando atualização de dados e maior aproximação com a equipe técnica.

Tal método nos possibilitou a busca incessante para conhecimento e estabelecimento de vínculos com a rede socioassistencial, no sentido de facilitar encaminhamentos aos serviços de saúde, defesa, obtenção de documentos e busca de benefícios, como o BPC (Benefício de Prestação Continuada) previsto na LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social).

Foi um ano marcado pela contínua promoção de atividades orientadas para a construção de vínculos sociais, com reflexos positivos em sua inserção familiar e social, relações intergeracionais, melhora de estados patológicos e prevenção ao isolamento. A oferta de espaço de convívio contou com alternativas de ação gratuitas nas áreas voltadas às práticas corporais (ginástica chinesa, alongamento, yoga, auto-massagem); habilidades manuais e geração de renda (aprendizado de artesanato); cultura (canto-coral, arte e cultura popular); aprendizado social (alfabetização de idosos); lazer (passeios, eventos e chás dançantes); esporte ( jogos de salão e bocha, com participação em torneios) e psicologia social (grupo de vivência).

Ações que estimulam as pessoas idosas a exercitarem sua cidadania quanto a começar pela atuação na comunidade, como partícipe de órgãos representativos do segmento idoso: os Conselhos, Fórum do Idoso, COMAS e outros. Em fevereiro de 2004 tomou posse como conselheiro do Grande conselho Municipal do Idoso, o sr. Osvaldo de Castro. A sra. Carmen Menezes de Oliveira também foi eleita suplente de conselheira no 3º mandato do COMAS (Conselho Munic. de As.Social), ambos usuários antigos do MOPI.

Na avaliação realizada pela equipe de Serviço Social, a qual é enriquecida com os inúmeros depoimentos dos usuários(as), familiares, cuidadores e, inclusive, profissionais de saúde (médicos), o ano de 2004 finalizou com 609 idosos inscritos nas oficinas sócio-educativas da sede, 88 na Lapa e 35 no Bom Retiro, superando a meta prevista de 550 pessoas. Os chás-dançantes receberam, em média, 500 pessoas por semana. Houve, portanto, um aumento de 11,07% do segmento atendido nos últimos 12 meses de atividades. Tal fato dá a certeza de que o MOPI contempla não só os objetivos de sua ação gerontológica, como se faz conhecer como um centro de convivência de qualidade e referência.

Perfil do usuário do MOPI

Em 2004 foi dado prosseguimento ao (re)cadastramento dos usuários, trabalho permanente da equipe técnica, que visa conhecer o seu público-alvo e divulgar o MOPI, como um espaço de convívio e as diversas ofertas de ação social e sócio-educativas. Aos cadastrados é oferecida, gratuitamente, uma carteira de associado da entidade. Interessada em saber quem são os idosos freqüentes, a coordenação procedeu ao estudo do perfil do usuário do MOPI. Foram levantadas cerca de 500 fichas de entrevistas (50% da população atendida) e analisadas nos aspectos: idade, sexo, escolaridade, rendimento e procedência (bairro de residência).

O gráfico traçado permitiu saber que 89% pertence ao sexo feminino, a idade predominante é de 60 a 69 anos,1º grau incompleto, muitos analfabetos (entre as mulheres), com faixa de renda entre “0” (zero) e 3 (três) salários mínimos, residentes em sua maioria na zona noroeste da capital. Porém, grupos e pessoas sós provêm dos mais distantes pontos e de municípios vizinhos, como Itapecerica, Ferraz de Vasconcelos, Mauá, Santo André, Embu e outros. Muitos idosos se utilizam de três conduções (ônibus, trem e metrô) para chegarem ao MOPI, o que não os impede de freqüentarem mais de uma vez por semana o espaço de convívio.

Ainda, no aspecto recadastramento, a coordenação procedeu ao estudo sócio-econômico de toda a população atendida no programa “Leite para a vovó”. Foi estabelecido o critério de renda para atender aos mais carentes, pois são apenas 175 quilos de leite para o mesmo número de idosos, quantidade bem abaixo do desejável. Passaram a ser beneficiadas as pessoas com renda de “0” (zero) a “1” (um) salário mínimo. A medida, apesar de correta, causou muita queixa daqueles que foram descredenciados.

Atualização dos profissionais

Não perca nenhuma notícia!

Receba cada matéria diretamente no seu e-mail assinando a newsletter diária!

Os profissionais que atuam no MOPI participaram em diversos eventos, onde se atualizaram e divulgaram o trabalho efetuado na instituição. Por exemplo, a Assistente Social participou dos treinamentos promovidos pela SAS (Prefeitura de S.Paulo): “Aspectos psicossociais do envelhecimento”, “Atualização previdenciária”, no Centro de Referência do Idoso da Lapa e Semana de Gerontologia, na PUC/SP; a Coordenadora esteve presente em Congresso Nacional (SBGG) e Internacional de Geriatria e Gerontologia (SESC/SP) e em Semana de Gerontologia (NEPE/PUC). A participação em cursos e o envolvimento com profissionais da área de gerontologia permitem a troca de experiência e a aquisição de novos saberes para a prática gerontológica, imprescindíveis ao bom desempenho profissional. Com a contratação da Cooperativa de Trabalhadores pela SAS (convênio), os oficineiros do MOPI, pagos pela SAS, foram convocados para várias reuniões: de esclarecimentos sobre o funcionamento da cooperativa e dos treinamentos, de acordo com a sua especialidade.

Projetos

Ação social

O núcleo de convivência oferece o espaço de estar, convívio e lazer com acessibilidade e segurança. O serviço social identifica, a partir da entrevista inicial, a necessidade de orientação, encaminhamento e ajuda, que possa levar o idoso a escolher e a construir o seu projeto de vida, visando a sua valorização pessoal, inserção social e autonomia. Em 2004 foram realizadas festas comemorativas com missas, como a de Páscoa, Dia das mães, Santo Antonio e Natal, passeios, torneios esportivos de bocha e jogos de salão, chás-dançantes e outros. Os passeios com ônibus realizados mensalmente pelo público da sede, Lapa e Bom Retiro, transformados em lazer cultural, agregam atualmente, mais qualidade ao programa de muito agrado dos idosos. As datas de encerramento dos quadrimestres (oficinas) contaram com a apresentação dos grupos de dança, canto-coral, alfabetização de idosos e arte e cultura popular. Também foram montadas exposições de Artesanato, com objetos produzidos nos cursos, gerando renda para as idosas e o bazar. O Serviço Social promoveu a Semana do Idoso, que incluiu a apresentação dos várias oficinas, exposição de pintura em tela e bazar itinerante, culminando com o baile da Primavera, festa que atraiu um grande número de usuários, além de outras pessoas. A equipe técnica estimula as atividades de convívio, em sua ação social. Nesse sentido, permanece em funcionamento o “Cantinho da leitura”, com a colocação de jornais e revistas variadas para uso dos freqüentadores. O grupo de alfabetização se utiliza bastante deste espaço. A biblioteca existente ainda é pouco procurada, provavelmente devido à baixa escolaridade dos usuários e falta do hábito de leitura. O “Mural do usuário”, sempre renovado, tem alcançado o objetivo de divulgar saberes e práticas pessoais, permitindo a troca e possível obtenção de ganho aos interessados. Há usuários que colaboram ativamente com o mural, em que são afixados artigos, crônicas e notícias de interesse sobre educação, saúde, lazer, envelhecimento e outras.

Projeto sócio-educativo

Em relação à ação sócio-educativa, a equipe conseguiu em 2004 atender ao programa de atividades previsto para a sede e outros grupos externos. Efetuou algumas, visando melhorar e ampliar a sua ação nas áreas de cultura e geração de renda. Neste sentido, as oficinas de Bijuterias, Pintura em tela e em tecido apresentaram trabalhos de boa qualidade e beleza. São cursos que permitem o aprendizado de habilidades manuais, a geração de renda, com possibilidades de empreendedorismo. A introdução da oficina de Bijuteria veio atender ao apelo de usuárias, com lotação imediata. Um grupo de Arte e Cultura popular foi criado com a perspectiva de inserção sócio-cultural e resgate da memória musical e danças típicas do folclore paulista e brasileiro. Este grupo, apesar de novo, já se apresentou no MOPI, por ocasião de festividades, com sucesso. No final do ano foi proposta uma nova turma de Ginástica-Alongamento. A coordenação se preocupa em equilibrar e enriquecer a oferta de oficinas que atendam à demanda, mas com alternativas, como: trabalho corporal (vários tipos de exercícios físicos), trabalhos artesanais (aprendizado de diversas práticas), inclusão social e aquisição de conhecimentos (alfabetização), desenvolvimento de sociabilidades e fortalecimento de vínculos (aulas de dança, grupo de convivência), aquisição de cultura e estímulo à memória (arte e cultura popular, canto-coral), reflexões sobre questões relativas à velhice e ao processo do envelhecimento (pré-envelhecimento). O caráter dinâmico da programação sócio-educativa atende as demandas e novidades do mercado, com a produção de artesanato de moda. A ação sócio-educativa e as múltiplas atividades de convívio que o MOPI oferece, concorrem de igual maneira ou se complementam na construção e/ou fortalecimento de vínculos interpessoais, familiares e societários, favorecendo o processo de envelhecimento ativo e saudável.

Projeto “preparação para o envelhecimento” – O grupo“ Pré-envelhecimento”, orientado pela coordenadora e dirigido à pessoas entre 50 e 59 anos incompletos, tem como objeto o pensar sobre o “envelhecimento humano”, as experiências de vida, as relações familiares e sociais envolvidas, a troca de saberes e informações, com o propósito de estimular a reflexão sobre as atitudes relativas à velhice, a participação feminina na sociedade e questões de cidadania. A metodologia empregada consta de dinâmicas de grupo, leitura de textos, imagens, palestras de interesse, apresentação e discussão de filmes (vídeos).

Projeto monitoramento e avaliação – Foram realizadas reuniões quadrimestrais com os oficineiros para avaliação geral e propostas para a melhoria das oficinas. Também, sempre que necessário, a coordenação presta atendimento aos profissionais para orientação em questões individuais, como: documentação (lista de chamadas), problemas com o grupo (faltas, atrasos, desistências, lista de espera, relacionamento intergrupal e outros. Em 2004, segundo relatórios mensais enviados à SAS (Secretaria de Assistência Social da Prefeitura/SPaulo), em termos quantitativos, o MOPI contou com: Nº de oficineiros (professores): 11; Nº de cursos ofertados: 24; Nºde palestras: 10; Nº de eventos: 30; Nº de passeios: 34; Nº de participantes nas diversas ações: 1282 idosos. Em termos qualitativos, há os depoimentos dos oficineiros sobre a observação realizada em seus grupos, a constante participação da equipe de Serviço Social, a escuta dos usuários, amigos e familiares através das entrevistas formais e informais e a coleta de depoimentos que se constituem em valores mensuráveis, mas não numéricos da qualidade do trabalho do MOPI. São comuns os relatos sobre a melhoria de muitos estados de depressão, solidão e angústia, o restabelecimento ou aquisição de hábitos saudáveis, a restauração de vínculos familiares e sociais, a construção de novos projetos de vida, com a oportunidade de convívio oferecida nos espaços e oficinas da entidade.

Centro de Convivência

Rua Dona Germaine Burchard, 344 – Perdizes – São Paulo – SP

CEP 05002-06l – Fone: 3672-5904

Núcleos externos

1 – Grupo “Chamas de amor”: Espaço cedido: salão paroquial da igreja Nossa Sra. da Lapa

R. Afonso Sardinha, 64

2 – “Grupo “Renascer”: Espaço cedido: Praça da Luz – Bom Retiro – Local: casa de chá

Portal do Envelhecimento

Compartilhe:

Avatar do Autor

Portal do Envelhecimento

Portal do Envelhecimento escreveu 4368 posts

Veja todos os posts de Portal do Envelhecimento
Comentários

Os comentários dos leitores não refletem a opinião do Portal do Envelhecimento e Longeviver.

-->

Conecte-se com a gente

LinkedIn
Share
WhatsApp
Follow by Email
RSS